O regime venezuelano devolve o passaporte ao cardeal Porras

O regime venezuelano devolve o passaporte ao cardeal Porras

O cardeal Baltazar Porras, arcebispo emérito de Caracas, recuperou seu passaporte venezuelano um mês e meio após o regime o anular e lhe impedir de sair do país. A restituição do documento ocorreu na última sexta-feira, segundo informa The Pillar, após semanas de gestões e pressões diplomáticas.

Retirada do passaporte após denunciar violações de direitos humanos

Ao cardeal Porras foi impedido de abandonar a Venezuela em 10 de dezembro, após ter pedido publicamente a libertação de presos políticos e denunciar a situação dos direitos humanos no país. Desde então, as autoridades venezuelanas lhe teriam proibido de viajar ao exterior.

O próprio purpurado confirmou a devolução do passaporte por meio de uma publicação em sua conta no Instagram, na qual escreveu: “Hoje novamente com meu passaporte, após cumprir os procedimentos regulares como cidadão”.

Pressões diplomáticas e gestões perante a Santa Sé

Segundo diversas fontes diplomáticas e de Caracas citadas por The Pillar, a situação do cardeal foi abordada em conversas entre várias delegações diplomáticas e a Secretaria de Estado do Vaticano nas últimas semanas. As fontes asseguram que distintas representações estrangeiras pressionaram o regime venezuelano para permitir que Porras pudesse voltar a viajar como gesto de boa vontade.

Embora o cardeal tenha sido objeto de ameaças durante décadas, a pressão sobre ele se intensificou após a canonização dos dois primeiros santos venezuelanos, em outubro passado. Durante um ato em Roma, Porras qualificou então a situação do país como “moralmente inaceitável”.

Restrições prévias a seus deslocamentos pastorais

Após essas declarações, as autoridades venezuelanas lhe impediram de viajar a Isnotú, localidade natal de um dos novos santos, onde estava previsto que celebrasse uma Missa. Segundo relatou o próprio cardeal, foi bloqueado inicialmente no aeroporto de Caracas e, mais tarde, obrigado a regressar à capital após tentar continuar o trajeto por terra.

Em 10 de dezembro, quando se preparava para voar a Madrid para participar de um ato no qual ia ser nomeado Protetor da Ordem Militar e Hospitalar de San Lázaro de Jerusalém, foi retido durante duas horas no aeroporto internacional Simón Bolívar. Segundo uma fonte próxima citada por The Pillar, foi ameaçado, submetido a controles com cães antidrogas e lhe anularam o passaporte no ato.

Em um comunicado dirigido aos bispos venezuelanos, Porras afirmou que um funcionário lhe informou de que figurava como “falecido” no sistema de passaportes. Também denunciou que foi obrigado a assinar um documento que justificava a proibição de viajar por um suposto incumprimento da normativa e que foi ameaçado com prisão.

Um gesto em um contexto político cambiante

A devolução do passaporte ocorre quatro semanas após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro por parte dos Estados Unidos. Desde então, o regime venezuelano libertou mais de 200 presos políticos e registraram-se protestos estudantis sem repressão violenta, algo incomum nas últimas décadas.

Além disso, alguns dirigentes políticos e ativistas saíram da clandestinidade e certos meios de comunicação começaram a reduzir a autocensura. Neste novo contexto, o papa Leão XIV recebeu em audiência privada no passado 12 de janeiro à líder opositora e Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado, um gesto sem precedentes durante o pontificado anterior.

Ajude a Infovaticana a continuar informando