Uma operação policial em Buenos Aires (Argentina), iniciada para encontrar uma menina violada de 12 anos, revelou os bastidores de um centro médico dedicado habitualmente a realizar abortos.
Tudo começou em Monte Quemado, uma localidade do norte de Santiago del Estero, uma das províncias mais pobres da Argentina. Uma menina de 12 anos havia desaparecido quando estava na semana 32 de gravidez, resultado de um abuso sexual. A Justiça provincial ativou um alerta interprovincial e a investigação recaiu na Superintendência de Delitos Complejos da Polícia Bonaerense, que rastreou a menor até uma clínica do conurbano bonaerense, a mais de mil quilômetros de sua casa.
A menina não havia chegado lá por seus próprios meios. A Fundação CIGESAR, uma ONG sediada no bairro porteño de Palermo e dedicada a facilitar o acesso ao aborto —cujo site se apresenta como especialista em saúde sexual e «(não) reprodutiva»—, organizou e financiou o traslado da menor e de sua mãe. Segundo informaram os meios locais, o fiscal que investigava a violação, Santiago Bridoux, soube de forma extraoficial que o traslado estava em andamento, mas não pôde impedi-lo. Quando tentou contatar a fundação, uma representante mostrou-se «relutante» em falar.
O médico diz que «fez o correto»
O aborto foi realizado na sexta-feira, 24 de abril, por Damián Levy, médico e presidente da CIGESAR, quando o bebê tinha oito meses de gestação. Levy o matou e o jogou no lixo. Dias depois, diante da avalanche informativa, declarou à TN sentir-se «com a firme convicção de ter realizado o correto» e de ter agido com «qualidade, respeito e ética profissional».
8 fetos no lixo
Quando a polícia chegou à clínica, o diretor do estabelecimento negou que a menor estivesse internada. Os investigadores a encontraram já recuperada do procedimento e a mãe declarou que não sabia se seu filho havia sobrevivido.
Ao inspecionar o depósito, encontraram oito fetos no lixo. O Ministério da Saúde da província de Buenos Aires inspecionou a clínica e emitiu seu veredicto: «Tudo estava em ordem». Os bebês mortos, explicaram com frieza, aguardavam ser retirados como «resíduos patológicos» pela empresa de transporte contratada para esse fim.
A prova destruída e os violadores foragidos
A morte do bebê, avalizada pela lei do aborto desde 2020 na Argentina, sim teve uma consequência judicial. O DNA era a prova chave para identificar e condenar os dois suspeitos da violação da menina, que permanecem foragidos. O principal acusado é um familiar direto da vítima. O fiscal Bridoux havia instado o juiz a garantir essa amostra antes que fosse tarde. Não chegou a tempo. Os meios o relatam com frieza: «os peritos trabalham agora para determinar qual dos oito bebês encontrados corresponde à menina, com a esperança de que o material genético ainda seja recuperável.»