DIA OCTAVO. São José, mestre de vida interior

Por: Monsenhor Alberto José González Chaves

DIA OCTAVO. São José, mestre de vida interior

Oração ao Pai

Pai eterno, fonte de toda luz e de toda paternidade no céu e na terra:
teu Verbo feito carne, Jesus Cristo nosso Senhor, quis aprender a obedecer e amar
no silêncio do lar de Nazaré,
sob o olhar vigilante e humilde de José, teu servo fiel.
Tu quiseste confiar a este varão justo as duas maravilhas maiores do teu amor:
Jesus, teu Filho amado, e Maria, a cheia de graça.
Faze que, ao contemplar sua fé sem ruído, sua obediência pronta,
sua fortaleza escondida e seu coração limpo e fiel,
aprendamos também nós a viver o Evangelho na simplicidade de cada dia,
a custodiar a graça recebida
e a perseverar no bem mesmo quando a noite parece longa.
Teu Filho quis viver sujeito a José na terra,
porque neste santo Patriarca puseste um mistério de paternidade espiritual
para toda a tua Igreja.
Concede-nos, pois, que ao nos aproximarmos dele com confiança filial
aprendamos a fidelidade escondida de Nazaré,
a obediência pronta à tua vontade
e o amor silencioso que sustenta a vida cristã.
Por Jesus Cristo, teu Filho,
que quis viver submetido à autoridade terrena do carpinteiro de Nazaré
e amá-lo com amor filial.
Amém.

Invocação ao Espírito Santo

Vem, Espírito Santo, luz suave que encheu de graça a casa de Nazaré.
Forma em nós o Coração de Cristo segundo o modelo forte e fiel de São José,
para que aprendamos dele a obediência silenciosa,
a pureza da alma e a fidelidade que não se cansa.

Tu que inspiraste a Teresa de Jesus um amor tão grande a este glorioso Patriarca, acende também em nós esse mesmo afeto filial,
para que experimentemos o que ela mesma afirmava com tanta simplicidade e firmeza:

«Tomei por advogado e senhor o glorioso São José, e encomendei-me muito a ele…
não me lembro até agora de ter-lhe suplicado algo que ele não tenha feito.»

Amém.

Meditação do dia

José bendito, quando a alma contempla tua figura à luz do Evangelho, há um traço de tua vida que impressiona com uma força particular: teu silêncio. O Evangelho não conserva uma única palavra tua; e, no entanto, tua presença atravessa toda a infância de Jesus com uma autoridade tranquila e uma fidelidade que o enche tudo. Esse silêncio não é ausência nem vazio; é o silêncio cheio de Deus que caracteriza as almas profundamente unidas a Ele. Teu silêncio, José, nasce de uma plenitude: a de quem vive continuamente na presença de Deus e não precisa se explicar porque toda a sua vida é já uma resposta à vontade divina.

Teresa de Jesus, que conhecia bem o caminho da oração e que experimentou tantas vezes tua proteção, dizia com uma convicção cheia de experiência: «Quem não hallar mestre que lhe ensine oração, tome este glorioso Santo por mestre, e não errará no caminho.» Dizia-o porque compreendia que tua vida inteira havia sido uma escola silenciosa de contemplação.

Viveste durante anos na companhia cotidiana de Jesus. Vê-lo crescer, ouvi-lo falar, observá-lo trabalhar na oficina e compartilhar contigo a simplicidade da vida diária. E nesse trato contínuo tua alma se ia enchendo de uma luz interior que não precisava de discursos. Tua oração foi tua vida toda: foi a obediência pronta quando Deus falou em sonhos; foi a vigilância amorosa com que protegeste o Menino; foi a fidelidade diária com que serviste a Jesus e a Maria na casa de Nazaré.

Nesse serviço humilde e constante teu coração se foi tornando cada vez mais recolhido, mais atento à presença de Deus, mais disponível para cumprir sua vontade. Por isso teu silêncio é um ensinamento. Em um mundo cheio de ruído, onde as palavras se multiplicam e o coração se dispersa facilmente, tua vida me recorda que a verdadeira oração não consiste só em dizer muitas coisas a Deus, mas em viver perto Dele, porque a vida interior começa quando a alma aprende a se recolher, a calar, a escutar.

Ensina-me tu, José, meu pai e senhor, essa arte difícil e preciosa do recolhimento; ensina-me a deter o coração quando as ocupações nos arrastam; a voltar o olhar a Deus em meio às minhas tarefas de cada dia; a descobrir sua presença no ordinário da vida; a guardar a Cristo dentro de mim como tu o guardaste na casa de Nazaré.

Assim minha alma será um pequeno Nazaré interior onde Jesus será amado, escutado e servido com fidelidade.

Dá-me um coração recolhido, capaz de viver na presença de Deus mesmo em meio ao trabalho e às preocupações; um coração humilde, que não busque experiências extraordinárias, mas a fidelidade simples de cada dia: assim minha alma começará a provar algo da paz do céu, porque viverá continuamente na companhia de Deus.

Oração conclusiva à Santíssima Virgem

Maria santíssima, Esposa fiel do glorioso Patriarca São José
e Mãe bendita de nosso Senhor Jesus Cristo:
tua vida esteve inseparavelmente unida à daquele varão justo
a quem Deus confiou o cuidado de teus dias e a custódia do Filho eterno feito Menino.

Tu conheceste melhor que ninguém a nobreza silenciosa de José:
sua fé sem ruído, sua obediência pronta, seu coração limpo,
seu trabalho humilde na oficina de Nazaré,
sua vigilância amorosa sobre o Menino que dormia sob vosso teto.

Tu viste como, dia após dia,
sustentava a vida da Sagrada Família com o esforço de suas mãos;
como velava por vós nas noites incertas;
como obedecia à voz de Deus
mesmo quando o caminho se abria entre sombras.

E junto a ele viveste Tu mesma essa vida escondida que o mundo mal conhece,
mas que o céu contempla com admiração:
vida de oração profunda e trabalho humilde,
de mortificação silenciosa e fidelidade constante ao desígnio de Deus.

Ensina-nos, Mãe Imaculada, a amar essa vida escondida de Nazaré;
a descobrir a grandeza do pequeno,
a fecundidade do sacrifício silencioso
e a paz que nasce de viver inteiramente para Deus.

Ó Maria, quanto te amou José e quanto se alegrava seu coração ao te servir;
por isso hoje, com delicadeza humilde, nos conduz a Ti.
Porque o coração de José, tão forte e tão nobre,
sabe que ninguém se aproxima de Jesus com maior segurança que de tua mão.

Por isso recorremos hoje a Ti com confiança filial:
ensina-nos a ir a José com amor;
faz que aprendamos a refugiar-nos sob seu patrocínio,
a confiar em sua intercessão poderosa e a imitar a fidelidade de sua vida.

Que doce porfia!:
José, com elegante cavalheirismo, nos conduz para Ti;
Tu, com sabedoria esponsal, nos levas a José;
e ambos, com ternura de pais, nos colocais sempre com Jesus.

Que, tomados de vossas mãos unidas,
aprendamos a amar cada vez mais ao Senhor
e a desejar com toda a alma que seu reinado se estenda no mundo.

Faz, Maria, que o Coração de teu Filho reine em nossas vidas,
em nossas famílias e na Igreja inteira.
E que, sustentados por teu amor maternal e pela proteção do glorioso São José, vivamos sempre na fidelidade de Nazaré,
até o dia em que possamos contemplar para sempre a Jesus na glória do céu.
Amém.

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