Por Joseph R. Wood
Nos Federalist Papers, John Jay, James Madison e Alexander Hamilton argumentaram que, embora a nova Constituição fosse imperfeita — como o são todas as leis fundamentais —, oferecia a perspectiva de prevenir a tirania e assegurar a unidade do país. A perspectiva, no entanto, era incerta, como em todos os assuntos humanos.
Esperavam que a união perdurasse, mas pareciam compreender que todos os sistemas políticos acabam por fracassar, uma lição dos antigos pensadores políticos que observaram nas comunidades políticas uma tendência para a corrupção, a decadência e a queda final, por vezes seguida de uma renovação, por vezes não. Essa tendência era especialmente acentuada nas democracias, que Aristóteles considerava uma forma desviada de governo.
Os Fundadores partilhavam esse ceticismo e propuseram uma república com diferentes elementos de governo, alguns aristocráticos e outros amplamente inclusivos. Este era o tipo de “regime misto” que Aristóteles considerava o melhor disponível na maioria das situações.
Mas mesmo com esse peso da filosofia e da história atrás deles, Jay escreveu:
Desejo sinceramente que todo bom cidadão preveja com clareza que, sempre que chegar a dissolução da União, os Estados Unidos terão motivos para exclamar, nas palavras do poeta: “ADEUS! UM LONGO ADEUS A TODA A MINHA GRANDEZA!”. (Federalist 2)
A citação é de Henrique VIII de Shakespeare, as palavras do cardeal Wolsey, cuja destacada carreira política terminava em lágrimas.
Este verão fiz uma viagem de carro que atravessou o país, a qual começou na igreja St. Mary, Star of the Sea em Ocean City, Maryland, a poucos passos do oceano Atlântico, e terminou na igreja St. Mary, Star of the Sea em Oceanside, Califórnia, a poucos passos do oceano Pacífico.
Chamou-me a atenção mais uma vez durante a viagem tanto a beleza natural do país como as conquistas humanas e materiais que permitiu o sistema político idealizado pelos Fundadores. Nenhuma das duas coisas foi uma surpresa, mas vê-las novamente foi maravilhoso.
As divisões políticas no país são profundas e brotam de diferenças teológicas e filosóficas irreconciliáveis sobre os verdadeiros fins da vida humana, e sobre se existe uma ordem moral que nós mesmos não criamos, mas que devemos tentar compreender e seguir.
Não fui capaz de discernir nesta viagem se chegou o momento que Jay imaginou, quando olharmos para trás para a grandeza dos Estados Unidos como algo do passado.
Mas uma coisa está clara. Como escreveu o padre Stanley Jaki, quando sopram as “tempestades de destruição moral”, a Igreja é na realidade um arquipélago de ilhas de santidade e verdade mais do que um todo continental. Os santos sustentam estas ilhas ao longo dos séculos, mesmo quando as suas localizações mudam em meio às contingências da história.
Referia-se à Europa, o seu próprio local de nascimento. Mas desde as igrejas dos EUA nas costas e a cada poucas milhas entre elas, até às abadias nos Ozarks e nas montanhas da Califórnia, passando pelos mosteiros ortodoxos nos Apalaches da Virgínia Ocidental e no deserto do Arizona, há ilhas silenciosamente prósperas desse arquipélago nos Estados Unidos hoje. Estes lugares muitas vezes atraem comunidades intencionais de leigos à sua volta. Partilham verdades que remontam muito além dos 250 anos, ao princípio dos tempos e antes. Ao contrário dos acordos políticos, essas verdades perdurarão até que o tempo termine, e para além disso.
Sobre o autor:
Joseph Wood é professor assistente colegial na Escola de Filosofia da Universidade Católica da América. É um filósofo peregrino e um eremita de fácil acesso.