O Vaticano confirmou a culpa do padre argentino Damián Rodríguez Alcobendas, pertencente à diocese de San Isidro —província de Buenos Aires—, por abuso sexual contra um menor. Assim o comunicou oficialmente o Obispado de San Isidro no passado 2 de março de 2026.
Segundo informou a diocese, o Colégio para o Exame dos Recursos em Matéria de Delitos Graves da Santa Sé rejeitou o recurso apresentado pelo presbítero e ratificou a sentença proferida no processo administrativo penal canônico iniciado contra ele, confirmando que o padre cometeu um “delito grave contra o sexto mandamento com um menor”.

Proibição perpétua de cargos eclesiásticos
A Santa Sé ratificou a pena de proibição perpétua para exercer qualquer ofício eclesiástico ou função diretiva ou administrativa em paróquias, seminários ou instituições vinculadas. Em termos práticos, Rodríguez Alcobendas não poderá voltar a ser pároco nem ocupar cargos de responsabilidade dentro da Igreja.
Tampouco poderá desempenhar funções dependentes de autoridades eclesiásticas nem exercer o magistério em áreas teológicas ou pastorais. Da mesma forma, tem proibido receber encargos de tutoria ou assessoria de menores de idade em qualquer âmbito.
Suspensão pública do ministério durante cinco anos
Além da proibição perpétua de cargos, o Vaticano estabeleceu a pena de cinco anos sem poder exercer publicamente o ministério sacerdotal. Durante esse período, não poderá celebrar missa em público, administrar sacramentos, confessar nem participar como padre em atos eclesiais. Somente poderá celebrar a missa de maneira privada e individual.
O decreto inclui um preceito penal que estabelece que, se descumprir essas condições, será sancionado com a demissão do estado clerical, ou seja, a expulsão definitiva do sacerdócio.
Antecedentes do caso na Argentina
Rodríguez Alcobendas, conhecido na diocese como “padre Damián”, foi durante anos pároco da Paróquia Sagrada Família de Nordelta —uma zona residencial do partido de Tigre— e capelão em vários colégios católicos do complexo.
Os fatos pelos quais foi condenado ocorreram entre 2003 e 2004 e foram denunciados quase vinte anos depois, unicamente no âmbito eclesiástico. A causa não prosperou na justiça civil argentina devido à prescrição do delito, mas sim avançou na via canônica até chegar à instância de recurso ante a Santa Sé.
Em seu comunicado, o Obispado de San Isidro expressou sua proximidade com a vítima, pediu perdão pela dor causada e reafirmou seu compromisso de escutar, acompanhar e atuar com responsabilidade ante os casos de abuso.