Milhares de católicos participaram neste fim de semana na tradicional peregrinação mariana de Nitra, na Eslováquia, por ocasião da solenidade da Assunção da Virgem Maria. Três bispos juntaram-se às celebrações de uma das principais manifestações de religiosidade popular da região, cujas origens remontam ao século XVIII e que sobreviveu a décadas de restrições durante o regime comunista.
A peregrinação realizou-se no Calvário de Nitra, cidade situada cerca de 90 quilómetros a leste de Bratislava e sede de uma das dioceses mais antigas da Europa central. Segundo a diocese, este ano celebrou-se a 250.ª peregrinação anual de ação de graças ao santuário, uma tradição cujos primeiros testemunhos remontam a 1766.
Três bispos entre os milhares de peregrinos
Entre os prelados participantes estiveram monsenhor Viliam Judák, bispo de Nitra; monsenhor Jozef Haľko, bispo auxiliar de Bratislava; e monsenhor František Rábek, ordinário militar emérito da Eslováquia.
Durante os dois dias celebraram-se várias Missas e houve confissões tanto em eslovaco como em húngaro, além de adoração eucarística e um concerto de órgão. Os três bispos celebraram a Eucaristia e administraram o sacramento da Penitência.
Haľko, que presidiu uma das Missas em húngaro, explicou à EWTN News que durante a peregrinação tinha refletido sobre a relação entre a dimensão mariana e a Eucaristia. Ao pronunciar o «amém» diante de Deus, assinalou, o cristão faz seu de algum modo o «sim» da Virgem e entrega-se a Ele.
A presença de celebrações em língua húngara responde também à realidade histórica e cultural da Eslováquia, país centro-europeu que conta com uma importante minoria de origem húngara.
Maria como modelo para as famílias
Monsenhor Rábek, que anteriormente foi sacerdote na paróquia de Nitra-Calvário e atualmente reside no local da peregrinação, dirigiu parte da sua pregação aos pais.
O bispo pediu-lhes que procurassem «um equilíbrio saudável» na educação dos seus filhos, de modo que possam desenvolver os seus talentos sem descuidar a Palavra de Deus.
Rábek apresentou a Virgem como uma mulher simples que esteve disposta a acolher a vontade divina e que, precisamente por essa resposta, se tornou modelo para os cristãos. «Mostrem-me uma mulher que seja tão famosa, glorificada e respeitada como Maria», afirmou.
A devoção mariana tem um peso singular na história religiosa da Eslováquia. A Virgem das Sete Dores é a padroeira do país e o seu santuário nacional de Šaštín constitui um dos seus principais centros de peregrinação. Em setembro de 2021, Francisco concluiu precisamente aí a sua viagem apostólica à Eslováquia, com uma celebração multitudinária na festa da padroeira nacional.
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«Não perder de vista o nobre objetivo da nossa vida»
A peregrinação culminou no domingo com uma Missa presidida por monsenhor Judák, à qual também assistiram o presidente da câmara de Nitra e outros representantes políticos locais.
Na sua homilia, o bispo recordou a Assunção da Virgem como referência para o destino último do homem e pediu a Maria que ajudasse os presentes a avançar para a meta da vida cristã: o amor entendido como entrega de si mesmo.
«Se nos esforçarmos por viver segundo a nossa consciência, isto é, por cumprir a vontade de Deus como ela o fez, a nossa vida e os acontecimentos da nossa vida, tudo o que fizermos bem, não perecerá nem sequer com a morte», afirmou.
Judák convidou os fiéis a dirigir o olhar para aquilo a que conduz a Virgem e pediu que a peregrinação servisse para que, «amanhã, dentro de uma semana, de um mês, de um ano, pelo menos até ao fim das nossas vidas», os cristãos não percam de vista «o nobre objetivo da nossa vida» e perseverem nele com a ajuda de Deus.
O bispo também exortou os presentes a cumprir as suas responsabilidades como cristãos na vida pública e a defender e professar os valores cristãos perante as eleições locais previstas para este outono.
Uma peregrinação que sobreviveu ao comunismo
A peregrinação ao Calvário de Nitra começou no século XVIII. Os fiéis subiram pela primeira vez em peregrinação à colina em 1766 e a tradição acabou por se consolidar como uma das principais celebrações religiosas da zona.
A sua continuidade foi alterada durante o regime comunista da Checoslováquia, quando a participação em atos religiosos foi sujeita a restrições e a peregrinação chegou a ser proibida em determinados períodos. Após a queda do comunismo, as celebrações puderam retomar-se livremente a partir de 1990.
A Eslováquia conserva ainda importantes manifestações públicas de piedade mariana e peregrinações populares. Durante a sua visita ao país em 2021, Francisco destacou precisamente esta tradição ao descrever o povo eslovaco como um povo cuja devoção à Virgem se expressa também através da peregrinação.
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Cinquenta peregrinos percorreram 20 quilómetros a pé
A organização dos dias esteve a cargo da paróquia de Nitra-Calvário, confiada aos Missionários do Verbo Divino, cuja província eslovaca tem a sua sede na própria colina.
O pároco, o padre Ján Štefanec, destacou a vitalidade que o lugar adquire durante a festividade e reconheceu que gostaria de ver uma presença semelhante de fiéis com maior frequência durante o resto do ano.
Embora atualmente grande parte dos assistentes chegue de carro ou autocarro, ainda há quem mantenha a peregrinação a pé. Este ano, um grupo de 50 peregrinos percorreu cerca de 20 quilómetros até ao santuário apesar de temperaturas que atingiram os 36 graus.
Outros fiéis realizam parte do percurso de bicicleta, enquanto antigos membros da paróquia regressam todos os anos para participar na celebração. Uma tradição iniciada há mais de dois séculos e meio que, após sobreviver às proibições do comunismo, continua a congregar milhares de católicos em torno da Virgem.