A divulgação de imagens tiradas durante a missa do Domingo de Ramos na paróquia Sagrado Coração de Jesus de Río Grande, na Terra do Fogo (Argentina), provocou uma forte polêmica depois de que vários adolescentes apareceram distribuindo a comunhão aos fiéis utilizando recipientes de plástico para conter as formas consagradas.
As fotografias mostram jovens distribuindo a Eucaristia durante a celebração paroquial do último Domingo de Ramos, mostrando uma preocupante banalização do sacramento da Eucaristia e uma perda do sentido do sagrado dentro da Santa Missa.
Críticas pelo tratamento dado à Eucaristia
Um dos aspectos mais questionados tem sido o uso de recipientes de plástico para conter as formas consagradas, além da participação de menores na distribuição da comunhão.
Cenas desse tipo resultam difíceis de conciliar com a fé da Igreja na Presença Real de Cristo na Eucaristia e transmitem uma visão dessacralizada do sacramento.
A distribuição ordinária da comunhão corresponde a sacerdotes e diáconos, enquanto que os ministros extraordinários da Eucaristia só podem atuar em circunstâncias concretas previstas pelas normas litúrgicas.
Silêncio das autoridades eclesiásticas
Os fatos ocorreram em uma paróquia pertencente à diocese de Río Gallegos, encabeçada por monsenhor Ignacio Medina, e até o momento não se conhecem pronunciamentos públicos nem eventuais medidas disciplinares relacionadas ao episódio.
A ausência de explicações oficiais tem aumentado o mal-estar de numerosos fiéis, que lamentam o que consideram uma crescente tolerância em relação a práticas litúrgicas afastadas da tradição da Igreja.
Um debate litúrgico cada vez mais intenso
O caso se produz além disso em um contexto de crescente discussão dentro da Igreja argentina sobre as normas relacionadas com a recepção da comunhão e o respeito às disposições litúrgicas.
Nos últimos meses surgiram controvérsias em distintas dioceses argentinas sobre restrições ao modo de receber a Eucaristia, especialmente em relação à comunhão na boca.
Segundo diversas informações difundidas em meios católicos argentinos, responsáveis do Dicasterio para o Culto Divino teriam recordado recentemente a alguns bispos do país que os fiéis têm direito a receber a comunhão segundo as formas reconhecidas pela Igreja e que essa liberdade não pode ser restringida arbitrariamente.
Preocupação pela perda do sentido do sagrado
Além do caso concreto de Río Grande, a polêmica voltou a colocar sobre a mesa o debate sobre o modo em que se celebra a liturgia em determinadas paróquias e sobre o respeito devido à Eucaristia.
Muitos fiéis consideram que situações como esta são consequência de anos de improvisação litúrgica e de uma progressiva perda de reverência em relação ao Santíssimo Sacramento.
O episódio reabriu além disso as discussões sobre os limites de determinadas práticas pastorais e sobre a necessidade de recuperar uma maior solenidade e cuidado em tudo o relacionado com a celebração da missa e a distribuição da comunhão.