O Papa destaca o chamado à santidade e pede oração pela paz no Oriente Médio

O Papa destaca o chamado à santidade e pede oração pela paz no Oriente Médio
Pope Leo XIV gestures as he leaves at the end of an audience for the Jubilee of Migrants at the Vatican, October 4, 2025. REUTERS/Ciro De Luca

O Papa Leão XIV centrou a sua catequese da audiência geral desta quarta-feira na vocação universal à santidade, recordando que não se trata de um ideal reservado a poucos, mas de um chamado dirigido a todos os batizados. Na sua reflexão sobre a constituição Lumen gentium do Concílio Vaticano II, o Pontífice sublinhou que a santidade consiste em viver a caridade e conformar-se a Cristo na vida quotidiana.

Durante a audiência celebrada na Praça de São Pedro, o Papa também dirigiu um apelo perante a tensão no Oriente Médio, convidando a acompanhar com a oração os esforços diplomáticos em curso, e renovou a convocação para uma vigília de oração pela paz prevista para o próximo 11 de abril na basílica vaticana.

Deixamos a seguir a mensagem completa de Leão XIV:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!

Constituição do Concílio Vaticano II Lumen gentium (LG) sobre a Igreja dedica todo um capítulo, o quinto, à vocação universal à santidade de todos os fiéis: cada um de nós está chamado a viver na graça de Deus, praticando as virtudes e conformando-se a Cristo. A santidade, segundo a Constituição conciliar, não é um privilégio para poucos, mas um dom que compromete todo batizado a tender à perfeição da caridade, isto é, à plenitude do amor para com Deus e para com o próximo. A caridade é, de facto, o coração da santidade a que todos os crentes estão chamados: infundida pelo Pai, mediante o Filho Jesus, esta virtude «rege todos os meios de santificação, informa-os e conduz-os ao seu fim» (LG, 42). O nível mais alto de santidade, como na origem da Igreja, é o martírio, «supremo testemunho de fé e de caridade» (LG, 50): por este motivo, o texto conciliar ensina que todo crente deve estar disposto a confessar Cristo até ao derramamento de sangue (cf. LG, 42), como sempre aconteceu e acontece também hoje. Esta disposição para o testemunho torna-se realidade cada vez que os cristãos deixam sinais de fé e de amor na sociedade, comprometendo-se pela justiça.

Todos os sacramentos, de forma eminente a Eucaristia, são alimento que faz crescer uma vida santa, assimilando cada pessoa a Cristo, modelo e medida da santidade. Ele santifica a Igreja, da qual é Cabeça e Pastor: a santidade é, nesta perspetiva, um dom Seu, que se manifesta na nossa vida quotidiana cada vez que O acolhemos com alegria e Lhe correspondemos com compromisso. A este respeito, São Paulo VI, na Audiência geral de 20 de outubro de 1965, recordava que a Igreja, para ser autêntica, quer que todos os batizados devam «ser santos, isto é, verdadeiramente seus filhos dignos, fortes e fiéis». Isto realiza-se como uma transformação interior, pelo que a vida de cada pessoa se conforma a Cristo em virtude do Espírito Santo (cf. Rm 8,29; LG, 40).

Lumen gentium descreve a santidade da Igreja católica como uma das suas características constitutivas, que deve ser acolhida na fé, na medida em que se crê que é «indefectivelmente santa» (LG, 39): isso não significa que o seja de forma plena e perfeita, mas que está chamada a confirmar este dom divino durante o seu peregrinar para a meta eterna, caminhando «entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus» (S. Agostinho, De civ. Dei 51,2; LG, 8).

A triste realidade do pecado na Igreja, isto é, em todos nós, convida cada um a empreender uma séria mudança de vida, encomendando-nos ao Senhor, que nos renova na caridade. Precisamente esta graça infinita, que santifica a Igreja, confia-nos uma missão que devemos cumprir dia após dia: a da nossa conversão. Por isso, a santidade não tem apenas uma natureza prática, como se se pudesse reduzir a um compromisso ético, por grande que seja, mas concerne à essência mesma da vida cristã, pessoal e comunitária.

Nesta perspetiva, um papel decisivo assume-o a vida consagrada, que é abordada no capítulo sexto da Constituição conciliar (cf. nn. 43-47). No povo santo de Deus, esta constitui um sinal profético do mundo novo, experimentado no aqui e agora da história. De facto, sinais do Reino de Deus, já presente no mistério da Igreja, são aqueles conselhos evangélicos que dão forma a toda a experiência de vida consagrada: a pobreza, a castidade e a obediência. Estas três virtudes não são prescrições que acorrentam a liberdade, mas dons libertadores do Espírito Santo, através dos quais alguns fiéis se consagram totalmente a Deus. A pobreza expressa a plena entrega à Providência, libertando do cálculo e do interesse; a obediência tem como modelo a entrega de si mesmo que Cristo fez ao Pai, libertando da desconfiança e do domínio; a castidade é a entrega de um coração íntegro e puro no amor, ao serviço de Deus e da Igreja.

Conformando-se a este estilo de vida, as pessoas consagradas dão testemunho da vocação universal à santidade em toda a Igreja, na forma de um seguimento radical. Os conselhos evangélicos manifestam a participação plena na vida de Cristo, até à cruz: é precisamente pelo sacrifício do Crucificado que todos somos redimidos e santificados! Contemplando este acontecimento, sabemos que não há experiência humana que Deus não redima: mesmo o sofrimento, vivido em união com a paixão do Senhor, torna-se numa via de santidade. A graça que converte e transforma a vida reforça-nos assim em toda a prova, indicando-nos como meta não um ideal longínquo, mas o encontro com Deus, que se fez homem por amor. Que a Virgem Maria, Mãe toda santa do Verbo encarnado, sustente e proteja sempre o nosso caminho.

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