A Igreja centro-americana exige ao regime de Ortega provas sobre o estado de Mons. Abelardo Mata

A Igreja centro-americana exige ao regime de Ortega provas sobre o estado de Mons. Abelardo Mata

Os bispos do Secretariado Episcopal da América Central (SEDAC) solicitaram ao regime nicaraguense de Daniel Ortega e Rosario Murillo que permita o acesso do médico de confiança de Mons. Juan Abelardo Mata, bispo emérito de Estelí, diante da incerteza sobre seu estado de saúde e seu paradeiro. O prelado, de 80 anos, permanece desaparecido desde o final de junho, apesar de as autoridades assegurarem que ele se encontra em sua residência.

Em um comunicado datado de 10 de julho, os bispos expressam sua «preocupação com a saúde de Mons. Juan Abelardo» e pedem «respeitosamente ao Governo da República a permissão para a visita de seu médico e do pessoal que o assiste diariamente, por sua delicada condição de saúde». Mata é diabético, usa marca-passo e sofre de problemas de visão.

Persistem as dúvidas sobre seu paradeiro

O Ministério do Interior da Nicarágua informou no dia 4 de julho que o bispo salesiano foi detido pela Polícia em 29 de junho e libertado no mesmo dia. Segundo a versão oficial, ele foi preso novamente em 30 de junho e posteriormente transferido para sua residência.

No entanto, diversas fontes eclesiais sustentam que ninguém conseguiu comprovar que o bispo permaneça ali. Segundo informaram à ACI Prensa, a residência de Mata, situada em Tisma, no departamento de Masaya, continua cercada por agentes policiais, mas «ninguém viu o bispo nem se sabe onde ele está».

Uma das vozes mais firmes contra a ditadura

Juan Abelardo Mata nasceu em 23 de junho de 1946, professou como salesiano em 1966 e foi ordenado sacerdote em 1976. São João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Manágua em 1988 e, dois anos depois, bispo de Estelí, diocese que governou por mais de três décadas até sua aposentadoria em 2021.

Durante anos foi uma das vozes episcopais mais críticas ao regime de Ortega e Murillo. O ex-embaixador da Nicarágua perante a OEA, Arturo McFields, alertou recentemente que «se não se denunciar com força o que está acontecendo, o regime não hesitaria em induzir a morte do bispo Mata», atribuindo essa possibilidade ao «ressentimento» que, segundo ele, as autoridades mantêm em relação ao prelado por sua firmeza e clareza.

A mensagem de esperança de Mons. Báez

Enquanto continua a incerteza sobre o destino de Mons. Mata, o bispo auxiliar de Manágua no exílio, Mons. Silvio Báez, animou neste domingo os nicaraguenses a não perderem a esperança.

Durante a homilia pronunciada em 12 de julho na paróquia Santa Agatha de Miami, afirmou que, embora a história dos povos possa parecer «estéril e dura» e muitos experimentem a repressão ou o medo, «nem tudo são pedras e espinhos». «A sede de justiça não se apagou e a chama da liberdade continua ardendo», assegurou.

O prelado concluiu afirmando que «Jesus continua semeando a semente da vida, da verdade e da liberdade em nossa história. Esta é a semente do futuro».

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