Por que a confissão é necessária?

Uma explicação de Bento XIV

Por que a confissão é necessária?

¿Por que recorrer à confissão se Deus pode perdoar diretamente no coração? Esta pergunta, frequente entre muitos católicos, foi respondida com clareza por Benedicto XVI durante uma visita à prisão romana de Rebibbia em 2011, em uma explicação que ganha sentido especial durante o tempo de Quaresma, marcado pela conversão e reconciliação.

De acordo com ACI Prensa, o então Pontífice respondeu à pergunta de um preso chamado Gianni, que planteou uma dúvida comum: se uma pessoa pede perdão a Deus em particular, por que é necessária a absolução através de um sacerdote?

Deus perdoa quem se arrepende de coração

Benedicto XVI começou sua resposta reconhecendo que Deus concede o perdão quando existe um arrependimento sincero. O Papa explicou que a doutrina constante da Igreja ensina que quem se arrepende verdadeiramente, não só por medo ao castigo, mas por amor ao bem e a Deus, recebe o perdão divino.

“Se alguém, com verdadeiro arrependimento, pede perdão, recebe o perdão de Deus”, afirmou o Pontífice. Este arrependimento implica reconhecer o mal cometido, recuperar o amor ao bem e dirigir-se a Deus para pedir sua misericórdia.

O pecado tem também uma dimensão social

No entanto, Benedicto XVI sublinhou que o pecado não é unicamente uma questão privada entre a pessoa e Deus. Segundo explicou, o pecado possui também uma dimensão social, já que afeta a comunhão da Igreja e, de algum modo, a humanidade inteira.

Mesmo quando um pecado permanece oculto, assinalou o Papa, danifica a comunhão eclesial. Por isso, a reconciliação não pode limitar-se a um ato interior, mas requer também uma restauração visível dentro da comunidade.

O sacramento restabelece a comunhão com a Igreja

Neste sentido, o Papa emérito explicou que o Sacramento da Penitência permite não só receber o perdão de Deus, mas também ser plenamente reintegrado na comunidade da Igreja.

Através da confissão sacramental, o fiel pode libertar-se realmente do pecado e receber a absolução em nome de Cristo. Segundo Benedicto XVI, a intervenção do sacerdote não é uma limitação da misericórdia divina, mas uma expressão concreta dela.

“O sacramento é o grande dom mediante o qual posso receber o perdão e recomeçar de novo”, explicou o Pontífice.

Uma reconciliação com Deus e com a Igreja

Benedicto XVI animou finalmente a compreender a confissão tendo em conta duas dimensões complementares: a relação vertical com Deus e a relação horizontal com a Igreja e a humanidade.

A absolução sacramental, explicou, permite ao crente receber de maneira tangível a certeza do perdão e ser plenamente readmitido na comunidade dos filhos de Deus.

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