A ciência não deve impor nenhuma filosofia, como um telefone não deve nos dizer sobre o que devemos falar

A ciência não deve impor nenhuma filosofia, como um telefone não deve nos dizer sobre o que devemos falar

Pe. José Juan Sánchez Jácome / ACN.- Com o início do ano letivo, as principais cidades do Estado enriquecem-se com a presença de tantos jovens que chegam de diferentes povoados e comunidades para continuar seus estudos profissionais.

Na maioria dos casos, trata-se de jovens provenientes de famílias cristãs, com uma importante experiência de Igreja. Esses jovens cresceram em uma cultura católica, tendo como ponto de referência os diversos valores evangélicos. De fato, uma das primeiras preocupações ao mudarem de casa — para continuar seus estudos — é inserir-se na vida de uma paróquia ou conhecer os diferentes grupos da Igreja para continuar sua formação cristã.

Além do desafio que representa para esses jovens adaptar-se ao modelo de vida imposto pelas grandes cidades, um dos principais desafios que enfrentam está relacionado às questões sobre sua fé e suas bases religiosas.

No caso das tradições e de sua vida de fé, muitas vezes seus valores e hábitos são questionados no ambiente acadêmico, e não necessariamente por uma metodologia científica, mas por preconceitos pessoais, visões ideológicas e arroubos jacobinos que desqualificam de diversas maneiras o fato religioso.

É claro que a religião também deve passar pela análise científica e pela discussão metodológica, mas é necessário que o método racional aplicado na universidade e nos centros de ensino não seja rebaixado quando se tratam temas de religião ou quando se critica a vida da Igreja, pois muitas vezes se fala muito abaixo do status científico que, sobretudo, deve garantir o mundo universitário.

Agora que desejamos que os jovens mantenham seus valores e convicções, é preciso salvaguardar os valores incutidos pela religião e a formação com enfoque humanista que as famílias ofereceram a seus filhos. Em muitas ocasiões, e como produto de preconceitos e ideologias, arrancam-se desses jovens seus valores, mas não se lhes incutem bases sólidas com as quais possam enfrentar os desafios atuais.

Na universidade e nos reconhecidos centros de ensino, a discussão sobre temas religiosos não pode ser feita abaixo do nível científico esperado. Quando se parte de um estatuto científico, a discussão de temas religiosos torna-se até mesmo apaixonante, mas quando a crítica e a desqualificação da religião procedem de preconceitos pessoais e ideologias, corremos o risco de desfigurar o método científico, que é um dos principais fundamentos do mundo acadêmico e universitário.

O Estado laico, além da solidez de suas instituições e da orientação de suas leis, também requer cidadãos leais, responsáveis e honestos que comunguem com os princípios que inspiram esta grande nação. A religião fortalece a formação das pessoas, bem como sua solidez e a projeção de seus valores. Por isso, esperamos que as instituições de ensino considerem como uma fortaleza as convicções religiosas dos jovens.

Dizia Chesterton que: “A ciência não deve impor nenhuma filosofia, como um telefone não deve dizer-nos de que devemos falar”. Neste caso, nem a universidade nem o Estado devem impor uma visão antirreligiosa, muito menos nestes tempos de emergências sociais, crises e descomposição social.

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