Rabat já tem administrador apostólico enquanto se investiga o cardeal López Romero

Rabat já tem administrador apostólico enquanto se investiga o cardeal López Romero

A Arquidiocese de Rabat já conta com um administrador apostólico enquanto prossegue a investigação preliminar aberta contra o cardeal Cristóbal López Romero pelas acusações de supostos abusos sexuais e conduta inadequada formuladas por cinco mulheres adultas. A decisão, no entanto, não foi anunciada pela Santa Sé através do Bollettino, o canal habitual para comunicar este tipo de nomeações.

A nomeação foi dada a conhecer pelos Missionários Oblatos de Maria Imaculada (OMI), congregação à qual pertence monsenhor Mario León Dorado, e posteriormente confirmada pela ACI Prensa, que assegura ter tido acesso ao decreto remetido pela Nunciatura Apostólica em Marrocos mediante uma carta assinada pelo núncio apostólico, monsenhor Alfred Xuereb, com data de 1 de agosto. No seu comunicado, os Oblatos anunciaram que «a Santa Sé nomeou monsenhor Mario León Dorado, OMI, administrador apostólico da Arquidiocese de Rabat, Marrocos» e indicaram que exercerá esta responsabilidade «em comunhão com a Santa Sé e a seu critério».

Governará a arquidiocese enquanto durar a investigação

A figura do administrador apostólico sede plena é utilizada quando o bispo titular permanece à frente de uma diocese, mas não pode exercer temporariamente o governo pastoral. Nestas circunstâncias, a Santa Sé confia a administração ordinária da diocese a outro bispo ou sacerdote até que se resolva a situação que motivou a medida.

Deste modo, o cardeal Cristóbal López Romero conserva o título de arcebispo de Rabat, mas deixa de exercer as faculdades de governo, que passam provisoriamente para monsenhor Mario León Dorado.

López Romero afastou-se do ministério público

No início de julho, o cardeal anunciou que se retirava temporariamente de toda a atividade pública e pastoral após a abertura de uma investigação preliminar por parte da Santa Sé. As acusações, reveladas pela agência AFP, referem-se a supostos comportamentos inadequados com mulheres adultas ocorridos entre 2009 e 2024 em Marrocos e noutros países onde desenvolveu o seu ministério.

Num comunicado divulgado então, López Romero defendeu a sua inocência e assegurou a sua plena colaboração com a investigação. «Não cometi nenhuma agressão, nem violência nem assédio sexual», afirmou, explicando que tinha decidido dar «um passo atrás» para não interferir no desenvolvimento do processo.

Um missionário com longa experiência no norte de África

Monsenhor Mario León Dorado pertence aos Missionários Oblatos de Maria Imaculada e atualmente é prefeito apostólico de Laayún-Sáara, no Sara Ocidental.

Ordenado sacerdote em 2001, desenvolve o seu trabalho missionário no norte de África há cerca de vinte e cinco anos. De forma provisória, assumirá agora o governo da Arquidiocese de Rabat até que a Santa Sé conclua a investigação sobre o cardeal López Romero e adote uma decisão definitiva sobre a sua situação.

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