AcTúa FAMILIA.– A visita do Santo Padre a Espanha ocorre num momento decisivo para um dos lugares mais emblemáticos da nossa história recente, da nossa tradição religiosa e do nosso património nacional. Por isso, desde a acTÚa FAMILIA, queremos aproveitar esta ocasião para elevar um pedido que nasce de milhares de famílias, de fiéis católicos e de cidadãos preocupados com o futuro de Espanha: Santo Padre, salve o Vale.
Não falamos de uma questão menor. Não falamos de uma simples discussão política nem de uma controvérsia passageira. O que hoje está a acontecer no Vale dos Caídos, rebatizado oficialmente como Vale de Cuelgamuros, faz parte de um processo muito mais amplo que pretende redefinir a relação de Espanha com a sua própria história, com os seus símbolos e com as suas raízes cristãs.
O Governo de Pedro Sánchez impulsionou, nos últimos anos, um projeto de “resignificação” do Vale. A palavra pode parecer inocente. Até conciliadora. Mas quando se analisa o alcance real das medidas propostas, torna-se difícil não chegar a uma conclusão evidente: pretende-se alterar profundamente a natureza do lugar e reduzir o seu significado religioso para o converter num instrumento ao serviço de um determinado relato político.
Muitos espanhóis observam com preocupação como se fala constantemente em resignificar, reinterpretar e transformar, mas raramente em conservar, proteger ou respeitar. Parece que o problema para alguns não é a existência de um monumento histórico. O problema é que esse monumento é presidido por uma Cruz gigantesca que recorda as raízes cristãs de Espanha.
Porque o Vale não pode ser entendido sem a Cruz. Não pode ser entendido sem a basílica. Não pode ser entendido sem a comunidade beneditina que, durante décadas, manteve viva a oração nesse lugar. Separar estes elementos do conjunto equivale a esvaziá-lo da sua alma.
E precisamente isso é o que preocupa tantas famílias. O que se apresenta como uma atuação cultural ou administrativa corre o risco de se converter numa autêntica dessacralização. Não se trata apenas de modificar espaços ou reorganizar usos. Trata-se de mudar o significado profundo de um lugar concebido desde a sua origem como espaço religioso e de reconciliação.
A experiência demonstra que, quando os governos se arrogam a capacidade de decidir que símbolos merecem ser conservados e quais devem ser reinterpretados segundo critérios ideológicos, a história deixa de ser história para se converter em ferramenta política. E quando essa intervenção recai sobre espaços religiosos, a liberdade da Igreja e dos crentes também é afetada.
Por isso, é tão importante erguer a voz agora. Porque o que está a acontecer no Vale não afeta apenas quem sente um vínculo especial com esse lugar. Afeta todos aqueles que acreditam que o património religioso de uma nação merece respeito. Afeta quem considera que os templos não devem ser remodelados segundo as preferências dos governos de turno. Afeta quem defende que a reconciliação não pode construir-se sobre a eliminação de símbolos nem sobre a imposição de uma memória oficial.
Desde a acTÚa FAMILIA acreditamos que a Igreja está chamada a desempenhar um papel fundamental nesta hora. Não para intervenir no debate político, mas para defender a liberdade religiosa, a identidade cristã do Vale e o direito dos fiéis a conservar aquilo que faz parte do seu património espiritual.
Por isso queremos transmitir diretamente esta preocupação ao Santo Padre. Fazemo-lo com respeito, com afeto filial e com a esperança de ser ouvidos. Sabemos que a missão do Papa é universal, mas também sabemos que milhões de católicos esperam da Igreja uma defesa clara daqueles lugares onde a fé continua a ser o elemento essencial que dá sentido a tudo o resto.
Com esse espírito, a acTÚa FAMILIA convoca todos os cidadãos que partilham esta preocupação a acompanharem-nos em duas concentrações pacíficas e respeitosas. Estaremos no domingo às 16:00 horas diante da Nunciatura Apostólica, na Avenida Pio XII, 46, e na segunda-feira às 11:00 horas diante da sede da Conferência Episcopal Espanhola, na rua Añastro, 1.
Não vamos movidos pela nostalgia nem pelo confronto. Vamos porque acreditamos que há bens que merecem ser defendidos. Vamos porque estamos convencidos de que uma nação que renuncia às suas raízes acaba por perder parte da sua identidade. Vamos porque a Cruz do Vale não pertence a um governo nem a uma ideologia, mas a uma história e a uma tradição que fazem parte de Espanha.
Queremos que a nossa voz chegue ao Santo Padre. Queremos que ele conheça a preocupação de tantas famílias. Queremos que saiba que muitos católicos espanhóis contemplam com inquietação o processo de resignificação impulsionado pelo Governo e temem que acabe por se converter numa operação de dessacralização de um dos lugares mais importantes do património religioso nacional.
Por isso o nosso pedido é simples, claro e profundamente sentido:
Santo Padre, salve o Vale.
Salve a sua Cruz.
Salve o seu caráter sagrado.
Salve a presença da comunidade beneditina.
Salve um lugar que, para milhões de espanhóis, continua a ser um espaço de fé, de oração e de esperança.
Porque defender o Vale é também defender a liberdade religiosa, o respeito pelas nossas raízes cristãs e a dignidade de uma nação que não quer ver apagada a sua memória espiritual.
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