Sanz Montes prega o Sermão das Sete Palavras em Valladolid

Sanz Montes prega o Sermão das Sete Palavras em Valladolid

La Plaza Mayor de Valladolid acolheu esta Sexta-Feira Santa de 2026 uma nova edição do tradicional Sermão das Sete Palavras, proferido este ano por monsenhor Jesús Sanz Montes, arcebispo de Oviedo. A seguir, oferece-se o texto íntegro.

SERMÃO DAS SETE PALAVRAS

Sexta-Feira Santa, Valladolid 2026
Pregador: Mons. Jesús Sanz Montes, Arcebispo de Oviedo

Excelentíssimo e reverendíssimo senhor Arcebispo Metropolitano de Valladolid, excelentíssimo senhor Prefeito, presidente da Câmara Municipal de Valladolid e presidente do Patronato de Honra da Junta de Irmandades da Semana Santa de Valladolid, ilustríssimo senhor presidente da Deputação Provincial de Valladolid, senhores embaixadores estrangeiros acreditados em Espanha, eminentíssimo e reverendíssimo senhor dom Ricardo Cardeal Blázquez Pérez, excelentíssimo e reverendíssimo Arcebispo Emérito da diocese de Santander, dom Manuel, autoridades civis e militares, prefeito, presidente da Irmandade das Sete Palavras, presidente da Junta de Irmandades da Semana Santa de Valladolid, reverendo senhor pároco da Unidade Pastoral Santiago El Salvador, irmãos das irmandades da Semana Santa de Valladolid, povo fiel congregado nesta Plaza Mayor, e quantos a ela se asomam através dos nossos meios de comunicação.

O Senhor vos dê a sua paz e encha o vosso coração do seu bem.

Foram muitos os púlpitos improvisados em sinagogas ou nos cruzamentos de caminhos e as mil circunstâncias onde a palavra veraz, bondosa e bela do Mestre se deixou ouvir. Disse tantas coisas em público e em privado, com parábolas hermosas quando havia que anunciar a esperança, e como espada de dois gumes quando havia que denunciar os desmandos.

Mas ficava um último sermão desde uma cátedra estranha, humilhante, sem diálogo posterior nem um auditório entregue. Serão as sete palavras para um sermão como tal, não proferido pelos lábios do Mestre, mas que constituem a síntese apertada de uma doação sem igual por este Deus humanado que foi Jesus, o Filho de Deus, do Pai predileto.

São sete gritos, como quem entoa o canto do cisne na cantata do amor antes jamais escutado. É o epílogo de toda uma vida tecida de claroscuros agridoces, entre o dom mais infinito da parte do Senhor e a resistência mais triste pelo homem destinatário.

Assistimos hoje aqui em Valladolid, nesta praça, testemunha da escuta destas sete palavras durante tantos anos, já desde o seu começo, propriamente naquele 23 de abril de 1943, nesta praça, Plaza Mayor de Valladolid, calçada do meu querido pai São Francisco, uma praça que é um espaço especialmente señero.

Aqui se dão os vaivéns das nossas pressas, os jogos inocentes dos nossos mais pequenos, os embelos enamorados de quem se querem, e a parsimônia dos nossos sábios anciãos. Praça de segredos que custodiam os seus ares no tempo. Praça de sonhos quando nos quitamos as pesadelas e nos pomos a olhar para o céu. Praça de encontros, de beijos amigáveis e palavras que te abraçam nas idas e vindas das boas-vindas que te acolhem e dos adeuses que te despedem sempre com saudades.

Nesta manhã de Sexta-Feira Santa, esta praça grande e majestosa por onde a vida de Valladolid passa, nos dispomos a escutar mais um ano as sete palavras, deixando-nos comover pelo sermão de Cristo desde o púlpito do madeiro da sua crucificação.

São palavras conhecidas, tantas vezes escutadas, meditadas e choradas através da história do povo cristão. Diante delas vertem as suas lágrimas santos e místicos. Com elas compuseram cantatas e sinfonias os nossos mais célebres músicos. Com estas sete palavras ensimesmaram-se os nossos escultores com as suas gubias e os pintores com os seus pincéis. Elas foram o objeto da pena dos nossos melhores escritores e de quantos com imenso talento e beleza vieram antes comentarlas aqui com rubor emocionado tantos oradores.

Foram palavras que se escutaram no final daquela primeira Semana Santa da história. Quantas palavras prévias se receberam do Mestre, o Senhor Jesus. Não deixou de pregá-las de tantos modos em qualquer circunstância. A crianças, a jovens, a noivos, a doentes e anciãos, a justos, a pecadores, a paisanos, a estrangeiros. Só quem foram surdos censores preferiram as suas próprias trevas à luz, as suas violências à paz, as suas rigidezes à ternura. Disse o evangelista São João quando já ancião escrevia o seu Evangelho, que veio a luz ao mundo e as trevas a desprezaram; veio à sua casa e os seus não o receberam.

De modo imparável, nós vamos cumprindo anos que desenham canas no cabelo, rugas no rosto e um certo sobressalto quando nos sentamos e olhamos para trás de esguelha. Todas as luzes e as sombras, os momentos gozosos e os que nos puderam danar, aí estão no nosso imediato passado. Sonhos que se cumpriram enchendo-nos de paz, despertares de pesadelo que nos alteraram, gente que se nos foi como outra gente que nos foi chegando. Certezas que se fizeram dúvida ou interrogantes que encontraram a resposta. Quantas coisas, sentimentos, recordos ou projetos. Quantos presentes nos vieram saudando ou acorralando ou bendizendo. Sonhamos e brindamos por tantas coisas, mas também houve não poucas que nos romperam em choro, que semearam medo e cansaço. Quantos episódios e circunstâncias íntimas no coração ou bem patentes nas afueras da alma fazem que a Semana Santa de cada ano tenha uma data de estreia e desenhe uma paisagem novedosa com todas as suas luzes e todas as suas sombras.

Foi longa a andadura de Jesus. Por breves que possam parecer, os poucos anos que partilhou connosco foram de uma imensa intensidade. 33 anos onde sucedeu tudo o que nos contam os Evangelhos: as lágrimas que Jesus enxugou, os jogos infantis que observou, os pecados que pôde perdoar e as vidas desastradas que orientou. Não houve recanto humano no que não estivesse ele presente com uma palavra a dizer e uma graça a oferecer.

Aquela semana foi intensa em palavras e sinais, como quem sabe que chega o ocaso de uma andadura tão tecida de versos, de beijos, de silêncios e de lágrimas. Metemo-nos de caras neste desenlace postreiro, onde numa cruz como púlpito, Jesus nos brindará as suas sete palavras que não emudecerão jamais, porque respondem ao drama da história da humanidade em todos os seus lares, em todas as suas épocas, como um eco do grito de Deus no meio da contradição sórdida da humanidade.

Este é o sermão da montanha. Escutemos.

PRIMEIRA PALAVRA

«Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem»

Era o fim da trajeto. Toda uma vida humana às costas com tantos momentos. Costas agora abertas como um sulco onde a cizânia cicatera quis deixar a assinatura de autor da incompreensão mais infinita, o ódio mais exacerbado e a cerração mais despiadada.

Atrás ficava uma vida inteira, tantos recantos do caminho nos quais Jesus passou fazendo o bem. Os seus encontros com a gente, o seu peculiar modo de abraçar o problema humano: umas vezes brindando os seus gozos, como em Caná naquelas bodas; outras, chorando os seus sofrimentos junto a Lázaro morto em Betânia; em ocasiões, curando todo tipo de doenças, ou iluminando todo tipo de escuridão, ou saciando todo tipo de fomes; e em outras, airado contra os comerciantes no Templo e contra os fariseus do mercado da fé. Jesus que bendiz, que ensina, que reza, que cura, que liberta, que denuncia e que aponta.

Agora é o momento último e final deste drama humano e divino. Ubica-se a estação de chegada, o Calvário, chamado «a Caveira», nome macabro da parte de quem perderam a cabeça. Os seus companheiros de viagem final também vão no mesmo lote, com o mesmo desenlace, mas por motivo desigual.

Tras a descrição do cenário e da comparsa imposta, como se fossem bufões de reparto, chega a primeira palavra deste particular sermão. «Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem».

Não foi uma roda de imprensa, nem tampouco a resposta num tribunal ante um fiscal acusador. Esta palavra, como as seis restantes, são um solilóquio com o seu Pai Deus, como em tantos outros momentos da sua vida de Deus humanada. É esse Pai por quem madrugava cada dia ou velava cada tarde, recabando nesse encontro a escuta obediente na mais sublime oração. Dessa filial conversa dimanariam depois as palavras doces e verdadeiras como bondoso benefício, e os gestos sanadores e libertadores de todo perverso malefício.

O Pai foi o seu principal interlocutor. Agora Jesus, à plena luz, no fragor daquela Sexta-Feira Santa, crava no Pai o seu olhar para pedir o indulto ante tanto malfeitor que lhe foram fazendo a envoltória desde os seus olhos cegos e os seus corações embotados, para a grande censura ignorante de quem era o seu verdadeiro e único Salvador.

Assim rezou Jesus filialmente como nunca ante o seu Pai Deus. «Perdoa-lhes, não sabem o que fazem.»

É acaso a ignorância do dano um atenuante para obter imerecidamente o mais gratuito perdão? As nossas contradições que nos fazem cínicos, as hipocrisias que travistem o nosso disfarce, os pecados da vida que renegam o que os nossos lábios proclamam de prestado. Não é a ignorância de não saber o que fizeram, o que não sabemos fazer, o que nos redime com o abraço do perdão, mas precisamente esta prece sentida no coração de Cristo como o último latido do palpitar do seu amor.

Ele quis interceder, pôr-se de novo entre o céu e a terra, entre os seus irmãos os homens e o seu Pai Deus. A sua oração abrirá a porta de saída mais misericordiosa e indevida no beco fechado a cal e canto da nossa escuridão mais temível e mais temida.

Não sabemos o que fazemos. Não, não o sabemos quando declaramos as guerras que enfrentam e destroem os povos. Quando mentimos a mansalva para salvar a todo custo as nossas prebendas e as nossas governanças. Quando roubamos o que não nos pertence com a cobiça mais pendenciera, ou quando abusamos dos mais inocentes com uma perversão que mata. Quando manchamos a beleza com as nossas aparências mais zafias, quando envilecemos a bondade com um embrutecimento de maldade calculada, e quando relativizamos a verdade com uma pós-verdade que a sabiendas nos engana; não sabemos o que fazemos, nem então, nem agora, nem ali, nem aqui.

É a ignorância mais culpável, que não nos atenúa a nossa responsabilidade quotidiana no pessoal e no social. Mas a oração de Jesus ao Pai segue chegando como clamor que intermedia, pedindo o perdão que nos salva. Ele é o advogado que templa as nossas gaitas, quem endireita os nossos entuertos, aquele que allana as nossas altiveces e quem nos devolve ao caminho verdadeiro tras todas as nossas aventuras pródigas, essas que nos tiraram do lugar no que somos filhos sempre, filhos maus talvez, mas nunca filhos órfãos.

SEGUNDA PALAVRA

«Hoje estarás comigo no Paraíso»

Gestas queria obter o nível do seu lavado de cara, do seu indulto amanhado, de uma sorte que nunca e jamais mereceu. Mas terminou como provocação tão obscena que foi blasfémia burda e grosseira contra o mesmo Deus.

Sem ser refém do seu penoso passado, o outro malfeitor teve distinta atitude. Dimas increpou ao seu companheiro pela armadilha desleal que maquilava o seu torpe currículo de maldição e condenação, e depois fez um ato de fé no santo temor de Deus. Confessou os seus pecados com um apressado exame de consciência, aceitando o desenlace merecido por todas as suas faltas cometidas. Quem sabe onde? Quem sabe quando? Quem sabe contra quem? Mas aceitava a sua deriva tasada pelos homens como sanção fatal de todos os seus erros.

«Nós merecemo-lo, mas Jesus absolutamente não. Somos dois pobres malvados ladrões que roubaram tantas coisas. Dois violentos assassinos que malograram tantas vidas. Dois violadores sem alma que se aproveitaram de quem pudemos enganar e seduzir. Dois mentirosos compulsivos que fizemos do engano uma forma de sobrevivência bem paga. Mas Jesus não fez nada. Jesus passou fazendo o bem em quanto fez e disse ante os demais.»

Desta confissão geral dos seus pecados, fez um propósito de emenda inusual. «O meu perdão está na tua mão, Jesus. E quando chegares a esse teu reino do que de tantos modos nos falaste, lança-me um olhar. Estende-me a tua mão, faz que caiba no lar entrañable da tua misericórdia e lembra-te de mim.»

Que boa confissão fez Dimas naquela Sexta-Feira Santa, que lhe obteve o título de «bom ladrão», porque sem pretender sequer, logrou roubar honestamente a Deus o butim inimaginável de toda a sua vida desastrada, quando pedindo-lhe adentrar-se no seu reino, Jesus lhe regalou a passagem e a entrada nesse mundo de amor que só quem é o amor concede a quem se abrem ao seu olhar.

Assim chega a segunda entrega deste sermão do Senhor nas suas sete palavras: «Hoje estarás comigo no Paraíso.»

Isto significa que a Dimas perdoou-se com o perdão mais infinito, tanto, tanto, que supôs a primeira canonização cristã sem os longos processos de verificação e discernimento da parte da Igreja, mas pelo reconhecimento claro do mesmo juízo de Deus. Assim lhe preparou Jesus a São Dimas o altar, a hornacina e a peana, que só lucem no céu os que diretamente canoniza Deus.

É o primeiro da saga da festa de Todos os Santos, quando a Igreja nos insta a asomarmos a outro ventanal que talvez não é o que mais frequentamos no devir da nossa andadura quotidiana. E estamos tantas vezes sequestrados por outros nomes, outros exemplos que nos roubam a atenção com as suas palavras vazias, com as suas corrupções diversas e as suas pretensões inconfessáveis. Convida-se-nos a olhar para todos os santos, e a São Dimas o primeiro. São de épocas distintas, com uns contextos geográficos, culturais e políticos diferentes, com uma sensibilidade variopinta, que viveram o Evangelho dentro dos anos da sua idade e no domicílio das suas circunstâncias. Há mártires de todo tempo, doutores que nos iluminam com a sua bondade e sabedoria, pastores entregues que nunca deixaram o rebanho assignado por Deus, e tanta gente simples, santos da porta ao lado, como dizia o Papa Francisco, que podem ser da nossa família.

São os santos todos, em cujo primeiro posto dessa lista aparece São Dimas, o bom ladrão, que aquela tarde entrou no Paraíso.

TERCEIRA PALAVRA

«Mulher, aí tens o teu filho; aí tens a tua mãe»

Não nos deixou Maria um diário espiritual, e no entanto podemos aceder a traços da sua vida que nos comovem pela sua verdadeira humanidade, tão abraçada pela graça de Deus.

Maria foi alguém que se fiou de Deus, crendo que o impossível para ela não o era para Ele. As distintas palavras de Deus que Maria terá que escutar na sua vida, e em especial esta que terá que ouvir ao pé da cruz de Jesus, não suporão o macabro acertijo ou a inacabável adivinhação de um Deus que se compraz em assustar ou esmagar aos seus filhos.

A palavra última que sempre se reserva a Deus é uma palavra de luz e de vida que se torna na resposta que Ele dá à atitude de espera e esperança em tantos momentos de escuridão e de morte. A última palavra que Maria escutará não será a palavra agónica de um filho moribundo nas trevas da hora daquela Sexta-Feira Santa, mas a palavra que qual orvalho matinal Deus cantará para sempre na sua ressurreição no domingo que não acaba.

Não obstante, Maria nos ensina a escutar em hondura a esse Deus por quem ela decidiu a sua vida inteira na escuta da sua palavra, seja onde e como seja que Ele nos quer dizer quando nos fala o qual, quando nos fala o cuaz, ou quando silencioso se cala.

Os artistas cristãos de todos os tempos o souberam pintar nos seus quadros, esculpir nas suas imagens, souberam recitar nos seus versos ou compor nas suas musicais cantatas.

A cruz de Jesus tem uma cena completa naquele primeiro Sexta-Feira Santa da história. O Calvário não tem uma cruz solitária, não está só flanqueada por dois ladrões, nem tampouco pela curiosidade zombeteira de quem aguardavam frivolamente a ver o que passava. Porque além das traições de Judas e das lágrimas de Pedro, além da cobarde inibição de Pilatos ou da insídia torpe de uma manipulada multidão, também havia uma presença diversa. É a que a liturgia cristã celebra na advocação da mãe desolada junto ao discípulo amado, o jovem João. Ambos estão perto de Jesus e perto entre si. Era a comunhão da vida mais estreita, íntima e espiritual.

Aquela mulher que com o seu sim a Deus quis estar ao pé da vida que dela nascia por milagre na sua virgindade, estará também ao pé daquela morte do Filho que pendia de uma cruz; ao pé da vida e ao pé da cruz.

Não é a Eva abraçada à árvore da sua fruta proibida, mas Maria que se abraça à árvore cujo fruto melhor e entregue foi o seu Filho crucificado.

Não reagiu com desespero nem com soluço de vingança. Não invocou a maldição dos céus, nem organizou uma revolta dos homens. Simplesmente estava ao pé daquela cruz, tratando de escutar uma difícil palavra de ouvir, perguntando-se o significado duro desse final aparente com o martírio do seu filho Jesus. O seu estar foi um estar silencioso, cheio de fé, asomada ainda mais além daquela duríssima aparência com os seus olhos maternos cheios de choro.

Esta é a lição assombrosa que nos dará Maria nos Calvários da vida, nas nossas desolações diversas, junto às nossas cruzes quotidianas.

Ser mãe de Jesus foi intercambiável com ser mãe de João. Jesus não menciona a João pelo seu nome, nem a Maria pelo seu. Extrapola-os para lhes dar um horizonte de universalidade. É a mulher que se faz mãe, é o discípulo que se faz filho. Mas dá-se uma verdadeira maternidade que Maria assume por indicação de Jesus, acolhendo ao discípulo João. E dá-se também uma autêntica filiação que João faz pegando desde aquele momento a Maria como a sua própria mãe.

Na acolhida de quem chega, partilha-se com ele até o fundo, até o final, todo o seu universo precioso. Maria chega deste modo ao cume dramático de toda a sua vida no sentido próprio da expressão «drama»: nem tragédia nem comédia, mas drama. Ou seja, jogar a vida arriscando a tua liberdade pelo único que vale a pena. A tragédia é sempre cruenta. A comédia é frivolidade. O drama é uma liberdade vivida.

Maria chega com o seu sim mantido até o drama máximo, expropriando-se do Filho que entrega ao Pai, como quem devolve o imenso regalo de um dom recebido em benefício de toda a humanidade. É então quando ela recebe como dom o filho oferecido à humanidade representada por João.

Assim aprendemos ao pé da cruz a reconhecermo-nos na pessoa do discípulo amado, o apóstolo São João, olhando para Maria como a nossa mãe, para que a vida siga nutrindo-se e siga sustentada por quem com a sua entraña bendita como mãe sempre nos acompanha.

QUARTA PALAVRA

«Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?»

Marcou o relógio as suas horas sem pausa nem dilação. Não havia botão de pausa para situar-se comedidos e piedosos ante o desgarro mais extremo de um grito que se fez oração.

A agonia não era ficção nem pose, mas terrível final que chega até este limite de solidão. Chegou a hora suprema, a hora de nona naquela Sexta-Feira Santa da história. A vida está morrendo, boquejando numa cruz incompreensível e imposta.

Só há espaço para um silêncio abismado que possa calando nos adentros aquele diálogo último do Filho com o Pai, quando a palavra se fez monólogo humanamente macabro, que entrevera entre espasmos Jesus com o seu Pai.

Assim, como quem abre uma rendija póstuma ao perdão mais imerecido ante o absurdo mais injusto que se fraguava, de repente escutou-se a Jesus recitar um antigo salmo com o desgarro próprio de quem aponta a mais extrema solidão: «Deus meu, por que me abandonaste?»

Efectivamente, foi um salmo emprestado, mas traduzia uma vivência de abismo. Quando olhas e ninguém aparece ante os teus olhos, quando gritas e ninguém responde à tua voz angustiada, quando abres os teus braços e aparentemente ninguém vem ao encontro da tua desazón, quem entenderá este grito supremo de Deus a Deus nesta prece extrema entre o Filho bem amado e o seu querido Pai bem amante?

Até este ponto se quis solidarizar Jesus com a nossa condição humana, tão cheia de perguntas também para as que não temos resposta. Quando nos atenazan os medos, nos acorralam as sombras e nos enchem de vazios os ausentes escapados que não nos acompanham, ou as dúvidas ardentes para as que não temos réplica alguma.

É assim como todos os abandonos huidizos, todos os desgarros que nos desangram, as escuridões que nos apagam, os extravios que nos desnortam, as solidões que nos isolam e as angústias que nos desazonam, tudo isso estava naquele grito de Jesus. Esse grito ressoa em todos os abandonos de cada um dos seus irmãos, de cada geração humana em cada tempo e lugar.

Quis Jesus fazer seus os nossos gritos de abandono em solidão, quando sentimos angustiados que não há ninguém tras a cortina do nosso temor, nem existe o bálsamo que ponha cura nas nossas feridas, nem a resposta humilde na pergunta que nos acucia, nem a luz alumbradora na negra e apagada escuridão.

Não foi um passeio devoto pelas noites que não acabam sumindo-nos no desalento mais mordaz, mas um verdadeiro grito que não por orante deixava de apontar a mais incompreensível solidão. A prova que se transluz ou se trasosscurece num Deus que aparentemente não é sustentado por Deus, de um Filho que não percebe a proximidade do Pai, de um Redentor que não é salvo por ninguém, no gesto mais inaudito do abandono de Cristo Jesus.

E no entanto, há aqui um gesto sublime de divina solidariedade, quando no argumento das nossas lágrimas, na rebeldia dos nossos descontentamentos, na incerteza das nossas desesperanças, pomos esse mesmo grito de Cristo bendito nos nossos gritos pessoais. Ele não jogou com os nossos vazios mais ocos e baldios, como se não fossem verdade os motivos por que tantas vezes nos achamos desesperados.

O abandono de Jesus é o nosso mesmo abandono quando todos se foram e quando ninguém chegou, sumindo-nos no choro desesperado da nossa mais terrível desolação.

Não experimentamos na nossa vida esse mesmo desgarro quando a incompreensão dos próximos, a fuga cobarde dos amigos, o assédio dos adversários, a injustiça calculada e a perseguição insidiosa nos chega no momento mais inoportuno para não nos brindar a ajuda que precisávamos?

Todos experimentamos esse zarpazo ao embridar o abandono da solidão ante uma doença imprevista ou uma catástrofe natural que nos desbarata, ou um desaguisado de má governança que nos deixa ao par da intempérie.

Mas naquele grito de Jesus vemos como fez também suas todas as mortes cegadas por terrores antes e depois de nascer. A morte consequência de qualquer pecado. Aí está Jesus abrindo-nos o seu coração na dor mais desgarrada, para que não nos sintamos sós quando chega a prova que nos supera. É o abandono de Jesus que abraça a nossa solidão assustada.

QUINTA PALAVRA

«Tenho sede»

Sobrecoge esta lacónica expressão de alguém que na sua agonia pede um sorvo de água com o que agarrar-se à vida.

A sede é sempre corrosiva quando te rasga a garganta e te deixa sem fôlego, sem palavra, com a boca seca como um tijolo e a língua pegada ao paladar. Jesus sentiu a sede aquela hora humanamente tão aciaga.

Todos recordamos cenas bíblicas onde abeberar a sede era traço de rito. Quando no deserto de Sin, Moisés golpeou a rocha para que dela brotasse água, com a que Deus apagou os enconos de um povo sedento, amotinado e rebelde. Aquele povo ressentido maldia pela sua deriva e evadia-se na nostalgia daquele Egito deixado atrás, onde havia água mas não liberdade, onde tinham alhos e cebolas, mas não razões para a dignidade. Era uma escravidão bem regada que eles añoravam torpe e enganosamente desde o cenário purificador de um deserto que punha à prova a sua falida esperança. Isto ocorria em Masá e Iberá, e ali se levantou ata da torpeza de um Moisés incrédulo também, e de um povo em rebeldia.

O poço na literatura bíblica é um lugar de encontro, um espaço onde descansar e partilhar. Os lugares onde há água determinam o itinerário terrestre e espiritual daquele povo que atravessou um deserto para chegar à terra da promessa. Por isso o poço, a água, converter-se-ão em símbolos de proximidade que esse Deus oferece aos seus filhos.

Há uma cena que relata o Evangelho de São João onde a sede se faz rito junto a um poço. É bem conhecida aquela trama: uma mulher, um poço e Jesus.

A vida daquela mulher havia transcorrido entre maridos que se foram sobrepondo, e entre viagens ao poço para sacar água incapaz de saciar a sede verdadeira. A insuficiência de um afeto não colmado —os seus seis maridos— e a insuficiente água para acalmar uma sede insaciada —o poço de Sicar— ficam deslocados pelo Senhor, que se apresenta como a água que sacia e como o esposo que não defrauda.

Quem tem um coração endurecido pelas armadilhas do seu coração ou pelos chantajes de ídolos que nem colmem nem calmem, situar-se-á nesse umbral de uma vida zafia, apagada, medíocre e sem horizonte de alegria nem esperança. Oxalá escutemos a voz que nos abre ao amor e à água para os que fomos feitos de veras.

Nesta palavra de Jesus crucificado, o poço tem forma de cruz. E o que veio dar-nos a água viva, grita Ele sedento no estertor da sua agonia. É a água que se faz mendiga nos lábios resecos de Jesus, como noutro momento o seu olhar encheu de luz os olhos do cego de nascimento.

Ele vem apontar-nos as nossas contradições contemporâneas. Poderíamos dizer justamente ao contrário do que reclama este mundo opulento, frívolo e insolidário: quando assistimos com pasmo ao vazio do que se enche a nossa nada, «dá-me um pouco de sede que me estou a morrer de água». Assim, justamente assim, ao contrário, seria o grito de uma geração que, tendo quase tudo, parece que não logra descobrir o sentido da vida quando há falsas águas para uma sede verdadeira.

De todas as nossas perguntas, desde todas elas, afãs e preocupações, desde a nossa aspiração de habitar um mundo mais humano e fraterno que o que nos pinta a crónica diária, Deus se nos aproxima no nosso caminho, senta-se junto ao brocal dos nossos poços para nos revelar-se como a nossa fonte e a nossa sede ao mesmo tempo.

Comentava-o o Catecismo da Igreja Católica num número no que se cita ao grande mestre São Agostinho: «Se conhecesses o dom de Deus. A maravilha da oração revela-se precisamente ali, junto ao poço onde vamos buscar a nossa água. Ali Cristo vai ao encontro de todo ser humano. É o primeiro em nos buscar e o que nos pede de beber. Jesus tem sede. A sua petição chega desde as profundidades de Deus que nos deseja. A oração, saibamos-lo ou não, é o encontro da sede de Deus e da sede do homem. Deus tem sede de que o homem tenha sede de Ele.» É a sede de Jesus junto ao brocal da sua cruz, sabendo que nós abeberamos a sede do nosso coração que se sacia no poço da sua água viva.

SEXTA PALAVRA

«Tudo está consumado»

[Nota: a transcrição da sexta palavra apresenta uma laguna por uma pausa publicitária; recolhe-se o fragmento disponível:]

…em silêncio ficávamos na impressionante igreja gótica dos franciscanos dessa bela cidade austríaca, em silêncio e sem aplauso, prolongando antes o que esse grande músico plasmou no pentagrama da sua sinfonia fúnebre recordando o final da Paixão do Senhor.

«Tudo está consumado.» Ou seja, não foi nem uma filfa enganosa nem um fracasso nefasto, mas uma vida inteira que chegava ao seu final com os deveres feitos desde a sua fidelidade filial rendida ao Pai Deus.

Mas foi longa aquela andadura de Jesus. Diversos cenários onde sucedeu tudo o que nos contam os Evangelhos. Ficam atrás tantos recantos do caminho; passou fazendo o bem.

«Tudo está consumado.» Este drama de Jesus não era seu mas nosso, mas tão seriamente assumiu como seus todos os nossos problemas e tristezas, todos os nossos pecados. Não houve lágrimas dos nossos olhos com as que Ele não fizesse o seu próprio choro. Não houve alegrias dos nossos olhos com as que Ele não brindasse na sua própria festa.

É muito importante este drama da Paixão de Jesus: não tanto o que ocorreu há 20 séculos, mas o que ocorreu sempre, então e agora, com aqueles e com todos os demais que fomos vindo depois ao cenário da história.

A Sexta-Feira Santa com as sete palavras de Jesus na cruz é um dia tão sóbrio que resulta taciturno e calado. Não há sinos nem glórias. É o único dia do ano no que não há missa propriamente falando, como se um véu enlutado condicionasse cada instante, cada recanto deste mundo inacabado que não acerta a deixar nascer a cidade de Deus que Ele eternamente desenhou para nos enamorar.

Tudo aquilo foi por mim, com o meu nome e os meus anos, com as minhas armadilhas e os meus medos, com as minhas graças e pecados. Eu fui para Ele a razão de cada instante naquelas catorze estações que tinham a minha biografia como recorrido e o seu amor como estação de chegada. É uma graça de piedade vermo-nos dentro daquele Viacrucis que nos pertenceu e que Jesus, fazendo o seu, percorreu para nos salvar.

Seamos os seus cirineus, e seamos cirineus dos que hoje malvivem e malmorrem nas suas vias dolorosas por tantos motivos e em tantos cenários.

Sexta-Feira Santa, dia de Paixão, de escutar comovidos esse bendito relato. Aí estavam, sem censura e sem adornos, todas as etapas da minha vida e todos os meus pecados.

«Tudo está consumado.» Com a cabeça inclinada, a humanidade de Jesus faz a sua última oferta ao Pai Deus.

SÉTIMA PALAVRA

«Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito»

Ficava a despedida antes de que se enchesse de treva o altozano do Calvário, fora dos muros da cidade. Era o adeus que terminaria no abraço eterno com aquele Pai Deus.

Desde a eternidade filial nos chegou Jesus com a mensagem mais sobrecogedora do amor que nos tinha, quem sendo maus filhos tantas vezes jamais fomos órfãos errantes ante o seu olhar. A nossa torpeza pecadora foi respondida com a entrega amorosa do Filho Deus.

No-lo diz comovido o relato do Evangelho de São João: «Tanto amou Deus ao mundo que entregou o seu Unigénito. Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar ao mundo, mas para que o mundo se salve por Ele.» Este foi o dom mais imensamente regalado que menos imensamente o homem mereceu.

A sétima e última palavra de Jesus na cruz tem o guisa de cláusula final de um testamento improvisado na sua sóbria brevidade. Não é a derrota que abrumada se derrumba ante o abismo fatal, mas o final da trajeto para aqueles pés viandantes que se fizeram missionários em todos os nossos derroteros sem rumo, nos nossos becos sem saída, nos nossos muros de separação, para poder indicar o horizonte que dilata o nosso olhar perdido e que desenha o mapa da esperança numa fraternidade que recuperamos, e uma proximidade atenta a toda tragédia destruidora, para adentrarmo-nos no drama da liberdade sincera sem as comédias que nos fazem falsos.

Bem o descreveu o grande teólogo Hans Urs von Balthasar com a sua teodramática, quando nos apresentou os distintos lances de Jesus o Senhor desde as chaves do teatro grego. Não um Deus trágico que se desespera, nem um Deus cómico que frivoliza, mas um Deus dramático que abraça com liberdade o seu destino e com o afeto do seu coração se aproxima aos avatares que nos acorralam e apenam, sequestrando Ele a esperança para a que fomos criados.

Nesse momento postreiro, sem adeuses secundários, sem pantomimas de paródia, mas simplesmente inclinando a cabeça, nos oferece o gesto final de uma entrega.

Mas atrás ficavam tantos cruzes de caminho, tantas encruzilhadas humanas: os olhos e a ternura de Maria, que o sentiu crescer nas suas entranhas, que o viu na luz, que o deu à luz no nascimento entre palhas, que o ensinou a dizer as suas primeiras palavras e a dar os seus primeiros passos. Fica também a entrega discreta, solícita, do bom de José, que assumiu uma paternidade prestada naquelas lar enamorado junto à sua esposa, guiando ao pequeno Jesus entre virutas de taller para uma cruz de madeira ainda não talhada, naquele interminável Nazaret que não teve pressa para despedir ao Messias nas suas primeiras andanças.

Quantos foram os quadros de amor aos que Jesus pôde asomar-se? Mesmo além dos erros que cometemos os humanos quando não sabemos viver as coisas como nos as aponta Deus. Quantos os momentos de dor num sinfín de circunstâncias: entre o desprezo de quem não compreende, a injustiça do que abusa, a solidão de quem se isola ou é marginado, a doença que te impõe data de caducidade quando mais dói a vida, a morte que te desgarra arrebatando-te aos que mais queres. Todos esses quadros de amores e dores os pôde ver Jesus com os seus próprios olhos luminosos e os acariciou com as suas mãos bondosas, fazendo seus os sentimentos tecidos de saudades que se abrem à confiança que nunca nos defrauda.

Efectivamente, não existiu choro das pessoas que ele encontrou que não discorresse pelo sulco das suas próprias lágrimas, como tampouco se aproximou à festa humana na que Ele não achasse o motivo do seu brinde e algazarra, verdadeiramente humano sem deixar de ser verdadeiramente divino, pondo no rosto do mesmo Deus o rictus do nosso dor.

Sacando forças onde já não lhe ficavam, teve a ocasião de gritar pela última vez com toda a sua força, clamando com voz potente: não para maldição a sua deriva, não para blasfemar pela sua sorte, não para inculpar aos demais de uma condenação indevida, mas para devolver a quem lhe deu tudo o que dele recebeu. «Pai, às tuas mãos encomendo o meu espírito.» E dito isso, expirou. Foram as suas últimas palavras.

EPÍLOGO

Há um breve epílogo que vem a ser como a oitava palavra inacabada, uma palavra na eterna alborada.

Porque tras as sete palavras de Jesus na cruz, não se fez o silêncio como mutismo nos seus lábios, nem tampouco a sua ausência mortecina selou um escuro e fatal vazio num sepulcro qualquer. Foi mais bem um silêncio eloquente e uma ausência ardente, porque aquelas palavras de vida que nos foi deixando como precioso testamento seguir-se-ão escutando através dos séculos, em cada geração, como o eco do Evangelho acolhido por tantos homens e mulheres que se farão os seus ouvintes.

A repentina ausência, tras depositar o seu corpo no sepulcro, trocar-se-á em presença ressuscitada, como ícone da sua beleza nunca murcha, que embelesará a quem a ela se asomem com adoração enamorada.

Não, não foi a mudez nem a escuridão o que veio depois de baixar da cruz, recolhido por Maria, por João, por José de Arimateia e pelas piedosas mulheres. Aqueles quase 33 anos seguiram soando no tempo de cada idade e na história de cada recanto humano. É o relato de algo que continua sucedendo, porque Deus segue dando a sua vida e acompanhando a nossa como faz 20 séculos, como desde toda a eternidade e para sempre.

Acaso se chamará de outro modo a traição dos Judas modernos que amanharão com o seu beijo a triste recompensa de trinta moedas pela sua deriva fatal? Distinto aparecerá o horto de Getsemaní, no que entre suores de sangue e sonolências distraídas se voltará a apresar a um Deus inocente. Serão outras as lágrimas dos Pedros que verterão nos pátios da indiferença ou da fobia contra Cristo. Os Caifases, os Pilatos e os Barrabases seguirão saindo à cena, cada qual com a sua cobardia, o seu aproveitamento ou a sua insídia. E outro nome levará a via dolorosa na que repetirão blasfemos o seu «crucifica-o» quem entregados diziam dias antes os seus hosannas pela via.

Mas serão únicos quem, como Maria e João, estejam ao pé da cruz de cada crucificado, ao pé daquela cruz, a do crucificado que hoje estamos venerando nesta praça de Valladolid.

Queridos amigos e irmãos, nos dispomos a clausurar. Somos os ouvintes destas sete palavras e as guardamos como fez Maria no hondón da sua entraña, no cofre do nosso coração. Dos latidos do coração de Cristo vivem os nossos pálpitos cristãos. E nesta história inacabada, nós seguimos escrevendo a página assignada à nossa biografia.

As suas sete palavras seguem contando nos nossos lábios o que neles Deus continua narrando, assim como com as nossas pequenas mãos Ele segue amassando e repartindo um mundo novo que faz as contas com a beleza, a bondade e a verdade de Deus. O seu eterno sonho de amor, infinitamente maior que as nossas fugazes pesadelas todas.

A nós agora toca a palavra oitava e as seguintes. Tras as sete que proferiu Jesus nosso Senhor, nascemos para uma palavra que eternamente Deus silenciou para ma dizer a mim e para a contar comigo. Nascemos para um dom que eternamente Deus reteve para mo dar a mim e para o repartir comigo.

Temos a palavra. Que Deus vos guarde e vos bendiga sempre. Paz e bem.

Amém.

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