Por Michael Pakaluk
Os católicos que, por vezes, se preocupam porque a Igreja já não é suficientemente audaz na sua pregação do Evangelho podem, pelo menos, encontrar algum consolo nos seus edifícios. Os edifícios sagrados permanecem de pé durante muito tempo e perpetuam as convicções das pessoas mais audazes que nos precederam, a menos que sejam destruídos pelo fogo ou, num caso interessante, bloqueados.
Vêm-me à mente dois exemplos. O primeiro é a igreja de São Paulo em Cambridge, Massachusetts, que o site da paróquia, na sua resenha histórica, descreve como situada deliberadamente num «ambiente agressivo junto a uma universidade secular em expansão».
O folheto sobre a construção e o design da igreja, «St. Paul Church, Cambridge, Mass. – Description, Exterior and Interior», escrito pelo seu primeiro pároco, o padre John J. Ryan, começa com um comentário do então cardeal de Boston, William Henry O’Connell: «O edifício que descreve, padre Ryan, é um livro de pedra, e deve ser levado à imprensa».
A pedra fundamental desta igreja de beleza requintada, projetada por Edward T.P. Graham, graduado de Harvard e paroquiano, foi colocada em 1916. A sua construção, atrasada pela Grande Guerra, foi concluída em 1923.

O folheto do padre Ryan descreve a igreja como situada «no topo da “Costa de Ouro”, termo dado à rua onde ficam os esplêndidos dormitórios dos supostamente ricos estudantes de Harvard». Refere-se ao Wigglesworth Hall na avenida Massachusetts.
Quanto a este «livro de pedra», comenta:
A igreja de São Paulo é a expressão formal de uma crença incondicional na religião revelada e na Divindade de Cristo. Ao olhar para o friso, esta fé é exposta pelo Anjo da Revelação que segura uma cruz; para a cruz olham os antigos em busca da salvação que será o dom da cruz; e, em contraponto, podem ver-se os cristãos que também consideram a cruz como fonte de salvação e de todo o bem espiritual. O tímpano exibe um belo busto em baixo-relevo de São Paulo, o intérprete da lei antiga e da lei nova, com o dedo posto sobre o texto e a página mantida aberta pela espada empunhada na sua mão esquerda. O texto está gravado na borda do tímpano e diz: «A igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade». (I Timóteo, Capítulo III). A citação de São Paulo, o padroeiro da igreja, é a chave para a compreensão completa de tudo o que há dentro e fora deste templo de Deus.
O versículo sobre a verdade confronta diretamente a Universidade de Harvard com o seu então novo lema Veritas. Digo «novo» porque, ao que parece, desde pouco depois da fundação de Harvard até cerca de 1880, entendia-se que o seu lema era uma expressão religiosa: fosse In Christi Gloriam («para a glória de Cristo») ou Christo et Ecclesiae («para Cristo e a sua Igreja»). Mas no século XIX descobriu-se «Veritas» em registos antigos e passou a suplantar as formulações anteriores (embora também se tenham utilizado formas combinadas).
Quando o padre Ryan colocou «coluna e fundamento da verdade» sobre a porta de São Paulo, Harvard já há uma geração que proclamava a «verdade» sem Cristo e sem a Igreja. A inscrição responde: a verdade precisa de um pilar, mesmo para uma universidade.
Os leitores que tenham visitado São Paulo ficarão surpreendidos ao saber que, quando a igreja foi planeada, se entendia que estava orientada diretamente para a universidade, dando testemunho da verdade católica de uma forma bastante audaz. Será que o edifício não está, antes, escondido atrás de um alto edifício de apartamentos (Longfellow Court)?
Na realidade, esse edifício foi erguido pouco depois de ter começado a construção da igreja e foi concluído em 1930. Ouvi habitantes locais da velha guarda referirem-se a esses apartamentos como o «bloco do rancor». Se o rancor era a intenção, a própria arquitetura é como um cerco e um contracerco medieval. Impôs-se um bloco de betão para tapar esse «livro de pedra».
O outro grande exemplo é a Catedral de Santa Maria Madalena em Salt Lake City, construída aproximadamente na mesma época que São Paulo (1900-1909) e consagrada pelo cardeal James Gibbons de Baltimore. Ergue-se sobre uma colina ao longo de South Temple, a um quilómetro da Praça do Templo mórmon. Na parede do seu transepto traz um ensinamento de São Paulo, dirigido a quem sustenta que o anjo Moroni entregou um novo Livro de Mórmon: «Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, seja anátema!». (Gálatas 1:8).
Mas se esta catedral é um livro de pedra, é um livro ilustrado, que ensina a verdade através da sua beleza. O seu exterior é românico, construído com uma quente arenito cor-de-rosa do Utah. O seu interior é gótico: abobadado, colorido e banhado pela luz dos vitrais de Munique. O seu interior original, que era de um branco liso, transformou-se através de sucessivas melhorias em algo próximo de um manuscrito iluminado medieval em três dimensões: murais pintados que cobrem as paredes e os tetos; toques de cor por toda a parte; um retábulo gótico espanhol entalhado; e um altar e uma pia batismal de ónix de Carrara com mosaicos de vidro. As estações da Via Sacra pintadas pelo artista do Utah, Roger Wilson, ladeiam a nave.
Qualquer pessoa pode entrar no edifício, maravilhar-se com a sua beleza, traçar uma comparação com o Templo e emitir um juízo.
Estas gerações que nos precederam não «construíram melhor do que sabiam» (a afirmação de Emerson em «O Problema»): construíram o que sabiam, enquanto nós construímos pior do que sabemos.
Será exagerado dizer que estes católicos sólidos eram também muito romanos na sua forma de construir igrejas? A famosa colunata de Bernini para São Pedro foi controversa na sua época: poderiam os protestantes difamar os católicos por gastarem dinheiro em pompa em vez de o darem aos pobres? Ele foi insistente:
Visto que a Igreja de São Pedro é, por assim dizer, a mãe de todas as outras, deve ter um pórtico que expresse precisamente o facto de que ela, com os braços maternalmente abertos, recebe os católicos para os confirmar na sua fé, os hereges para os reunir à Igreja e os infiéis para os iluminar na verdadeira fé.
Estes católicos construíram com audácia e beleza porque construíram com Pedro, mantendo-se firmes sobre a Rocha e confiados na verdade.
Sobre o autor
Michael Pakaluk, especialista em Aristóteles e ordinário da Academia Pontifícia de Santo Tomás de Aquino, é professor de Economia Política na Escola de Negócios Busch da Universidade Católica da América. Vive em Hyattsville, Maryland, com a sua esposa Catherine, também professora na Escola Busch, e os seus filhos. A sua coleção de ensaios, The Shock of Holiness (Ignatius Press), já está disponível. O seu livro sobre a amizade cristã, The Company We Keep, já está disponível na Scepter Press. Foi colaborador de Natural Law: Five Views, publicado pela Zondervan em maio passado, e o seu livro mais recente sobre os Evangelhos foi publicado pela Regnery Gateway em março, Be Good Bankers: The Economic Interpretation of Matthew’s Gospel. Pode segui-lo no Substack em Michael Pakaluk.