Por K.E. Colombini
Em uma viagem de volta para casa, no sul da Califórnia, tive a oportunidade de visitar a igreja do meu batismo, minha «igreja mãe», como costumam dizer. Quando me tornei católico aos doze anos, em abril de 1976, Sagrada Família, na cidade de Orange, havia se tornado, no mês anterior, a catedral da nova diocese ao sul de Los Angeles. Não parecia ter mudado muito depois de quase meio século; no entanto, a evolução da catedral para a Diocese de Orange nos anos intermediários é, em si mesma, uma história interessante.
Não havia nada de espetacular em Sagrada Família, que foi construída no final da década de 1950, e não sei por que foi escolhida como a primeira catedral da diocese. No início dos anos 2000, houve uma tentativa do bispo da época de construir uma catedral nova e maior em Santa Ana. A ambição de uma sede digna para sua diocese tinha um preço de 200 milhões de dólares, mas o momento foi inoportuno, pois o escândalo de abusos sexuais na Igreja atingia com força a diocese naqueles dias.
Outra oportunidade surgiu em 2010, quando os Ministérios da Catedral de Cristal, fundados pelo televangelista Robert Schuller, declararam falência. A Diocese de Orange adquiriu, no ano seguinte, o moderno complexo da Catedral de Cristal, projetado por Philip Johnson, e, após extensas reformas, chegou-se à inauguração, em 2019, da recém-batizada Catedral do Cristo.
Sentado em um banco de Sagrada Família, agora novamente uma humilde igreja paroquial, senti-me grato por ela e pelo que significou e ainda significa para mim. Casado e com uma família em crescimento, mudei-me do condado de Orange para Sacramento em outubro de 1990. Não esquecerei Sagrada Família, embora não tivesse estado lá por décadas.

Durante a década de 1990, trabalhei no centro de Sacramento, onde a Catedral do Santíssimo Sacramento, construída em 1889, fica a um passo do Capitólio Estadual, da Prefeitura e do coração da cidade. Era um refúgio frequente para mim, com missas diárias ao meio-dia que atraíam um grande grupo de funcionários de escritório.
Naquela época, o bispo Francis Quinn morava na reitoria contígua à catedral, e sempre achei que é uma disposição muito melhor do que, digamos, uma casa nos subúrbios. Um bispo deve ter uma presença firme em sua catedral, tal como Quinn demonstrou de forma admirável quando, em abril de 1993, um homem armado matou dois trabalhadores na biblioteca do centro, a poucas quadras da catedral, antes de ser abatido pela polícia.
Quinn esteve lá rapidamente para administrar ele mesmo os últimos sacramentos e consolar os presentes no local, e uma imagem sua fazendo isso ocupou várias colunas na primeira página do Sacramento Bee no dia seguinte. Essa é o tipo de visibilidade pastoral que é importante para a Igreja e que raramente vemos em nossos prelados.

Sob o sucessor de Quinn, William Weigand, foi concluída, em 2005, uma renovação integral do Santíssimo Sacramento, com custo de 34 milhões de dólares. Apenas do ponto de vista estético —e deixando de lado os reparos necessários— era extremamente necessária; o interior podia parecer escuro e sombrio. Esse projeto a abriu e criou um espaço belo e cheio de luz, bem como um presbitério digno de uma catedral, especialmente em uma capital.
Quando se vê pela primeira vez a Catedral Basílica de São Luís, é fácil ficar impressionado com a majestade de seu estilo românico, com uma cúpula de quarenta e cinco metros de altura que atesta dignamente a importância de uma cidade que já foi a quarta maior do país. O que custa acreditar é que ela tem metade do tamanho originalmente projetado.
No final do século XIX, o arcebispo de São Luís, John Kain, adquiriu terrenos para a catedral, mas os esforços foram paralisados por um tornado em 1896 que matou mais de 250 pessoas. Os fundos destinados à catedral foram realocados para a assistência às vítimas do tornado, e os planos de construção foram adiados e reduzidos.
Após o sucesso da Feira Mundial de 1904, o projeto foi retomado e a construção foi concluída em 1914. Os mosaicos interiores da catedral, uma das maiores coleções do mundo, só foram finalizados em 1988.

Nossa catedral basílica pode ter mais de um século de idade, mas em São Luís nos referimos a ela como a «Catedral Nova». A «Catedral Velha» é agora a Basílica de São Luís, Rei da França, que se ergue perto do Gateway Arch. Foi a primeira catedral construída (1834) a oeste do Mississippi.
Passei a amar ambas as igrejas durante um quarto de século de residência em São Luís. Nossas catedrais, velhas ou novas, não são pensadas apenas para os católicos da comunidade, mas para todo o povo, como um lugar de encontro, seja no luto ou na celebração, tal como faz nossa Catedral Nova com um popular ciclo de concertos. Nossas catedrais devem permanecer abertas e acolhedoras para a comunidade, atraindo as pessoas para seu abraço e oferecendo a todos a oportunidade de desfrutar da beleza e inspiração que só elas podem proporcionar.
Como sede da autoridade religiosa local e como igreja que aspira à excelência, há —ou pelo menos deveria haver— algo especial em uma catedral. A Enciclopédia Católica o expressa da seguinte maneira: «Os canonistas comparam com um casamento espiritual a união de um bispo com sua igreja, e embora essa expressão seja mais verdadeira em relação à Igreja entendida em sentido moral do que à catedral, não deixa de ser apropriada. Dizem que o bispo deve amar sua catedral, adorná-la, embelezá-la e nunca negligenciá-la».
Portanto, poder-se-ia esperar que as catedrais, como símbolos em pedra da autoridade e permanência eclesial, fossem estáveis e imutáveis. No entanto, em minha experiência como católico ao longo do país, descobri algo diferente. As catedrais continuam sendo coisas terrenas e, portanto, encontram-se em um estado necessário de mudança. Felizmente, em uma época em que tantas igrejas sofreram reformas deploráveis, também acontece, e não com pouca frequência, que a mudança pode ser para melhor.

Sobre o autor
K.E. Colombini escreve de São Luís, Missouri. Publicou no The National Catholic Register, Homiletic & Pastoral Review, First Things, The Front Porch Republic, The American Conservative, entre outros veículos.