Pelo batismo, nossa pertença a Cristo não é emocional, mas algo essencial.

Pelo batismo, nossa pertença a Cristo não é emocional, mas algo essencial.

Pbro. José Juan Sánchez Jácome / ACN.- Nota-se imediatamente que a palavra de Deus quer se certificar de que tenhamos aprendido bem a lição neste tempo de Natal; quer se certificar de que não desperdicemos o que vimos, o que vivemos, o que prometemos nos dias de Natal.

Seria um grande desperdício que isso tão bonito que o Menino Jesus nos fez sentir, que essas promessas que nos atrevemos a fazer, que essa visão de vida nova que tivemos durante esses dias, se apagasse e diminuísse pela pressão que já começamos a sentir.

Trata-se de começar com ânimo e confiança este novo ano que estamos vendo muito difícil, mas onde também consideramos quem somos, como fomos chamados e como recebemos o Espírito Santo no dia do nosso batismo.

Depois de tantas experiências belas que vivemos por ocasião das festas da fé, é bom que nos perguntemos como estamos iniciando este novo ano, que atitude temos e especialmente a quê estamos apostando neste ano, porque aqui é onde as coisas podem mudar.

As tendências modernas nos levam a apostar na sorte, nas coisas mágicas, nas superstições e nas propostas esotéricas. Há pessoas que se deixam levar por essas tendências ao canalizar seus bons desejos para este ano.

Outras pessoas apostam mais nos cálculos e previsões, e dependem muito de como os especialistas traçam os cenários que nos cabe enfrentar este ano.

A nós, cristãos, somos convidados a não apostar na sorte ou exclusivamente nas previsões humanas, mas a começar este novo ano tratando de firmar nossa identidade cristã e recordando que nossa pertença a Cristo é essencial.

Nossa pertença a Cristo não é algo emocional; não é que alguém diga simplesmente “eu gosto de Cristo e de sua palavra”, “há coisas com as quais eu comungue com ele”, mas nossa pertença a Cristo é essencial. Por isso fomos batizados; isso mudou definitivamente nossa vida, nos abriu as portas do céu e colocou em nosso coração sementes de eternidade. O batismo não é uma formalidade; é um ato que toca em profundidade nossa existência.

Diz o papa Bento XVI que: “Os pais cristãos levam seus filhos à pia batismal, sabendo que a vida que lhes transmitiram invoca uma plenitude, uma salvação que só Deus pode dar”.

Pela experiência que temos, já sabemos que o mal não respeita tréguas nem convalescenças nem momentos de paz, porque o mal não tem palavra de honra. O que o mal quer é destruir essa condição de filhos de Deus, que alguém renuncie a essa plenitude de vida, para que deixemos de acreditar em todo o potencial que temos como filhos de Deus.

A celebração do batismo do Senhor Jesus nos recorda esse potencial. Fomos batizados, não é um assunto que ficou em nossa infância, não é um sacramento simplesmente para nos proteger pela indefesa quando éramos crianças, mas Deus nos tomou como seus filhos, Deus tocou essencialmente nossa vida.

Acho que as palavras que foram ditas de Jesus no momento do batismo agora se dizem de cada um de nós: Tu és meu filho amado, eu te desejei, eu pensei em ti, em ti pus toda a minha confiança. Quanto bem nos faria ter presentes essas palavras que Deus nos diz porque fomos batizados.

O papa João Paulo II afirmava que: “Cada homem ao nascer recebe um nome humano. Mas já antes de que isso ocorra, possui já um nome divino: o nome com o qual Deus, o Pai, o conhece e o ama desde sempre e para sempre. Nenhum homem é anônimo para Deus! A seus olhos, todos têm o mesmo valor: todos são diferentes, mas todos iguais, todos chamados a ser filhos no Filho”.

Fomos batizados, o Senhor tocou essencialmente nossa vida. Por isso, quando temos medo e nos sentimos limitados, como nestes tempos, é preciso recordar que somos filhos de Deus; Ele nos tomou como seus filhos, isso temos que celebrar, gritar e agradecer porque não foi nosso mérito, mas a misericórdia de Deus assim o quis.

Conhecemos qual é nosso potencial intelectual, moral e acadêmico, mas nem sempre conhecemos nosso potencial espiritual. Faz falta confiar neste potencial espiritual porque recebemos o Espírito que clama em nossos corações, que quer nos levar à plenitude de vida, que quer se manifestar quando esta carne nos parece tão frágil e tão débil.

Tivemos muitas felicitações por ocasião dessas festas, mas hoje vale outra felicitação: Muitas felicidades pelo seu batismo!, porque somos filhos de Deus, porque não estamos sós, porque podemos clamar ao céu como filhos de Deus. Que desta forma demos rumo e comecemos a desanuviar este ano difícil reafirmando nossa identidade cristã e tratando de ativar nossa consciência como filhos de Deus.

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