Estados Unidos será consagrado ao Sagrado Coração de Jesus na véspera do seu 250º aniversário

Estados Unidos será consagrado ao Sagrado Coração de Jesus na véspera do seu 250º aniversário

No âmbito das celebrações pelo 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, os bispos católicos do país realizarão nesta quinta-feira, 11 de junho, uma solene consagração nacional ao Sagrado Coração de Jesus, um gesto espiritual com o qual buscam entregar a nação à misericórdia divina e pedir pela reconciliação, pela paz social e pela renovação da fé.

Uma consagração nacional na véspera da solenidade do Sagrado Coração

A iniciativa, promovida pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), ocorrerá na véspera da solenidade litúrgica do Sagrado Coração de Jesus e coincide com os atos comemorativos do 250º aniversário da assinatura da Declaração de Independência, proclamada em 4 de julho de 1776.

Os bispos convidaram todas as dioceses, paróquias e comunidades católicas do país a se unirem espiritualmente a esta consagração por meio de materiais litúrgicos e pastorais preparados especificamente para a ocasião. Os recursos, publicados em inglês e espanhol, incluem textos do Missal Romano, leituras bíblicas e orações para facilitar a participação dos fiéis.

A oração central da consagração expressa o desejo de que o Coração de Cristo transforme a vida pessoal e social do país. Entre suas petições está a súplica para que «as famílias e comunidades gozem de paz e felicidade», para que «as relações rompidas sejam reconciliadas», se reparem as injustiças e «se curem as feridas de nossa terra».

Nove dias de preparação espiritual

A consagração culmina uma novena nacional realizada entre 3 e 11 de junho, durante a qual os fiéis foram convidados a meditar sobre o significado espiritual da devoção ao Sagrado Coração.

Segundo explicou a conferência episcopal norte-americana, cada dia da novena foi dedicado a refletir sobre ensinamentos de santos, pontífices e autores espirituais que aprofundaram no amor de Cristo manifestado em seu Coração.

A iniciativa buscou unir oração, formação e compromisso cristão em um contexto marcado pelas divisões sociais, pelos desafios culturais e pela crescente secularização que afeta amplos setores da sociedade norte-americana.

Inspirada em Francisco e Leão XIV

A novena preparatória inspirou-se especialmente em dois recentes documentos pontifícios. Por um lado, a encíclica Dilexit nos de Francisco, centrada no amor humano e divino manifestado no Coração de Jesus Cristo. Por outro, a exortação apostólica Dilexi te de Leão XIV, dedicada ao amor preferencial pelos pobres e pelos mais vulneráveis.

Os organizadores destacam que ambos os ensinamentos convergem em um mesmo chamado: redescobrir o amor de Cristo como fundamento da vida cristã e como resposta às fraturas que atravessam as sociedades contemporâneas.

A escolha do Sagrado Coração como eixo desta celebração também não é casual. Trata-se de uma das devoções mais arraigadas na tradição católica e esteve historicamente vinculada a momentos de especial dificuldade para as nações e os povos cristãos.

Trump apoia a consagração nacional

A consagração contou ainda com o apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que divulgou uma mensagem na qual afirmou unir-se em oração junto aos bispos reunidos em Orlando para este ato solene.

O mandatário qualificou a consagração como «um momento poderoso de nossa história nacional» e a enquadrou dentro das celebrações pelo 250º aniversário da independência norte-americana. Segundo Trump, o acontecimento recorda que «os Estados Unidos sempre foram guiados pela mão amorosa de Deus».

Em sua declaração, o presidente evocou as raízes cristãs do país, o papel dos missionários e pioneiros na história da nação e a figura de John Carroll, primeiro bispo católico dos Estados Unidos, que consagrou a jovem república à Virgem Maria após a independência.

Trump também vinculou a cerimônia à defesa da herança espiritual do Ocidente, recordando o papel desempenhado por Ronald Reagan e são João Paulo II na queda do comunismo durante a Guerra Fria. «Hoje renovamos nosso compromisso de defender nossa identidade espiritual e nossa grande herança civilizatória», afirmou.

O presidente concluiu expressando seu desejo de que os Estados Unidos continuem sendo «uma terra de fé, um país de milagres e uma luz para todas as nações».

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