Editora Centro Católico Multimídia. «Tequila amargo»

Editora Centro Católico Multimídia. «Tequila amargo»

A detenção de Diego Rivera Navarro, ex-prefeito de Tequila, Jalisco, por supostos vínculos com o Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e uma rede de extorsão sistemática, não é um fato isolado nem uma “vitória” para celebrar. É a confirmação de um mal profundo e galopante que infectou os alicerces da política mexicana.

Tequila não é um município qualquer. É um dos mais importantes e geradores de riqueza em Jalisco e em todo o país. Seu nome é uma marca global, sua indústria do tequila movimenta milhões de dólares em exportações, atrai turismo de alto nível e representa um emblema de identidade nacional. Precisamente por isso alarma que seu presidente municipal, um militante do narcopartido no poder, tenha sido detido junto com três de seus principais colaboradores —os diretores de Segurança Pública, Catastro e Predial, e Obras Públicas— acusado de liderar uma rede de cobranças ilegais, multas arbitrárias e extorsão a empresários tequileros, cervejeiros e comerciantes.

Os testemunhos que vieram à luz falam de altas cobranças de direitos e serviços que asfixiavam a iniciativa privada e a cidadania em geral. Não se tratava de uma administração inepta, mas de um extrativismo deliberado de recursos sob o amparo do poder municipal e, segundo as investigações, em simbiose com o grupo criminoso mais poderoso e perigoso do México. O prefeito não governava para os cidadãos; era um peão do narcogoverno.

Durante anos insistiu-se, das mais altas tribunas do governo federal, que os candidatos da “Quarta Transformação” estavam blindados, que a nova política era imune às velhas tentações do crime organizado. Apresentou-se como uma mudança geracional e moral. A detenção de Rivera Navarro —e a de outros prefeitos morenistas nos meses recentes— derruba essa narrativa. Mostra a flagrante simbiose entre poder político e narco no nível mais sensível e imediato de contato com a sociedade: os municípios.

Porque é nas prefeituras onde se decide a permissão de operação de um negócio, onde se concedem licenças, onde se gerencia o predial, a segurança pública e o gasto em obras. É aí onde o crime organizado encontra a porta mais acessível para cooptar instituições, cobrar piso com faturas legais e oficiais e garantir impunidade. Um narcogoverno municipal não é um detalhe, fato isolado ou falha de um; é o engrenagem que permite ao narco passar de ser um ator paralelo a se converter em cogovernante.

Em sete anos de governo de esquerda (2018-2026), relatos jornalísticos documentados registram pelo menos 25 prefeitos e ex-prefeitos detidos por vínculos diretos com o crime organizado, extorsão, sequestro ou homicídios. A maioria pertencente a Morena ou seus aliados. A cifra real de municípios infiltrados poderia ser provavelmente muito maior, porque nem todos os casos chegam a detenção nem a escândalo público. O mal não está nas margens; está enraizado no centro do sistema.

Este fato não deve ser minimizado nem vendido como prova de que “está se atuando”. Nem é para aplaudir a ação de um supersecretário. Ao contrário: revela que a suposta transformação não só não blindou os candidatos, mas que em muitos casos abriu as portas para aqueles que viam no poder público uma oportunidade de negócio criminoso.

Os bispos do México o haviam advertido no Projeto Global de Pastoral 2031-2033, acerca do destino de qualquer Estado e governo que tem a corrupção como norma de direito: “Nenhum Estado pode sobreviver onde não se punem os delitos, onde se corromperam as instituições de justiça e não existem os meios para procurar a aplicação da lei para quem cometeu algum delito. Embora se tenha um marco legal exemplar, se não se cumprem as leis, de nada servem. Esta realidade levou à crise das instituições de governo, governantes, partidos políticos e dirigentes sindicais, a perder credibilidade entre os cidadãos e a romper um tecido social frágil”. (PGP 2031-2033, No 60).

Tequila amargo pelo veneno da corrupção. Este é outro caso mais… quantos mais faltam por descobrir?

 

 

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