A visita de Leão XIV à Espanha: a CEE apresenta uma viagem de grande escala com um custo milionário

A visita de Leão XIV à Espanha: a CEE apresenta uma viagem de grande escala com um custo milionário
Foto: Conferencia Episcopal Española

A Conferência Episcopal Espanhola concretizou os principais elementos organizativos, econômicos e simbólicos da próxima visita de Leão XIV ao território nacional, que pela sua dimensão, apresenta-se como um dos maiores eventos eclesiais dos últimos anos no país.

“Alzad la mirada”: um lema com intenção espiritual

O lema escolhido, “Alzad la mirada” (Jn 4,35), marca a orientação espiritual que se quer imprimir à visita. A organização apresenta-o como um convite para sair do imediato e recuperar uma perspectiva transcendente, num contexto social onde a dimensão religiosa perdeu centralidade.

O design do logotipo com figuras humanas em ascensão e a Virgem no centro, segundo relata a responsável, María del Mar Chapa, reforça essa mensagem de elevação e comunidade. Nesse contexto, a viagem não deve ser entendida apenas como um acontecimento massivo, mas como um chamado de caráter espiritual.

Uma maquinaria organizativa em dois níveis

A estrutura da viagem articula-se em dois planos. Por um lado, as dioceses de Madrid, Barcelona, Gran Canaria e Tenerife gerem os atos locais e a captação de recursos. Por outro, a Conferência Episcopal coordena um comité nacional responsável pelos aspetos comuns: comunicação, logística, acreditações ou sinal televisivo.

Este modelo permite distribuir responsabilidades, mas também evidencia a complexidade de um evento que mobilizará milhares de pessoas, voluntários e recursos em várias cidades durante uma semana.

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Um custo milionário ainda sem fechar

É no apartado económico onde surgem as principais incógnitas. Embora não exista uma cifra definitiva, a própria organização reconhece que o custo global não será inferior a 15 milhões de euros, uma estimativa baseada na magnitude do evento e no seu desdobramento logístico. A essa cifra inicial acrescentou-se ainda um aviso significativo, na conferência de imprensa oferecida durante a manhã, um dos coordenadores nacionais da viagem, Fernando Giménez Barriocanal, admitiu que a sua impressão é que o custo final será superior.

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A cifra, ainda provisória, situa a visita num nível de investimento considerável, especialmente num contexto onde o gasto público e os recursos destinados a grandes eventos costumam ser objeto de escrutínio. Segundo os organizadores, neste momento teriam já coberta aproximadamente a metade desse orçamento inicial, embora insistam em que a agenda definitiva será a que permitirá concretizar o custo real.

Financiamento: entre doações, empresas e apoio público

Para cobrir esse orçamento, desenhou-se um sistema de financiamento misto. O objetivo declarado é que a maior parte do custo recaia na própria Igreja em Espanha, mediante contribuições de empresas, doadores e colaboração em espécie.

O modelo inclui distintos níveis de patrocínio, incentivos fiscais e mecanismos de doação, tanto para grandes entidades como para particulares.

No entanto, junto a este financiamento privado, a própria organização admite a participação de administrações públicas, seja mediante contribuições económicas diretas ou através de infraestruturas e serviços.

Transparência perante as dúvidas

Consciente deste cenário, a organização pôs o acento nos mecanismos de controlo e transparência. Estabeleceu-se um sistema contabilístico comum, procedimentos diferenciados para os distintos tipos de gasto e auditoria externa por parte de uma firma internacional.

Além disso, habilitou-se um portal específico onde se irão publicando os dados económicos e organizativos da viagem, numa tentativa de antecipar críticas e oferecer uma prestação de contas clara.

Um evento entre o pastoral e o público

A visita de Leão XIV percorrerá Madrid, Barcelona, Las Palmas de Gran Canaria e Santa Cruz de Tenerife entre 6 e 12 de junho, com uma ampla repercussão mediática e social, além de uma previsão de assistência multitudinária.

Neste contexto, a própria organização calcula que o impacto económico da viagem será, em qualquer caso, superior a 100 milhões de euros, um argumento que busca reforçar a ideia de que a visita não só tem dimensão religiosa, mas também um efeito relevante sobre a economia e a projeção pública das cidades anfitriãs.

No entanto, mais além da sua dimensão pastoral, a viagem situa-se também no âmbito do público, onde confluem interesses económicos, institucionais e sociais.

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