O Papa Leão XIV recebeu nesta quinta-feira no Vaticano o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em um encontro marcado pelas crescentes tensões diplomáticas entre a Santa Sé e a Administração de Donald Trump. A reunião chega após várias semanas de declarações públicas especialmente duras do presidente norte-americano contra o Pontífice a propósito do Irã, o desarmamento nuclear e distintos conflitos internacionais.
Marco Rubio desembarcou no início da manhã em Roma e pouco depois dirigiu-se ao Vaticano para manter duas reuniões bilaterais: primeiro um encontro privado com Leão XIV na biblioteca pontifícia e posteriormente uma reunião junto a seus colaboradores com o cardenal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé.
Antes de viajar para a Itália, Rubio tentou reduzir publicamente a tensão assegurando que a viagem respondia simplesmente à normalidade das relações diplomáticas entre Washington e o Vaticano e que encontros similares já haviam tido lugar com anteriores secretários de Estado norte-americanos.
Trump insiste em vincular o Papa ao Irã
Em declarações concedidas na quarta-feira a EWTN News Nightly, Donald Trump voltou a afirmar que Leão XIV “parece estar dizendo” que o Irã deveria poder obter armas nucleares, apesar de que o Pontífice jamais defendeu tal posição.
“O Irã não pode ter armas nucleares”, declarou Trump.
O presidente norte-americano assegurou além disso que esse era o principal mensaje que desejava transmitir ao Papa através de Marco Rubio.
“Parecia estar dizendo que eles podem obtê-las, e eu digo que não podem, porque se isso ocorresse, o mundo inteiro seria refém”, afirmou.
As acusações de Trump se repetiram em várias ocasiões durante as últimas semanas, embora o Vaticano tenha negado rotundamente essa interpretação.
Leão XIV condenou publicamente as armas nucleares
Longe de apoiar a proliferação nuclear iraniana, Leão XIV reiterou em distintas ocasiões seu rejeição frontal às armas nucleares e à escalada militar no Oriente Médio.
Durante uma intervenção sobre o conflito entre Israel e o Irã em junho de 2025, o Pontífice defendeu que a construção de um mundo livre da ameaça nuclear deve ser buscada mediante o diálogo sincero e o encontro respeitoso.
“O compromisso por criar um mundo mais seguro, livre da ameaça nuclear, deve ser perseguido mediante o diálogo sincero e o encontro respeitoso”, afirmou Leão XIV.
Meses antes, em 5 de março, o Papa havia declarado igualmente:
“Que a ameaça nuclear não volte nunca mais a ditar o futuro da humanidade”.
O Vaticano aposta na negociação
A crise diplomática entre a Santa Sé e a Casa Branca começou a se agravar no passado 13 de abril, quando Trump publicou uma dura mensagem contra Leão XIV acusando-o de ser “fraco com o crime” e “terrível em política exterior”.
O Papa respondeu então defendendo a missão espiritual da Igreja e rejeitando interpretar a política internacional desde categorias partidistas.
“Não tenho medo nem da Administração Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho”, assegurou.
Às vésperas do encontro com Rubio, o cardeal Pietro Parolin saiu também ao passo das acusações norte-americanas e recordou que a Santa Sé sempre trabalhou pelo desarmamento nuclear.
“A Santa Sé sempre trabalhou, e continua trabalhando, em favor do desarmamento nuclear”, afirmou o secretário de Estado vaticano.
Parolin confirmou além disso que a iniciativa do encontro partiu dos Estados Unidos e adiantou que durante a reunião se abordariam inevitavelmente as tensões surgidas nos últimos dias.
Possível conversa direta entre Leão XIV e Trump
Sobre a mesa das conversações figuram a guerra entre Israel e o Irã, a situação na Ucrânia, os ataques sobre o Líbano e as crises políticas em Cuba e Venezuela.
A Santa Sé mantém sua posição tradicional favorável à resolução diplomática dos conflitos.
“Esses conflitos não podem ser resolvidos pela força, mas mediante negociações sinceras e de boa vontade”, reiterou Parolin.
Um dos possíveis cenários abertos após a reunião é uma conversa telefônica direta entre Leão XIV e Donald Trump para tentar reduzir as tensões.
Segundo explicou Parolin, o Papa está disposto a dialogar com qualquer líder político.
“O Santo Padre está aberto a todas as opções; nunca se backed para trás ante ninguém”, assinalou o cardeal.