“Escudo das Américas” exclui o México, Observatório Católico revela laços entre a 4T e o regime iraniano

“Escudo das Américas” exclui o México, Observatório Católico revela laços entre a 4T e o regime iraniano

O Observatório de Cidadania Católica e Análise Social publicou seu relatório 47, intitulado “A guerra entre EUA e Irã. Tem alguma repercussão no México?”. O documento oferece um discernimento ético e geopolítico sobre o conflito iniciado em 28 de fevereiro de 2026 pelos Estados Unidos e Israel contra o regime iraniano.

Sua maior alerta se centra nas consequências diretas para nosso México, o alinhamento do governo da 4T com adversários estratégicos de Washington e, especialmente, a exclusão deliberada do México da Cúpula de Segurança Hemisférica “Shield of the Americas Summit”, “La Cumbre de las Américas” que reuniu doze nações latino-americanas para coordenar a erradicação dos cartéis de drogas a nível regional.

O relatório recorda o critério ético do papa Leão XIV em Dilexi te, No. 111: “A fé cristã não pode ser confinada ao âmbito privado, mas exige compromisso com o bem comum e a defesa dos mais fracos”. Dessa perspectiva, o Observatório questiona a passividade cidadã ante uma guerra que, embora ocorra a milhares de quilômetros, já golpeia a estabilidade energética mundial e a segurança hemisférica.

Em 28 de fevereiro de 2026, ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel mataram o aiatolá Ali Khamenei, líder da teocracia iraniana durante 37 anos. A Assembleia de 88 clérigos encarregada de eleger sucessor foi bombardeada em Qom em 3 de março. Finalmente foi nomeado Mojtaba Khamenei, filho do falecido e representante da linha religiosa mais dura, o que augura uma prolongação indefinida do conflito.

O Irã financiava o Hamas e o Hezbollah, desenvolvia um programa nuclear que em 2023 já alcançava urânio enriquecido a 83,7 por cento e representava 31 por cento da produção mundial de petróleo e 48 por cento das reservas provadas. Em junho de 2025, Trump já havia bombardeado três instalações nucleares chave. O regime iraniano respondeu com repressão interna —mais de três mil mortos em protestos— e acusou o imperialismo e o sionismo pelas dissidências.

O relatório situa o conflito em um contexto maior, o fim da globalização irrestrita e o retorno do protecionismo e do supremacismo militar estadounidense sob Trump. China, Rússia, Irã e México aparecem na mesma lista de principais inimigos de Washington desde 25 de junho de 2025. Aqui reside o nó central para o México. O governo da Quarta Transformação, de esquerda populista, distanciou-se do projeto MAGA. Enquanto Trump busca restabelecer a Doutrina Monroe, hoje “Donroe”, e liquidar os regimes de Cuba, Venezuela e México, a 4T mantém nexos perigosos.

Entre eles destaca a facilitação de apoios desde o México ao programa secreto de mísseis balísticos do Irã, segundo estudo da organização Mexicanos contra la Corrupción y la Impunidad de 21 de setembro de 2020. Somam-se as presuntas financiaciones do regime de Khamenei a campanhas de Andrés Manuel López Obrador desde 2006 e as conexões documentadas entre cartéis mexicanos de Sinaloa, Jalisco Nueva Generación e Los Zetas com grupos terroristas como Hamas e Hezbollah, incluindo túneis em Gaza financiados por narco mexicano, lavagem de dinheiro e rotas de fentanil. O caso mais emblemático foi o avião venezuelano pilotado pelo terrorista iraniano Gholamreza Ghasemi que reabasteceu em Querétaro em 2022 com autorização do governo mexicano.

O Observatório dedica especial atenção ao Escudo das Américas convocado por Trump em 7 de março de 2026. Dezessete países latino-americanos —entre eles Argentina, Equador, Bolívia, Paraguai, El Salvador, Chile e Honduras— participaram do que a Casa Branca define como o eixo central da Nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos para 2026.

O objetivo explícito é a erradicação conjunta dos cartéis de drogas a nível latino-americano considerados terroristas e principais fornecedores de fentanil, como arma de destruição em massa. O México foi expressa e deliberadamente excluído, junto com Brasil e Colômbia. A presidente Claudia Sheinbaum respondeu reafirmando a política de não intervenção, mas o Observatório interpreta essa exclusão como sinal inequívoco, Washington já não confia em um governo que mantém pactos com seus inimigos geopolíticos. A estratégia estadounidense converte o México no muro para frear os narcocartéis, a migração ilegal, a proteção de cadeias de suprimento e a contenção da Rússia, China e Irã. Enquanto o governo mexicano colabora seletivamente com a entrega de capos, Trump e seu círculo apontam mais alto, terminar com os governos populistas e socialistas da região. A liderança cubano-venezuelana está em retirada, só resta a mexicana.

Longe de defender Trump ou a guerra, o Observatório propõe uma postura cidadã responsável. “Devemos exigir, como sociedade civil, à presidente Sheinbaum que represente a Nação e não somente os interesses de um movimento de duvidosa origem e futuro catastrófico como a autodenominada Quarta Transformação. Igualmente, é indispensável cuidar com maior esmero da nossa democracia mexicana, unindo os esforços de mais de 60 por cento da população que não votou pelo atual grupo político no governo, que falsamente se apresenta como representante da voz do povo. É necessário defender a relação comercial com os Estados Unidos, o T-MEC, o fluxo de migrantes, a inter-relação cultural e outros temas de interesse cidadão para o México e a América Latina”, fixa em suas conclusões.

Em um momento em que o reordenamento global obriga a escolher lados, o México não pode se permitir continuar alinhado com aqueles que Washington considera ameaça existencial. A exclusão do Escudo das Américas não é um capricho diplomático: é a constatação de que, para os Estados Unidos, os cartéis e seus aliados políticos já não são um problema bilateral, mas uma guerra hemisférica que se librará com ou sem o México.

O relatório completo pode ser lido aqui:

Ciudadania Catolica y Analisis Social 47-2

 

 

 

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