A Cristiada chega em quadrinhos

A Cristiada chega em quadrinhos

No âmbito da comemoração dos cem anos do início da Guerra Cristera, o Centro Católico Multimedial apresenta Cristiada, uma história em quadrinhos do padre Omar Sotelo Aguilar, SSP, diretor do organismo. A obra não se limita a relatar um episódio difícil da história, a perseguição religiosa sob o governo de Plutarco Elías Calles e o levante popular que respondeu com o grito de “¡Viva Cristo Rey!”, mas se propõe como material catequético acessível tanto para crianças quanto para adultos. Seu propósito é resgatar o fortalecimento da identidade e torná-lo próximo às novas gerações por meio da linguagem visual dos quadrinhos e recursos multimídia que permitem interagir com as cenas.

O padre Sotelo Aguilar, sacerdote da Sociedade de São Paulo e jornalista de longa trajetória, afirmou em entrevista que a Cristiada constitui “um momento doloroso de nossa fé no México”, do qual pode ser resgatado “o fortalecimento da identidade cristã de todo um povo”. Precisamos, acrescenta, “fortalecer nossa identidade cristã, nossa fé em Cristo Rei e em nossa Santíssima Mãe, a Virgem de Guadalupe”. Esse é precisamente o contributo que este material busca oferecer. Em um contexto em que o episódio tem sido frequentemente silenciado ou relegado na memória oficial, o formato de história em quadrinhos permite aproximar os fatos, a suspensão do culto, a resistência de camponeses, mulheres e jovens, o papel da Liga Nacional para a Defesa da Liberdade Religiosa e o sacrifício daqueles que a Igreja reconhece como mártires, tornando-o atraente para jovens e adultos.

Um dos aspectos que o próprio autor destaca é o caráter quase “artesanal” da obra. Cristiada não é fruto de inteligência artificial nem de outras ferramentas digitais automatizadas. Trata-se de uma produção original na qual a história foi criada desde as vinhetas até o último detalhe, toda em cores e com uma execução visual cuidadosa. A realização da arte coube a Ricardo Vázquez, colaborador do Centro Católico Multimedial, o que ressalta o trabalho dedicado de cada página. Esta opção responde à convicção de que, embora a elaboração de quadrinhos e propostas animadas seja trabalhosa e nem sempre econômica, constitui um veículo eficaz para transmitir a fé e a memória às novas gerações.

O quadrinho narra o confronto entre o governo callesista e as milícias católicas que se levantaram para defender a liberdade religiosa diante das leis que buscavam limitar o poder da Igreja. O tom acessível procura fortalecer a identidade cristã e lembrar que a fé é uma realidade pela qual um povo esteve disposto a dar a vida. Além de seu valor como relato histórico, a obra é concebida como instrumento de catequese, pensado para que famílias e comunidades possam dialogar sobre um capítulo que marcou profundamente a vida da Igreja no México.

Cristiada não se limita apenas ao formato físico. Incorpora diversos códigos QR que direcionam o leitor a material audiovisual, permitindo interagir com cenas do quadrinho e enriquecer a leitura com conteúdos complementares.

Cristiada apresenta-se ainda como complemento de Milagre no Tepeyac, o primeiro quadrinho do Centro Católico Multimedial, baseado no Nican Mopohua. Aquela relata as aparições da Virgem de Guadalupe por meio do olhar de duas crianças, Rosita e Juancho, que no dia 12 de dezembro acompanham seus pais na peregrinação à Basílica e encontram Juan Diego, que lhes narra o milagre. Também híbrida e com códigos QR que permitem visualizar cenas como o diálogo da Virgem com Juan Diego ou a conversa com o tio Bernardino,

Do Centro Católico Multimedial, onde se incursiona na produção multimídia com recursos limitados mas com esperança, reconhece-se que o trabalho é árduo e que apenas se está começando. Além do valor histórico, ambos os quadrinhos são oferecidos como instrumentos para o diálogo intergeracional e a catequese familiar.

O padre Omar Sotelo Aguilar convida os leitores a adquirir Cristiada e Milagre no Tepeyac por meio do site do Centro Católico Multimedial. Ambos constituem um esforço concreto para colocar ao alcance das famílias materiais que combinam rigor histórico, apelo visual, produção artesanal e recursos digitais, a serviço da memória e da catequese. Adquirir estas obras é, nesse sentido, um gesto simples de memória e de fé compartilhada.

A entrevista completa pode ser vista aqui:

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