Dia 6: Novena ao Sagrado Coração de Jesus

Por: Monsenhor Alberto José González Chaves

Dia 6: Novena ao Sagrado Coração de Jesus

Oração preparatória

Pai eterno, fonte sem fonte de toda vida e de todo amor, que na plenitude dos tempos nos entregaste o teu Filho unigênito para que o mundo tivesse vida por Ele, concede-nos penetrar durante estes dias no mistério inefável do seu Sagrado Coração.

Espírito Santo, Amor subsistente do Pai e do Filho, fogo divino que perscrutas as profundidades de Deus, abre os olhos da nossa alma para que possamos contemplar as riquezas insondáveis encerradas no Coração de Jesus Cristo. Leva-nos àquela fonte de onde brotam a graça, a misericórdia, o perdão e a vida. Faze-nos entrar não só no conhecimento, mas na intimidade desse Coração bendito; não só na sua contemplação, mas na sua amizade; não só na sua admiração, mas no seu amor. Introduz-nos no santuário ardente do Coração de Jesus, para que aprendamos a viver, a sofrer, a esperar e a amar com Ele.

Amém.

Oração ao Coração traspassado na Cruz

Coração do meu Jesus, ao contemplar-te elevado sobre a Cruz descubro o lugar onde o amor de Deus pronunciou a sua palavra definitiva sobre a história humana. Desde aquela altura não falas principalmente com discursos nem com parábolas: falam o Teu sangue, as Tuas chagas, o Teu silêncio. Fala, sobretudo, esse Coração bendito que, depois de ter amado durante toda uma vida terrena, ama até ao extremo.

Nenhuma inteligência humana conseguirá abarcar plenamente o que aconteceu naquela tarde no cimo do Gólgota. Ali encontraram-se a miséria do homem e a misericórdia de Deus; ali abraçaram-se a justiça e a paz; ali o ódio descarregou toda a sua violência e o amor respondeu entregando-se sem reservas. Enquanto o mundo via um condenado que agonizava, o Pai contemplava o Filho que se oferecia livremente pela salvação dos seus irmãos.

A Tua morte não foi uma derrota inesperada nem um acidente trágico da história. Cada passo da Tua vida caminhava para aquela hora. Tinhas vindo precisamente para isso. O Bom Pastor devia entregar a vida pelas ovelhas. O grão de trigo tinha de cair na terra e morrer para dar fruto abundante. O Cordeiro devia ser imolado para que os filhos dispersos de Deus pudessem voltar a reunir-se.

E, no entanto, quando me detenho diante da Cruz, não são somente os grandes mistérios da redenção que comovem a minha alma. Impressiona-me também a imensa solidão que rodeia os Teus últimos momentos. Os gritos da multidão apagam-se pouco a pouco; os discípulos fugiram quase todos; a noite começa a descer sobre Jerusalém. Apenas permanecem junto de Ti algumas figuras silenciosas: Tua Mãe, o discípulo amado, algumas santas mulheres.

Que insondável deve ter sido então o sofrimento do Teu Coração. Conhecias a ingratidão de tantos que tinham recebido os Teus benefícios. Vias a indiferença de gerações futuras que viveriam como se o Teu sacrifício jamais tivesse existido. Contemplavas os pecados de todos os tempos e também os meus. Nada do que haveria de suceder ao longo da história estava oculto ao Teu olhar. E, no entanto, permaneceste: não desceste da Cruz nem retiraste a Tua oferta; não fechaste o Teu Coração. Continuaste a amar.

O Teu amor supera toda medida humana. Nós amamos enquanto somos correspondidos, entregamo-nos enquanto não nos ferem demasiado, perseveramos enquanto as decepções não resultam excessivas. O Teu amor, pelo contrário, atravessou o abandono, a traição, a injustiça, a incompreensão e o sofrimento sem deixar de ser amor. Por isso a Cruz não é unicamente o sinal da Tua dor. É o trono a partir do qual reina a caridade divina.

Quantas vezes olhei as minhas próprias cruzes com rebeldia, perguntei por que determinadas provações entravam na minha vida, desejei um caminho mais fácil, mais cómodo e menos exigente. Mas quando ergo o olhar para Ti compreendo que o sofrimento, sem deixar de ser sofrimento, pode transformar-se num lugar de encontro contigo.

Não porque a dor seja boa em si mesma, mas porque Tu entraste nela e a converteste em instrumento de redenção. Desde então nenhuma lágrima está completamente só. Nenhuma ferida carece de sentido. Nenhuma noite é absolutamente escura. Existe sempre uma Cruz onde o Filho de Deus passou antes de nós.

Ensina-me, Senhor, a olhar o Crucifixo de outra maneira. Que não veja nele um costume herdado nem um simples objeto religioso. Que descubra em cada Crucifixo a prova permanente de quanto vale uma alma aos olhos de Deus: ali está escrito o preço da nossa redenção; ali aparece a medida do amor que me tens.

Quando me assaltar o desânimo, recorda-me a Cruz. Quando me visitar a tentação de pensar que estou só, recorda-me a Cruz. Quando experimentar o peso dos meus pecados, recorda-me a Cruz. Quando o sofrimento de quem amo me resultar incompreensível, recorda-me a Cruz.

E quando chegar para mim a hora de atravessar o último limiar, permite que os meus olhos descansem mais uma vez nesse Coração aberto de onde brotaram sangue e água, sacramentos de vida e fontes inesgotáveis de misericórdia para a Igreja. Ali quero aprender o que significa amar; ali quero depositar as minhas esperanças e os meus temores.

Sagrado Coração de Jesus, em Vós confio!

Oração ao Imaculado Coração de Maria

Imaculado Coração de Maria, obra-prima do Espírito Santo e reflexo puríssimo do Coração do teu Filho, leva-nos a Jesus.

Tu que guardavas todas as suas palavras no teu coração, ensina-nos a escutá-lo. Tu que permaneceste junto à Cruz quando muitos fugiram, ensina-nos a permanecer fiéis. Tu que conheceste como ninguém as alegrias, os silêncios, os sofrimentos e os segredos do Coração de Cristo, introduz-nos na sua intimidade.

Que durante esta novena aprendamos a amá-lo com algo da tua pureza, a servi-lo com algo da tua humildade, a segui-lo com algo da tua fidelidade. E quando termine a nossa peregrinação terrena, conduz-nos até aquele Coração aberto que será para sempre a nossa pátria, o nosso descanso e a nossa bem-aventurança.

Amém.

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