A Conferência Episcopal Espanhola (CEE) prevê a criação de um departamento dedicado ao diálogo cristão-islâmico, que ficará integrado na Subcomissão para as Relações Interconfessionais e o Diálogo Inter-religioso, segundo informa Revista Ecclesia.
Uma iniciativa em trâmite dentro da CEE
O projeto já foi estudado pela Comissão Executiva da Conferência Episcopal e deverá ser examinado em breve pela Comissão Permanente para sua aprovação definitiva. O anúncio foi realizado por monsenhor Adolfo González Montes, bispo emérito de Almería e membro da subcomissão responsável por essas matérias.
Segundo explicou o prelado, o futuro departamento terá como missão oferecer um quadro estável para o discernimento e a promoção de iniciativas de relação e cooperação entre cristãos e muçulmanos, assim como para o abordaje conjunto de questões de interesse comum.
Anúncio durante uma visita institucional à Mesquita Central de Madrid
O anúncio ocorreu no contexto da visita dos delegados e secretários de Relações Interconfessionais, que celebram nestes dias suas jornadas nacionais de formação, à Mesquita Central de Madrid. O encontro teve lugar por ocasião da Jornada da Fraternidade Humana, que se comemora todos os anos em 4 de fevereiro.
A visita teve caráter institucional e desenvolveu-se como um encontro de diálogo entre representantes da Igreja católica e da comunidade muçulmana na Espanha.
Participação de representantes muçulmanos
No encontro participaram, entre outros, o presidente da Comissão Islâmica da Espanha, Ayman Adlbi, e seu secretário, Mohamed Ajana, assim como vários imãs e membros da comunidade muçulmana de Madrid.

Também esteve presente Taha Ali, imã da Mesquita Central de Madrid e membro do Observatório de Al-Azhar, organismo dedicado à prevenção do extremismo e à promoção do diálogo inter-religioso.
Referências comuns e defesa da dignidade humana
Durante sua intervenção, monsenhor González Montes sublinhou que cristãos e muçulmanos compartilham a referência a Abrahán, a fé em um único Deus e o reconhecimento da dignidade do ser humano como criatura de Deus.
Neste contexto, animou a unir esforços na defesa da dignidade da pessoa, dos direitos fundamentais e da vida humana, assim como a denunciar tudo aquilo que atente contra essa dignidade.