O ex-bispo caldeu de São Pedro Apóstolo de San Diego, Emanuel Shaleta, irá a julgamento na Califórnia, Estados Unidos, acusado de 16 crimes graves de desvio de fundos e lavagem de dinheiro relacionados com fundos da Igreja. Um juiz determinou, após uma audiência preliminar de dois dias, que existem elementos suficientes para que o processo penal continue.
Shaleta, que rejeitou as acusações e se declarou inocente de todas as acusações em março, poderá enfrentar até 15 anos de prisão se for finalmente declarado culpado.
Durante a audiência realizada num tribunal de El Cajon, no condado de San Diego, depuseram funcionários e responsáveis financeiros da catedral caldeia de São Pedro. Os testemunhos centraram-se especialmente na gestão das receitas provenientes do aluguer do salão social da catedral.
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Pagamentos mensais de quase 34.000 dólares em dinheiro
O responsável pelo salão declarou que até março de 2024 pagava por cheque um aluguer mensal de 33.990 dólares, mas que depois recebeu instruções para começar a entregar o dinheiro em numerário.
A responsável administrativa da catedral declarou, por sua vez, que foi Shaleta quem lhe indicou que solicitasse os pagamentos dessa forma. Segundo o seu testemunho, quando perguntou o motivo, o então bispo respondeu que precisavam do dinheiro «para os necessitados no Iraque».
A funcionária afirmou que entregou diretamente a Shaleta esses pagamentos e que o sistema se manteve durante aproximadamente seis meses.
Segundo os testemunhos recolhidos durante a audiência, os alugueres deviam ser depositados normalmente numa conta destinada às obras da igreja. Shaleta teria emitido posteriormente cheques por quantias equivalentes a partir de outra conta destinada a ajudar pessoas necessitadas para repor esses fundos.
Um membro do comité financeiro declarou que as normas da instituição exigiam duas assinaturas para esse tipo de operações. Os cheques examinados durante o procedimento, no entanto, teriam sido assinados apenas por Shaleta.
A responsável administrativa assegurou que, após vários meses, informou da situação a membros do comité financeiro.
Centenas de milhares de dólares sob investigação
As suspeitas sobre a gestão económica do então bispo surgiram depois de terem sido detetadas discrepâncias nas contas da eparquia e da catedral.
A investigação penal sustenta que Shaleta teria recebido pessoalmente quantias importantes de dinheiro em numerário provenientes dos alugueres e de outros conceitos ligados à atividade eclesial. Quando lhe foi pedido que justificasse o destino do dinheiro, afirmou que tinha sido entregue a pessoas necessitadas no Iraque, mas os investigadores sustentam que não apresentou documentação que comprovasse esses desembolsos.
As autoridades cifraram inicialmente em cerca de 272.000 dólares o dinheiro alegadamente desviado relacionado com os alugueres. A documentação da investigação também assinalou discrepâncias de mais de 400.000 dólares numa conta destinada a ajudar pessoas necessitadas.
Shaleta tem mantido desde o início do procedimento que não se apropriou de fundos da Igreja e sustenta que as acusações são falsas.
Detido em março no aeroporto de San Diego
O prelado foi detido no passado 5 de março no Aeroporto Internacional de San Diego quando se preparava para abandonar os Estados Unidos. Nesse momento levava consigo mais de 9.000 dólares em numerário.
Após permanecer vários dias detido, ficou em liberdade depois de depositar uma fiança de 125.000 dólares. O tribunal ordenou que permanecesse sob vigilância por GPS e retirou-lhe o passaporte enquanto o procedimento continuar.
Leão XIV aceitou posteriormente a sua renúncia ao governo da Eparquia caldeia de São Pedro Apóstolo de San Diego. Shaleta tinha apresentado a sua demissão no início do ano, no meio de uma investigação canónica sobre a sua gestão.
O ex-bispo continua a defender a sua inocência. Concluída agora a audiência preliminar, o procedimento avançará para a fase de julgamento pelos 16 crimes de desvio de fundos e lavagem de dinheiro que pesam sobre ele.