Argüello apoia a regularização de imigrantes e reitera que o Vale dos Caídos deve manter a sua condição de basílica

Argüello apoia a regularização de imigrantes e reitera que o Vale dos Caídos deve manter a sua condição de basílica

O presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) e arcebispo de Valladolid, monsenhor Luis Argüello, defendeu a regularização administrativa dos imigrantes que já residem em Espanha e reiterou que a prioridade da Igreja em relação ao Vale dos Caídos é preservar a sua condição de abadia e basílica pontifícia. Assim o manifestou na segunda parte da extensa entrevista concedida a Javier Arias para Religión Confidencial, realizada por ocasião do balanço do primeiro ano da sua presidência à frente da Conferência Episcopal Espanhola.

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«Não há dúvida de que é positivo que tenha ocorrido essa regularização»

Argüello situou a posição da Igreja sobre imigração num quadro mais amplo do que a regularização administrativa. «Temos falado sempre do direito dos imigrantes a não sair da sua terra, a analisar as causas das migrações, a combater as máfias e depois a abordar o facto dos que já estão aqui», afirmou.

Sobre a regularização extraordinária de imigrantes, explicou que a iniciativa respondia a uma realidade constatada por paróquias e Cáritas: pessoas que viviam há anos em Espanha, muitas delas trabalhando na economia informal e com os seus filhos já escolarizados.

«Não há dúvida de que é positivo que tenha ocorrido essa regularização», sustentou, ao considerar que permitirá a muitos imigrantes aceder a um contrato de trabalho, contribuir para a Segurança Social e deixar para trás o emprego irregular.

Não obstante, também alertou para as possíveis consequências deste tipo de medidas se não estiverem enquadradas numa política migratória comum. «É certo que, se isto não for feito de acordo com a União Europeia e tendo em conta outras possibilidades, pode provocar efeitos indesejados», assinalou.

O presidente da CEE acrescentou que «a questão de um grande debate nacional europeu sobre as migrações continua pendente» e recordou que a descida da natalidade constitui outro dos fatores que devem ser tidos em conta neste debate.

«Queremos que o Vale dos Caídos continue a ser abadia e basílica»

Questionado sobre as críticas de quem considera que a Igreja poderia ter feito mais para defender o Vale dos Caídos, Argüello respondeu que «sempre é possível fazer mais», embora tenha insistido na posição mantida pela Igreja.

«O que nós quisemos, e reitero, é que o Vale dos Caídos continue a ser abadia e basílica, que a Cruz seja esse sinal de uma Vítima e que sirva para a reconciliação de todos», afirmou.

O arcebispo explicou que a Igreja continua a defender «a independência e o respeito à basílica como tal» e acrescentou: «Nisso está a Santa Sé, me consta, e nisso está o cardeal de Madrid».

Da mesma forma, recordou que o Vale alberga uma basílica pontifícia, pelo que qualquer eventual acordo deverá contar com a aprovação de Roma. «Por ser basílica pontifícia, é a Santa Sé quem terá de validar se se chegar a algum tipo de acordo», indicou.

Argüello também fez referência às diferentes sensibilidades existentes em torno do monumento. «Há posições de defesa do Vale que, defendendo o Vale de forma intransigente, pensam que qualquer tipo de ação ou intervenção vai supor uma ofensa», comentou, antes de reiterar que «a Cruz insta constantemente a um olhar de reconciliação».

Outros assuntos

Durante a entrevista, Argüello classificou de «contraditória» a proposta de revogar o crime de ofensas aos sentimentos religiosos, criticou o que definiu como um «confessionalismo antropológico» do Estado em relação às chamadas terapias de conversão e explicou que a Santa Sé deixou liberdade de atuação aos bispos espanhóis para alcançar o acordo com o Governo sobre a reparação das vítimas de abusos sexuais no âmbito eclesial.

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