A FSSPX apresenta os escudos e lemas dos quatro sacerdotes que serão consagrados bispos em Écône

A FSSPX apresenta os escudos e lemas dos quatro sacerdotes que serão consagrados bispos em Écône

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) tornou públicos os brasões e lemas episcopais dos quatro sacerdotes que receberão o episcopado. Longe de se limitar a apresentar as suas armas heráldicas, a Casa Geral acompanha cada brasão com uma explicação detalhada do seu simbolismo, mostrando como cada futuro bispo quis sintetizar nele a sua espiritualidade, o seu programa pastoral e alguns aspetos da sua história pessoal.

Padre Pascal Schreiber: a fidelidade à Cruz

Segundo explica a Fraternidade, o brasão de Mons. Pascal Schreiber está dividido em quatro quartéis, seguindo uma antiga tradição heráldica dos países de língua alemã. Neles aparecem referências tanto à sua história pessoal como ao seu ministério episcopal.

O primeiro quartel reproduz o rosto triunfante de Cristo Rei segundo a célebre visão de São Nicolau de Flüe, padroeiro da Suíça e santo que, segundo a explicação publicada, esteve na origem da vocação sacerdotal do futuro bispo. O rosto aparece rodeado por seis raios que simbolizam a omnisciência e a sabedoria divina, bem como o caminho do crente para o conhecimento de Deus.

Os dois quartéis centrais incorporam o brasão da família Schreiber: um leão rampante que segura uma pena, símbolo tradicional de fortaleza e realeza, mas também uma alusão ao significado do apelido («escritor»). O quarto quartel mostra uma estrela de oito pontas, que a FSSPX interpreta como uma referência tanto a Cristo —«a estrela resplandecente da manhã»— como à Virgem Maria, Stella Maris, além de evocar novamente São Nicolau de Flüe. As cores preto, vermelho e ouro recordam igualmente a Alemanha, país onde se encontra o seminário de Zaitzkofen.

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O lema escolhido, Virgo Fidelis («Virgem fiel»), provém das Ladainhas Lauretanas e expressa a confiança do futuro bispo na fidelidade de Maria. A Fraternidade recorda que esta invocação era especialmente querida por Monsenhor Marcel Lefebvre, que a incorporou nos Estatutos da FSSPX como modelo de fidelidade e unidade para todos os seus membros.

Padre Michael Goldade: a primazia de Cristo Rei

O brasão de Mons. Michael Goldade apresenta um campo azul —cor tradicionalmente associada à Virgem Maria— rodeado por doze espigas de trigo que emolduram um pequeno escudo dourado com o conhecido Coração da Vendée, formado pelos Sagrados Corações de Jesus e Maria coroados pela cruz.

A explicação atribui vários significados às doze espigas. Em primeiro lugar, recordam os estados de Dakota do Norte e Kansas, onde nasceu e cresceu o futuro bispo, ambos destacados produtores de trigo. Também evocam os doze membros da sua família, os doze filhos de Jacob, os doze Apóstolos e os doze cestos recolhidos após a multiplicação dos pães. O trigo aparece, além disso, como símbolo da Eucaristia e do Santo Sacrifício da Missa, «coração da Fraternidade São Pio X».

O pequeno escudo dourado faz referência tanto à divindade de Cristo como ao apelido Goldade, enquanto o Coração da Vendée representa a devoção familiar aos Sagrados Corações e, ao mesmo tempo, o emblema da própria Fraternidade.

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O seu lema, Adeamus cum fiducia («Aproximemo-nos com confiança»), é retirado da Carta aos Hebreus (4,16) e constitui, segundo explica a FSSPX, um ato de absoluta confiança na Virgem Maria como Medianeira de todas as graças e «Trono da graça». A divisa liga-se também ao início da Santa Missa —«Subirei ao altar de Deus»— e à convicção de que todas as graças procedem do sacrifício eucarístico.

Padre Michel Poinsinet de Sivry: a centralidade da Eucaristia

O brasão do sacerdote francês está dividido horizontalmente em duas partes. A superior mostra uma espada cruzada por uma palma, enquanto a inferior reproduz um cisne branco sobre um fundo azul.

Segundo a explicação publicada, a espada representa a luta espiritual da Igreja e a Palavra de Deus, «a espada do Espírito», chamada a combater as máximas do mundo. A palma simboliza a vitória alcançada pelos mártires e por todas as testemunhas da fé. Na parte inferior, o cisne, retirado do brasão familiar, expressa a fidelidade —por manter um único par durante toda a vida— e a pureza, associada à sua plumagem branca.

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O lema, Fides vincit mundum («A fé vence o mundo»), provém da Primeira Carta de São João (5,4). A Fraternidade explica que recorda o triunfo definitivo de Cristo sobre o mundo e a condição militante da Igreja na terra, evocando tanto a imagem agostiniana das «duas cidades» como a dos «dois estandartes» de Santo Inácio de Loyola. A divisa pretende transmitir uma mensagem de esperança em meio às dificuldades que a Igreja atravessa atualmente.

Padre Marc Hanappier: confiança na Providência

O brasão de Mons. Marc Hanappier é presidido pelo Agnus Dei, o Cordeiro Pascal com o estandarte da Ressurreição, do qual brota o sangue que cai sobre um cálice de ouro. O conjunto aparece rodeado por três flores-de-lis sobre fundo azul.

O Cordeiro representa o Cristo glorioso do Apocalipse, vencedor pelo seu sacrifício, cujo sangue é oferecido sacramentalmente no cálice da Missa para a salvação das almas. As três flores-de-lis evocam simultaneamente a realeza de Cristo, a pureza da Virgem Maria e a tradição francesa, aludindo também ao brasão da cidade de Versalhes, onde reside a família Hanappier.

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O lema episcopal, Dignus est Agnus («Digno é o Cordeiro»), é retirado do Apocalipse (5,12). Segundo a Fraternidade, resume a centralidade de Jesus Cristo na história da salvação, no sacerdócio e no Santo Sacrifício da Missa. O texto conclui recordando que só o Cordeiro pode abrir o livro selado da história e que «nada nem ninguém pode considerar-se independente Dele», pois apenas à luz da Cruz se pode compreender o mistério do mal e da redenção.

Um dos últimos passos antes de 1 de julho

A publicação dos brasões e lemas constitui um dos últimos preparativos públicos antes das consagrações episcopais previstas no seminário de Écône. Através destes símbolos, a Fraternidade quis oferecer uma primeira aproximação à espiritualidade e às prioridades pastorais dos quatro sacerdotes que, se não houver qualquer alteração, receberão o episcopado no próximo dia 1 de julho.

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