Por Francis X. Maier
Já nos meus últimos anos da casa dos 70 e veterano de 56 avaliações anuais de desempenho sob a chefia de uma bela e extremamente inteligente mulher católica, sinto-me autorizado a oferecer algumas reflexões sobre a natureza do que é um «homem cristão» aceitável, na sua variante casada.
Sem nenhuma ordem especial, ele deve ser: um provedor frutífero; um bom pai; divertido, dentro dos parâmetros morais tradicionais; e um projeto de construção querido, mas obstinadamente de longo prazo. Este último traço é enganosamente vital. Mantém comprometida a esposa cristã mais dotada, astuta e impaciente durante todo o percurso. A razão disso deveria ser óbvia. O marido perfeito está sempre a apenas algumas (dezenas de) modificações bem-intencionadas da perfeição, se apenas ouvisse.
Chega de humor. No mundo real, o homem cristão precisa, acima de tudo, ser fiel: fiel à sua esposa e aos seus filhos, fiel à sua Igreja e fiel a Jesus Cristo. Sem exceções. Sem desculpas. Sem cláusulas de escape. A fidelidade importa. Esta é a mais importante.
Há mais do que isso para se tornar um homem, é claro. Vale a pena revisar os comentários pertinentes a respeito de um grande pastor católico; o arcebispo emérito de Filadélfia, Charles Chaput. Notem as 22 regras para a conduta de um homem cristão que ele toma emprestadas de Erasmo. Notem, também, sua reflexão sobre a história e a essência da cavalaria cristã. Vale a pena gravar todo o seu discurso no coração masculino, mas especialmente seu pensamento final: «A condição masculina, irmãos, é uma questão de biologia. Simplesmente acontece. A masculinidade precisa ser aprendida, conquistada e ensinada».
Como um jovem consegue algo disso? Comecemos com alguns fatos simples: as mães moldam os primeiros anos de vida de seus filhos. As esposas ancoram seus maridos na realidade e no propósito. Mas, no final, os homens se tornam homens melhores graças ao exemplo e à amizade de outros homens melhores.
Ao longo da minha vida, a cultura americana reconheceu a dignidade das mulheres de forma mais plena do que nunca e criou novas vias para sua liderança de maneiras dramáticas e inovadoras. Como homem com uma esposa, uma filha e netas extraordinárias, posso celebrar isso com entusiasmo, deixando de lado o sexo anárquico e a homenagem aos «direitos» do infanticídio pré-natal.
Mas, no processo, essa mesma cultura muitas vezes negligenciou e até degradou deliberadamente a formação dos jovens. E isso tem consequências nefastas. A «masculinidade tóxica» não se resolve afeminando os rapazes. O resultado desse erro é uma safra recorde de zangões, Peter Pans, predadores, viciados em pornografia e crianças perdidas; em outras palavras, uma escassez de homens de bem, desinteressados e virtuosos, capacitados para prover e proteger. Esse é o problema urgente que enfrentamos agora.
Então, como o abordamos?
Há exatamente 900 anos, uma nova ordem religiosa de homens combatentes enraizou-se na Terra Santa: os «Pobres Companheiros de Armas de Cristo e do Templo de Salomão». A história os conhece melhor como os Cavaleiros Templários. O núcleo animador dos Templários, como sublinhou o arcebispo em seus comentários anteriores, era uma forma de amor singularmente exigente, uma necessidade urgente para a época: «construir uma nova ordem de novos homens cristãos, hábeis nas armas, vivendo como irmãos, dedicados à oração, à austeridade e à castidade, e entregando-se radicalmente ao serviço da Igreja e de seu povo, especialmente dos fracos».
Ele descreveu o valor contínuo do espírito dos Templários para o mundo moderno de hoje, diferente (mas não tão diferente), com estas palavras:
[Viver] o Evangelho implica um tipo muito real de guerra espiritual; uma luta contra o mal em nós mesmos e no mundo que nos cerca. Nossas primeiras armas devem ser sempre a generosidade, a paciência, a misericórdia, o perdão, o desejo de ouvir e compreender os outros, um forte testemunho pessoal de fé e o falar a verdade sem ambiguidades com amor. Para o cristão, a violência é sempre um último e indesejado recurso. Deve ser usada apenas em legítima defesa ou para defender os outros. Mas, ao mesmo tempo, a justiça e a coragem também são virtudes cristãs fundamentais. E creio que elas têm um significado especial na vida do homem cristão.
Acontece que o ideal da cavalaria cristã nunca desapareceu realmente. Persiste hoje em uma variedade de bons apostolados cristãos focados em reconstruir uma masculinidade evangélica saudável. E entre os mais promissores (como convém) encontra-se um criado especificamente para jovens em idade de ensino médio: Os Templários.
O apostolado descreve a si mesmo e sua missão desta maneira:
«Templários – Cavaleiros do Santo Templo» é um programa da Unfinished, uma organização católica sem fins lucrativos 501(c)3 dirigida por muitos dos colaboradores fundadores do Exodus 90. Templários está comprometido com a formação de jovens na fé, na sabedoria e nas tradições da Igreja Católica. O programa é uma resposta aos desafios atuais que os homens enfrentam e tem como objetivo libertá-los por meio da sabedoria e dos ensinamentos da Igreja. Hoje em dia, os homens —particularmente os jovens— são influenciados pela solidão, pela pornografia, pelo consumismo e, muitas vezes, pela falta de uma figura paterna. São os mais vulneráveis às mentiras que pervertem a compreensão católica da masculinidade. Templários envolve adolescentes do sexo masculino em um momento transformador de seu desenvolvimento, entre os 14 e os 18 anos, quando são mais vulneráveis e quando seus valores estão sendo formados. Os relacionamentos e as atividades nos quais investem como irmãos da Ordem Templária forjam uma base para uma vida por meio de Cristo.
Os Templários dão ênfase especial ao serviço à paróquia. Seu diretor executivo, Mark Pica, é um jovem comprometido e eloquente. E seus materiais são excelentes, notadamente Templars: A Pocket Guide to Christian Masculinity e Templars: Rule of the Order, ambos disponíveis aqui. Os Templários contam com o firme apoio do bispo James Wall de Gallup, Novo México, e de vários párocos em todo o país.
«A condição masculina, irmãos», para repetir o que disse certa vez um grande pastor, «é uma questão de biologia. Simplesmente acontece. A masculinidade precisa ser aprendida, conquistada e ensinada». Os Templários não é o único caminho para recuperar uma masculinidade cristã saudável. Mas é uma resposta impressionante a uma necessidade crescente. Merece nossas orações, encorajamento e uma atenção muito mais ampla por parte dos católicos que se preocupam com o futuro de nossa Igreja.
Sobre o autor
Francis X. Maier é membro sênior em estudos católicos no Ethics and Public Policy Center. É o autor de True Confessions: Voices of Faith from a Life in the Church.