DIA SÉTIMO. São José, consolo dos moribundos

Por: Monsenhor Alberto José González Chaves

DIA SÉTIMO. São José, consolo dos moribundos

Oração ao Pai

Pai eterno, fonte de toda luz e de toda paternidade no céu e na terra:
teu Verbo feito carne, Jesucristo nosso Senhor, quis aprender a obedecer e amar
no silêncio do lar de Nazaré,
sob o olhar vigilante e humilde de José, teu servo fiel.
Tu quiseste confiar a este varão justo as duas maravilhas maiores do teu amor:
Jesus, teu Filho amado, e Maria, a cheia de graça.
Faze que, ao contemplar sua fé sem alarde, sua obediência pronta,
sua força escondida e seu coração limpo e fiel,
aprendamos também nós a viver o Evangelho na simplicidade de cada dia,
a custodiar a graça recebida
e a perseverar no bem mesmo quando a noite parece longa.
Teu Filho quis viver sujeito a José na terra,
porque neste santo Patriarca puseste um mistério de paternidade espiritual
para toda a tua Igreja.
Concede-nos, pois, que ao nos aproximarmos dele com confiança filial
aprendamos a fidelidade escondida de Nazaré,
a obediência pronta à tua vontade
e o amor silencioso que sustenta a vida cristã.
Por Jesucristo, teu Filho,
que quis viver submetido à autoridade terrena do carpinteiro de Nazaré
e amá-lo com amor filial.
Amém.

Invocação ao Espírito Santo

Vem, Espírito Santo, luz suave que encheu de graça a casa de Nazaré.
Forma em nós o Coração de Cristo segundo o modelo forte e fiel de São José,
para que aprendamos dele a obediência silenciosa,
a pureza da alma e a fidelidade que não se cansa.

Tu que inspiraste a Teresa de Jesus um amor tão grande a este glorioso Patriarca, acende também em nós esse mesmo afeto filial,
para que experimentemos o que ela mesma afirmava com tanta simplicidade e firmeza:

«Tomei por advogado e senhor o glorioso São José, e encomendei-me muito a ele…
não me lembro até agora de ter-lhe suplicado algo que ele não tenha feito.»

Amém.

Meditação do dia

José bendito, a Igreja te invoca há séculos como patrono da boa morte; e esta confiança não nasce somente de uma devoção piedosa, mas da profunda lógica espiritual que se descobre ao contemplar tua vida. Porque se tua existência transcorreu na fidelidade silenciosa de Nazaré, tua morte devia ser também uma morte cheia de paz: uma morte iluminada pela presença de Jesus e pela ternura de Maria, aqueles a quem havias servido com amor constante durante toda tua vida.

A tradição cristã contempla com emoção esse momento final. Depois de tantos anos de trabalho humilde, de vigilância silenciosa e de fidelidade cotidiana, chegava a hora de descansar em Deus. E ali estavam contigo Aqueles a quem havias cuidado com tanta solicitude: o Filho de Deus, que havia querido chamar-te pai na terra, e a Virgem santíssima, tua esposa toda pura, que havia compartilhado contigo a missão escondida de Nazaré. Não é difícil imaginar a serenidade desse instante.

Tu havias vivido sempre na vontade de Deus; havias aceitado cada acontecimento com obediência confiada; havias percorrido o caminho de tua vida com essa fidelidade discreta que não busca aplausos, mas que é preciosa aos olhos do céu. Por isso tua morte aparece ante os cristãos como uma imagem luminosa do que significa morrer na amizade de Deus.

Porque a morte, para quem viveu na graça, não é um fracasso nem uma derrota; é o passo definitivo para a casa do Pai, o momento em que a alma deixa para trás as fadigas da terra e entra na paz eterna.

No entanto, José bendito, sabemos bem que o coração humano treme ante esse passo. A doença, a fraqueza do corpo, a incerteza dos últimos momentos, podem encher o espírito de inquietude; e muitas vezes a solidão acompanha os últimos dias da vida. Por isso a Igreja se volta para ti com tanta confiança.

Tu conheces o caminho para o Pai; tu sabes acompanhar a alma quando o medo se aproxima; tu podes sustentar o coração quando a esperança parece escurecer-se pelo sofrimento.

Acompanha, tu, José, pai e senhor, aqueles que sofrem a doença; consola os que atravessam a noite da dor; sustém aqueles que sentem que sua vida se aproxima do fim; permanece perto dos idosos que esperam com paciência o momento do encontro com Deus; visita os doentes que passam seus dias no silêncio de um quarto ou na incerteza de um hospital; dá serenidade àqueles que sentem temor ante o mistério da morte.

E quando chegar também para mim a hora definitiva, quando o caminho desta vida chegar ao seu termo e a alma tiver que se apresentar ante o Senhor, não me deixes sozinho: fica ao meu lado nesse momento; toma minha mão com a mesma firmeza com que guiavas o Menino Jesus pelas ruas de Nazaré, e conduze-me suavemente para o encontro com Deus.

Porque sei que quem viveu sob tua proteção não pode se perder, e que quem morre confiado em teu patrocínio entra com esperança na misericórdia do Pai.

Oração conclusiva à Santíssima Virgem

Maria santíssima, Esposa fiel do glorioso Patriarca São José
e Mãe bendita de nosso Senhor Jesucristo:
tua vida esteve inseparavelmente unida à daquele varão justo
a quem Deus confiou o cuidado de teus dias e a custódia do Filho eterno feito Menino.

Tu conheceste melhor que ninguém a nobreza silenciosa de José:
sua fé sem alarde, sua obediência pronta, seu coração limpo,
seu trabalho humilde na oficina de Nazaré,
sua vigilância amorosa sobre o Menino que dormia sob vosso teto.

Tu viste como, dia após dia,
sustentava a vida da Sagrada Família com o esforço de suas mãos;
como velava por vós nas noites incertas;
como obedecia à voz de Deus
mesmo quando o caminho se abria entre sombras.

E junto a ele viveste Tu mesma essa vida escondida que o mundo mal conhece,
mas que o céu contempla com admiração:
vida de oração profunda e trabalho humilde,
de mortificação silenciosa e fidelidade constante ao desígnio de Deus.

Ensina-nos, Mãe Imaculada, a amar essa vida escondida de Nazaré;
a descobrir a grandeza do pequeno,
a fecundidade do sacrifício silencioso
e a paz que nasce de viver inteiramente para Deus.

Ó Maria, quanto te amou José e quanto se alegrava seu coração ao servir-te;
por isso hoje, com delicadeza humilde, nos conduz a Ti.
Porque o coração de José, tão forte e tão nobre,
sabe que ninguém se aproxima de Jesus com maior segurança que de tua mão.

Por isso acorremos hoje a Ti com confiança filial:
ensina-nos a ir a José com amor;
faz que aprendamos a refugiar-nos sob seu patrocínio,
a confiar em sua intercessão poderosa e a imitar a fidelidade de sua vida.

Que doce porfia!:
José, com elegante cavalheirismo, nos conduz para Ti;
Tu, com sabedoria esponsal, nos levas a José;
e ambos, com ternura de pais, nos colocais sempre com Jesus.

Que, tomados de vossas mãos unidas,
aprendamos a amar cada vez mais ao Senhor
e a desejar com toda a alma que seu reinado se estenda no mundo.

Faz, Maria, que o Coração de teu Filho reine em nossas vidas,
em nossas famílias e na Igreja inteira.
E que, sustentados por teu amor maternal e pela proteção do glorioso São José,
vivamos sempre na fidelidade de Nazaré,
até o dia em que possamos contemplar para sempre a Jesus na glória do céu.
Amém.

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