Leão XIV visita uma das prisões mais duras da África: «Nenhum está excluído do amor de Deus»

Leão XIV visita uma das prisões mais duras da África: «Nenhum está excluído do amor de Deus»

Nesta tarde de quarta-feira, Leão XIV visitou os internos da prisão de Bata, na Guiné Equatorial, deixando uma mensagem clara para cada recluso: ninguém está fora do alcance da misericórdia de Deus. O centro penitenciário tem sido denunciado reiteradamente por organismos internacionais por suas condições de superlotação, falta de atenção médica e acusações de maus-tratos.

O Papa entra em uma das prisões mais questionadas do país

Durante sua estadia em Bata, principal cidade econômica da Guiné Equatorial, o Pontífice encontrou-se com os reclusos em um ato marcado pela proximidade. Ali insistiu em que, apesar dos erros ou do passado de cada um, a dignidade da pessoa permanece intacta: “Nenhum está excluído do amor de Deus”.

Segundo relatou Vatican News, o Papa quis condensar sua mensagem em uma ideia central: Deus não se cansa de perdoar e sempre abre uma porta nova para quem reconhece seus erros e deseja mudar. Nesse sentido, animou os internos a não se deixarem definir pelo seu passado nem a perderem a esperança no futuro.

A prisão de Bata, com mais de 600 reclusos, arrasta há décadas uma reputação de dureza e tem sido vinculada a casos judiciais controversos, o que confere um significado particular a esta visita.

Denúncias persistentes sobre as condições do centro

Diversas organizações internacionais têm alertado repetidamente sobre a situação neste centro penitenciário. Entre as principais denúncias figuram a superlotação extrema, a falta de condições higiênicas, o acesso muito limitado a água potável e a escassez de atenção médica.

A isso somam-se acusações sobre maus-tratos e o uso de tortura, o que coloca esta prisão no foco das críticas em matéria de direitos humanos. Nesse contexto, a presença do Papa não só tem um valor pastoral, mas também projeta atenção internacional sobre uma realidade habitualmente pouco visível.

Um chamado à conversão e à responsabilidade

Em sua intervenção, Leão XIV sublinhou que a prisão pode se converter, além de sua dureza, em um espaço de reflexão e mudança pessoal. Recordou que os erros não definem completamente uma vida e que sempre é possível recomeçar.

O próprio testemunho dos internos apontou nessa direção: a experiência do encarceramento os obriga a confrontar-se com sua consciência, mas também abre a possibilidade de pedir perdão e reconstruir sua vida, especialmente com o acompanhamento espiritual.

O Papa insistiu em que a justiça não pode se reduzir ao castigo. “Não há justiça sem reconciliação”, afirmou, defendendo um modelo que busque a reabilitação tanto dos culpados como a reparação do dano causado.

“Deus nunca os abandonará”

O encontro concluiu com uma mensagem de esperança dirigida aos internos, a quem recordou que não estão sozinhos. Sublinhou que, embora possam se sentir abandonados, Deus permanece sempre próximo e a Igreja continua acompanhando-os.

A visita terminou com um momento de oração e a entrega simbólica de uma cruz elaborada pelos próprios presos.

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