A Semana Santa de Durango não sairá este ano para as ruas. Pela primeira vez em quatro décadas, a Cofradía de la Vera Cruz suspendeu as procissões devido à falta de relevo geracional, uma situação que se agravava há anos.
Segundo recordam os meios locais, a decisão afeta uma tradição com raízes documentadas desde 1435, considerada a mais antiga de Bizkaia.
Uma tradição centenária que se interrompe
A Cofradía de la Vera Cruz tem sido durante séculos o eixo da Semana Santa no município vizcaíno. Na sua etapa contemporânea, havia conseguido manter-se ativa durante as últimas décadas, mas o descenso progressivo de participantes terminou por impedir a organização das procissões.
A suspensão deste ano supõe um facto inédito na memória recente da localidade.
Falta de relevo e dependência de novos participantes
Responsáveis da cofradía assinalam que a crise não é recente, embora nesta ocasião tenha alcançado um ponto definitivo. Nos últimos anos, a continuidade das procissões dependia em grande medida da participação de pessoas procedentes de outros países.
Segundo explica um dos seus membros veteranos, sem a colaboração de pessoas originárias do Equador, Colômbia ou Senegal, as procissões não teriam podido celebrar-se durante a última década, devido à escassa participação local.
Do impulso inicial ao declínio progressivo
A etapa moderna da Semana Santa em Durango esteve marcada pelo impulso do sacerdote conhecido como Padre Zabala, que promoveu a implicação de distintos coletivos para sustentar a tradição.
Durante anos, a organização apoiou-se em grupos vinculados a diferentes regiões, o que permitiu manter a atividade. No entanto, após o seu falecimento, a participação foi diminuindo de forma gradual.
A falta de carregadores levou mesmo a introduzir rodas nos passos há aproximadamente uma década, uma medida que permitiu prolongar as procissões, mas que não evitou a sua suspensão atual.
Contraste com San Sebastián
A situação de Durango coincide no tempo com iniciativas distintas em localidades próximas. Em San Sebastián, por exemplo, impulsionou-se recentemente a recuperação das procissões de Semana Santa após mais de seis décadas sem se celebrarem.
Segundo relatou o pároco da Catedral del Buen Pastor, Jon Molina, a Infovaticana, a iniciativa conseguiu reunir várias centenas de participantes, o que permitiu organizar novamente estes atos na capital guipuzcoana.
Incerteza sobre o futuro
A suspensão deste ano abre interrogações sobre a continuidade da tradição em Durango. Desde a cofradía mantém-se a expectativa de que no futuro possa retomar-se a atividade se se produzir um relevo suficiente.
Embora as procissões não se celebrem, está previsto que tenha lugar o Vía Crucis da Sexta-Feira Santa, que percorrerá o trajeto entre Santa Ana e Tabira.
Por enquanto, a Semana Santa em Durango desenvolver-se-á sem os seus tradicionais desfiles processionais, à espera de uma possível reativação em próximos anos.