Pizzaballa recebe a Legião de Honra enquanto alerta para a deterioração da situação dos cristãos na Terra Santa

Pizzaballa recebe a Legião de Honra enquanto alerta para a deterioração da situação dos cristãos na Terra Santa

O cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, recebeu a Legião de Honra da França das mãos do presidente Emmanuel Macron, um reconhecimento pelo seu trabalho em favor do diálogo inter-religioso e da paz. No entanto, durante a sua visita ao Palácio do Eliseu, o purpurado aproveitou a ocasião para alertar sobre a deterioração das condições de vida dos cristãos na Terra Santa e a crescente incerteza que enfrentam as comunidades locais.

A distinção foi concedida numa cerimónia oficial realizada em Paris, onde Macron destacou o compromisso de Pizzaballa com a justiça, a reconciliação e a defesa das populações afetadas pela guerra no Oriente Médio. O presidente francês também reafirmou o «compromisso histórico da França com os cristãos da Terra Santa e o seu apoio à manutenção do statu quo nos lugares santos de Jerusalém».

Uma conversa centrada na realidade da Terra Santa

Após o encontro, o cardeal explicou à ACI MENA que as suas conversas com Macron foram «importantes e diretas» e estiveram centradas principalmente na situação humana e social das comunidades que vivem em Israel e na Palestina.

Segundo relatou, o mandatário francês mostrou um interesse especial em conhecer a situação dos cristãos em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém, bem como a avaliação que a Igreja faz dos acontecimentos que afetam atualmente a região.

Pizzaballa assinalou que a realidade vivida pelos cristãos não pode ser separada da que sofrem os restantes habitantes dos territórios palestinianos. «Os cristãos palestinianos não diferem no seu sofrimento do resto dos palestinianos», afirmou.

Insegurança, crise económica e falta de perspetivas

O patriarca latino descreveu um panorama marcado pela expansão dos assentamentos, pelas dificuldades de acesso às terras e pela persistência de ataques de colonos, tudo num contexto que, segundo denunciou, carece de proteção e segurança insuficientes para a população.

A estas dificuldades soma-se uma situação económica cada vez mais complicada. Os anos de conflito, a redução de oportunidades de emprego e a paralisação de numerosos projetos agravaram a precariedade de muitas famílias.

Esta situação está a provocar que um número crescente de cristãos contemple a emigração como única saída possível, uma tendência que preocupa especialmente a Igreja local pelas suas consequências para a continuidade da presença cristã na terra onde nasceu o cristianismo.

Um apelo aos cristãos do Ocidente

Perante este cenário, Pizzaballa pediu à comunidade internacional e aos cristãos ocidentais que intensifiquem os seus esforços para ajudar as famílias a permanecerem na sua terra.

O patriarca sublinhou a necessidade de criar oportunidades reais de desenvolvimento, fortalecer laços entre comunidades e promover iniciativas que permitam aos cristãos manter as suas raízes na Terra Santa.

Segundo explicou, não basta a solidariedade moral. Também são necessárias ações concretas que favoreçam o emprego, a estabilidade e o futuro das novas gerações.

A Igreja como «ponte de esperança»

Durante as suas declarações, o cardeal insistiu em que a missão da Igreja passa por proclamar a verdade, denunciar as injustiças e recordar constantemente a dignidade de cada pessoa.

«A Igreja tenta ser uma voz que lembre a todos a humanidade do outro», assinalou, destacando que o trabalho pastoral deve ser acompanhado de um compromisso permanente com a justiça e a paz.

Pizzaballa reconheceu que a violência se tornou uma realidade profundamente enraizada na região após gerações de conflito e alertou que superar essa dinâmica exigirá tempo, especialmente perante a ausência de lideranças capazes de olhar para além das divisões atuais.

Apesar disso, assegurou que a Igreja continuará a trabalhar para ser uma «ponte de esperança» numa terra onde a confiança diminui e os receios aumentam a cada dia.

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