Pelo P. Paul D. Scalia
Quanto vale uma coisa? Na economia, é relativo. Os preços flutuam. Os mercados sobem e descem. Uma coisa vale o que alguém estiver disposto a pagar por ela. Na década de 1980, meus discos de vinil valiam muito. Com a chegada dos CDs, não valiam quase nada. Depois, quando o vinil voltou a estar na moda, adquiriram um novo valor.
O problema é que aplicamos esse mesmo pensamento econômico e relativista a outras áreas. Não reconhecemos o valor intrínseco de nada. Por isso, nossos líderes não tratam seus cargos como dignos de respeito. Em vez de se submeterem à autoridade do cargo, manipulam-no para seus próprios fins. Em nossa cultura da morte, até as pessoas valem apenas pelo que nos trazem ou pelo que contribuem para a sociedade. Pensamos assim de nós mesmos, encontrando nosso valor no quanto ganhamos, conquistamos ou quantos elogios recebemos. Tratamos o casamento e a família como se valessem pelos benefícios que nos trazem —como um proveito para os cônjuges, talvez—, mas não como algo intrinsecamente digno de sacrifício e perseverança.
Pior ainda, aplicamos essa mesma mentalidade consumista a Deus. Ele tem valor na medida em que me ajuda. Como sacerdote, uma das coisas mais desesperadoras é quando as pessoas dizem: «Deus é realmente importante na minha vida». Realmente importante. Sabe, como meu cachorro e meu instrutor de ioga. É uma frase que revela como relativizamos o valor de Deus.
Então, quanto vale Deus? Três vezes no Evangelho de hoje (Mateus 10, 37-42), nosso Senhor utiliza a frase digno de mim. É impactante. Ele a usa para colocar seu valor acima do da família: Quem ama o pai ou a mãe mais… quem ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim. E acima até de nossas próprias vidas: quem não toma sua cruz e me segue, não é digno de mim. Portanto, seu valor transcende as coisas mais importantes deste mundo. Não é apenas intrínseco, mas infinito.
As palavras de Jesus nos chocam por essas razões. Mas ainda mais porque temos uma noção muito atenuada do valor em geral. Em uma cultura que relativiza o valor de tudo, é um choque para o sistema ouvir que Deus vale a pena perder os pais, os filhos e nossas próprias vidas.
O que nosso Senhor diz aqui é uma reivindicação que só Deus pode fazer. É um lembrete contundente de sua transcendência e de seu direito à nossa total devoção e amor. Sempre somos tentados a rebaixar Deus ao nosso nível, a domesticar sua transcendência e a colocá-lo entre as muitas coisas que «valorizamos». Nunca nos livramos dele, é claro, porque Deus é realmente importante em nossas vidas. Mas, considerando as palavras de Jesus no Evangelho, devemos renovar nossa mente e reconhecer o valor absoluto de Deus.
E quanto você vale? Só Deus é totalmente bom e digno de todo amor. Isso é um choque para nossa mentalidade relativista. Mas ainda mais surpreendente é que Ele nos torna participantes de seu valor eterno. Ele nos cria à sua imagem e semelhança. A vida de cada pessoa humana tem um valor intrínseco —não pelo que produz ou faz—, mas porque Deus nos deu a todos uma participação em sua dignidade.
Curiosamente, podemos abordar isso com a mentalidade econômica: você vale o que Deus está disposto a pagar por você. Você vale a morte do Filho de Deus. Ele não apenas lhe deu uma participação em sua dignidade na Criação, mas também uma participação em sua própria vida no Batismo. Nós demonstramos o valor de Deus ao não preferir nada antes dele. Ele nos demonstra nosso valor ao morrer por nós.
A vida cristã se fundamenta, portanto, na resposta apropriada, justa e digna ao que Deus realizou. Não se trata de um esforço para nos tornarmos dignos ou para conquistar nossa própria dignidade. Trata-se de reconhecer que Ele revelou nosso valor ao morrer por nós. Agora devemos viver de uma maneira digna do chamado que recebemos (cf. Efésios 4, 1).
Um elemento central disso é a adoração (em inglês worship, uma palavra que vem do inglês antigo worth-ship). Significa atribuir valor a algo ou, melhor dizendo, reconhecer seu valor; estimar algo —Alguém— acima de tudo o mais, não por algum benefício que possamos obter, mas simplesmente porque Ele é bom e digno de todo o nosso amor e adoração. Devemos adorar a Deus, não apenas valorizá-lo. Isso aponta para as bodas do Cordeiro e para nossa participação nelas na Missa. Digno é o Cordeiro!, proclamam os santos no Céu (Apocalipse 5, 12). Na Missa aqui embaixo, unimo-nos a essa aclamação.
Nossa adoração também cumpre o que Jesus acrescenta neste trecho: Quem encontrar sua vida, a perderá; e quem perder sua vida por minha causa, a encontrará. Normalmente tomamos essas palavras em seu sentido moral e espiritual. Muitas vezes são reduzidas a «Você precisa acreditar em algo maior do que você mesmo». Mas devemos entendê-las primeiro como uma declaração sobre a adoração, sobre o reconhecimento do valor infinito e transcendente de Deus.
Quando buscamos a Deus apenas pelo benefício que nos traz, não entendemos o ponto. Perdemos a vida. Mas quando nos esquecemos de nós mesmos e o proclamamos como digno de toda adoração e louvor, então encontramos nosso verdadeiro valor. Encontramos nossa vida. É ao proclamar que o Cordeiro é digno que vivemos nosso verdadeiro valor.
Sobre o autor
O P. Paul D. Scalia é sacerdote da Diocese de Arlington, Virgínia, onde atua como Vigário Episcopal para o Clero e Pároco de Saint James em Falls Church. É autor de That Nothing May Be Lost: Reflections on Catholic Doctrine and Devotion (Para que nada se perca: reflexões sobre a doutrina e a devoção católicas) e editor de Sermons in Times of Crisis: Twelve Homilies to Stir Your Soul (Sermões em tempos de crise: doze homilias para comover a alma).