A ex-deputada britânica Ann Widdecombe, uma das figuras políticas mais conhecidas do Reino Unido e convertida ao catolicismo desde 1993, faleceu aos 78 anos em sua residência em Haytor, no condado inglês de Devon. A Polícia de Devon e Cornualles confirmou que investiga sua morte como homicídio e deteve um homem britânico de 26 anos em relação ao caso.
Os serviços de emergência atenderam à residência de Widdecombe por volta das 11h40 da quinta-feira, 9 de julho, após receberem um alerta do serviço de ambulâncias. Ao chegarem, encontraram a ex-parlamentar sem vida no interior do imóvel. Segundo informou a Polícia, o corpo apresentava ferimentos graves, pelo que foi aberta uma investigação por homicídio.
Em uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, o subdiretor da Polícia de Devon e Cornualles, Matt Longman, confirmou que o suspeito foi detido durante a tarde em uma residência em Newton Abbot, também em Devon.
Longman indicou que, por enquanto, a investigação não é considerada um caso de terrorismo e que não há indícios que apontem para uma motivação política. No entanto, precisou que os investigadores mantêm abertas todas as linhas de investigação e que ainda é cedo demais para determinar se o detido conhecia pessoalmente a vítima.
A Polícia mantém a residência isolada enquanto continuam as inspeções forenses e solicitou a colaboração da população para esclarecer os fatos, disponibilizando um canal específico para receber informações.
Mais de duas décadas no Parlamento britânico
Ann Widdecombe desenvolveu grande parte de sua carreira política no Partido Conservador, pelo qual foi deputada entre 1987 e 2010 na circunscrição de Maidstone. Após deixar a Câmara dos Comuns, participou de diversos programas de televisão e, anos depois, retornou à política como eurodeputada do Partido do Brexit, posteriormente integrado ao Reform UK, onde atuou como porta-voz em matéria de imigração e justiça.
Após ser conhecida sua morte, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou a notícia como «impactante» e evitou especular sobre os possíveis motivos do crime enquanto a investigação segue em andamento.
Por sua vez, a líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, expressou sua consternação pelo ocorrido e transmitiu suas condolências à família da ex-deputada, classificando o ataque como «horrível».
Sua entrada na Igreja católica
Widdecombe ingressou na Igreja católica em 1993, depois que a Comunhão Anglicana aprovou a ordenação de mulheres ao sacerdócio. A partir de então, defendeu publicamente diversas posições alinhadas com a doutrina católica, especialmente em matéria de defesa da vida.
Em uma entrevista concedida à EWTN em setembro de 2025, explicou que um dos motivos que a levaram à conversão foi a clareza doutrinal que encontrava na Igreja católica. «A grande vantagem do catolicismo é que não faz concessões: algo é verdadeiro ou falso; está certo ou errado; é pecado ou não é», afirmou na ocasião.
A investigação sobre as circunstâncias de sua morte permanece aberta e as autoridades não forneceram, por enquanto, mais informações sobre o possível motivo do crime nem sobre a relação que pudesse existir entre o detido e a vítima.