Por Joseph R. Wood
Esta é a semana em que contemplamos, mais do que em qualquer outra semana, o quanto somos amados.
Esta é a semana em que as palavras do Evangelho de João, de que nos é «dado poder para nos tornarmos filhos de Deus», alcançam sua plenitude.
Esta é a semana em que nos é devolvida a possibilidade de ter uma grande alma.
Deus é amor, afirma São João. Na Última Ceia, Cristo nos diz repetidamente que o amemos conhecendo seus mandamentos e cumprindo-os. Tal é a pessoa que «me ama, e quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele… Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei».
Esse enfático chamado ao amor enquanto Cristo se prepara para sofrer segue a seu ensino após sua entrada em Jerusalém. Ao ser perguntado qual é o mandamento maior, Ele responde: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas».
Cristo veio cumprir a lei em cada um de seus detalhes, a lei que é amor.
Das três virtudes teologais que nos devem ser dadas por graça —fé, esperança e amor—, São Paulo nos diz que o amor é o maior.
Se Deus é amor, e os mandamentos fundamentais são o amor a Deus e aos outros, então todo pecado deve ser um fracasso em amar bem, um amor ausente ou mal dirigido que murcha nossa alma.
O Cristo crucificado viu cada pecador de toda a história, e se tornou cada pecado, em cada fracasso de todos os tempos em amar devidamente o nosso próximo —atos de roubo, assassinato, adultério, mentiras, injustiça contra os pais— e em cada fracasso em amar a Deus como fomos criados para amá-lo.
Todos esses fracassos derivam do pecado original que dividiu o divino e sobrenatural do humano e natural, separando nosso logos ou razão humana do Logos mesmo.
Após aquela catástrofe, mas sem a revelação divina, os filósofos raciocinaram sobre o que implicaria uma vida humana excelente. Sócrates, Platão e Aristóteles identificaram as excelências da prudência, da justiça, da fortaleza e da temperança.
Esses hábitos permitem uma vida boa em termos humanos ou naturais, e são o resultado de uma razão retamente ordenada. Os falhos nessas virtudes derivam de falhos da razão ou da prudência, falhos seja por não conhecer a realidade ou por não agir de acordo com ela. A prudência, escreve Josef Pieper, é a mãe e guia das outras três virtudes. Sem prudência, uma pessoa não pode ser justa, nem valente, nem moderada.
Aristóteles descreveu também a virtude da magnanimidade, ou a grandeza de alma. O homem magnânimo está insatisfeito com os logros modestos. Não lhe preocupa o dinheiro, mas especialmente as «questões de honra e desonra». Deseja os mais altos honores que sua comunidade possa oferecer, porque os merece com razão por sua grande ação.
Ele sabe que está feito para ser grande.
Os filósofos se perguntaram o que Aristóteles quis dizer, ou se falava a sério, ou mesmo se ele escreveu realmente esses trechos. E o próprio Aristóteles está perplexo. «Pois repreendemos a pessoa ambiciosa, com base em que aspira a obter mais do que deve». Consideramos algumas pessoas como excessivamente ambiciosas quando buscam honras maiores do que suas almas merecem. «Repreendemos a pessoa carente de ambição, com base em que escolhe não ser honrada [nem mesmo por] o que é nobre». Ela se anula a si mesma de forma errônea.
No entanto, «às vezes elogiamos a pessoa ambiciosa por ser viril e amante do nobre, e elogiarmos a pessoa sem ambição como moderada e temperante». Aristóteles parece concluir que nosso discurso e opinião sobre a ambição são confusos. Devemos desejar coisas grandes na proporção adequada à grandeza de nossas almas, mas não logramos fazer com que nossos elogios e repreensões sobre essa grandeza sejam coerentes e claros.
Meu pároco, o P. Paul Scalia, pregou recentemente sobre a «santa ambição», duas palavras cuja associação poderíamos encontrar tão confusa quanto seria para Aristóteles. Ele se referia, creio, a que se supõe que devemos ser ambiciosos de uma verdadeira grandeza de alma.
A pessoa de alma verdadeiramente grande, afirma Aristóteles, «seria a melhor… e digna das coisas maiores. Ele… deve ser bom, e o que é grande em cada virtude pareceria pertencer ao homem de alma grande». O homem magnânimo possui todas as excelências humanas de prudência, justiça, fortaleza e temperança. Mas isso não basta para a santa ambição.
A confusão sobre a ambição se resolve esta semana, quando as virtudes sobrenaturais e naturais —o amor divino e a prudência humana entendida pela razão— se reconciliam como Deus e homem. Isso só acontece com um ato de amor, um ato de um amor tão grande que só Deus poderia realizá-lo.
Josef Pieper escreve que o cristianismo esclarece a «preeminência da caridade sobre a prudência… É um acontecimento insondável de qualquer modo natural… Todas as nossas obras são elevadas pela caridade a um plano que de outro modo seria inalcançável e totalmente inacessível». Assim, poderíamos perdoar a Aristóteles sua confusão.
O sofrimento de Cristo abre o caminho para que exerçamos nosso poder de nos tornarmos filhos de Deus, através do amor. Seu sofrimento torna concebível que vivamos nesse plano superior, que vivamos, como diz São Carlos de Foucauld, «somente no pensamento do amor de Deus… nas alturas». Viver as esperanças das Bem-Aventuranças, onde a humildade é a chave da grandeza.
Esta é a semana para a grandeza de alma, para nossa deificação (theosis) da qual falam as igrejas orientais, para sermos tão divinos como estamos destinados a ser. Um tempo, como diz São John Henry Newman sobre a nobreza de nossa fé, para ter o coração de ousar algo.
A Semana Santa é a semana da santa e alta ambição.
Acerca do autor
Joseph Wood é professor assistente colegiado na Escola de Filosofia da Universidade Católica da América. É um filósofo peregrino e um eremita de fácil acesso.