Mons. Oster denuncia a pressão sofrida por se opor a reformas do Caminho Sinodal alemão

Mons. Oster denuncia a pressão sofrida por se opor a reformas do Caminho Sinodal alemão
Stefan Oster, Bischof von Passau, am 18. März 2021 im Innenhof des Bischöflichen Ordinariats in Passau.

O bispo de Passau (Alemanha), monsenhor Stefan Oster, reconheceu publicamente o profundo mal-estar que lhe provocaram as assembleias do Caminho Sinodal alemão, o controverso processo de reformas impulsionado por parte da Igreja na Alemanha. O prelado assegurou ter vivido aquelas reuniões como uma experiência de “estresse emocional” devido às fortes divisões internas e à pressão sofrida por manter posições críticas frente a algumas das propostas majoritárias.

Segundo declarou no podcast Frings fragt! de domradio.de e do Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK), Oster explicou que sofreu especialmente ao constatar que sua postura de consciência contribuía para projetar publicamente a imagem de uma Conferência Episcopal dividida.

“Eu contribuía para isso porque fazia parte daquela minoria que dizia: ‘Não, por aí eu não posso ir’”, confessou o bispo.

O prelado revelou ainda que transmitiu pessoalmente ao Papa sua preocupação e seu sofrimento pela situação interna do episcopado alemão.

“A maior transformação desde a Reforma”

Oster faz parte do reduzido grupo de bispos alemães que durante o Caminho Sinodal expressaram repetidamente reservas ante várias das reformas defendidas pela maioria, especialmente em questões relacionadas com a moral sexual, o poder na Igreja e o sacerdócio.

O bispo afirmou que essa posição lhe acarretou uma forte pressão midiática e eclesial.

“As polarizações se intensificaram”, reconheceu.

Ainda assim, explicou que também recebeu apoio tanto de fiéis como de pessoas próximas à sua sensibilidade eclesial.

Durante a entrevista, Oster sustentou que a Igreja na Alemanha atravessa atualmente “a maior transformação desde a Reforma protestante”, passando de um modelo de Igreja sociológica a outro no qual os católicos deverão ser capazes de explicar pessoalmente o que creem e por que o creem.

Críticas à formação sacerdotal

O bispo de Passau falou também da necessidade de um discernimento mais sério na formação dos futuros sacerdotes.

Segundo assinalou, a experiência demonstrou que a ordenação sacerdotal não corrige automaticamente problemas pessoais ou psicológicos prévios.

“Quem já era estranho no seminário, no final será ainda mais estranho”, afirmou graficamente.

Oster insistiu na importância de selecionar adequadamente aqueles que se preparam para o sacerdócio e de acompanhá-los de forma mais realista e madura.

Transparência ante os abusos

Em outro momento da conversa, o bispo defendeu uma maior transparência na gestão dos casos de abusos sexuais e no manejo das finanças eclesiais.

Ainda assim, precisou que determinados processos delicados requerem também espaços protegidos para facilitar decisões prudentes.

Oster considera que a Igreja alemã está atualmente mais avançada que muitas outras conferências episcopais em matéria de investigação e prevenção de abusos, em parte graças aos importantes recursos econômicos disponíveis.

Como exemplo, mencionou o estudo sobre abusos apresentado recentemente em Passau, cujo custo ascendeu a cerca de 750.000 euros.

O bispo destacou ainda que a Igreja adquiriu na Alemanha uma notável experiência neste âmbito, embora tenha advertido de que ainda restam muitas questões pendentes e que não deve diminuir a atenção para com as vítimas.

Preocupação pela polarização social

Além da situação eclesial, Oster expressou também sua preocupação pelo deterioro do debate público e da cultura democrática no Ocidente.

O bispo defendeu que as democracias ocidentais descansam historicamente sobre a visão judeocristã do ser humano e advertiu do risco de perder esse fundamento.

“Estamos serrando o galho sobre o qual crescemos”, lamentou.

Da mesma forma, criticou a dinâmica midiática atual, marcada —segundo disse— pela busca constante de cliques, a escandalização e a polarização, algo que também afeta em ocasiões os próprios meios católicos.

“A humilhação também faz parte da fé”

Em um tom mais pessoal, Oster recordou também suas experiências como jovem esportista praticando judô, onde aprendeu o valor da humildade através da derrota.

O bispo relacionou essa experiência com a dimensão cristã da humilhação e do sofrimento.

“Isso faz parte do coração mesmo da nossa fé”, afirmou.

Recordando a Paixão de Cristo, Oster sublinhou que também as experiências de fracasso e humilhação fazem parte do caminho de maturação humana e espiritual do cristão.

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