Por David G. Bonagura, Jr.
A Semana das Escolas Católicas, como outros acontecimentos e festas do ano da Igreja, tem duas dimensões. Uma recorda o próprio acontecimento: neste caso, a multidão de bênçãos que as escolas católicas oferecem aos fiéis e às comunidades que as rodeiam. A segunda é externa: as forças que rodeiam, ou até ameaçam, o acontecimento. Durante décadas, o clero e os educadores católicos têm sentido constantemente a ameaça de uma realidade iminente: o fechamento de escolas devido à baixa matrícula, sinal de tempos infiéis.
A esta ameaça de décadas soma-se agora uma nova e sedutora: a disponibilidade massiva da inteligência artificial (AI). A preocupação principal não é o que as escolas farão para evitar que os alunos usem a AI para realizar suas tarefas (embora este seja um problema grave), nem o temor de que os jovens especialistas em AI já não precisem das escolas (eles precisarão). A questão é mais profunda e toca o núcleo da missão das escolas católicas: a AI e as pressões associadas mudarão a natureza da educação católica?
Quanto mais a tecnologia se desenvolve, com a AI como sua última iteração, mais nos tornamos desconectados de nós mesmos e das realidades naturais. A tecnologia, e a ideologia do progresso que hoje a impulsiona, nos engana fazendo-nos acreditar que somos mestres poderosos que pressionam botões para satisfazer seus desejos. A educação, sob esta influência, serve como treinamento tecnológico. Os dispositivos tecnológicos são ferramentas; os seres humanos ficam reduzidos a usuários de ferramentas cuja função é contribuir para o crescimento econômico da nação.
As escolas católicas rejeitam esta visão instrumentalizada da educação —embora os visitantes de hoje possam se confundir ao ver até mesmo crianças pequenas grudadas em Chromebooks e realizando constantemente avaliações digitais—.
As escolas católicas não existem para ensinar aos alunos a aproveitar a inteligência artificial nem qualquer outra forma de tecnologia. Existem para cultivar a inteligência santa em seus alunos.
A felicidade, escreveu Aristóteles, é o fim da vida humana, um sentimento que a maioria das pessoas, religiosas ou seculares, afirma. Mas onde se encontra a felicidade? Iluminado pelo Evangelho, São Agostinho esclareceu que «Deus é a fonte de nossa felicidade, o fim de todo desejo» (A Cidade de Deus X,3). As escolas católicas existem para conduzir os alunos a Deus, para que sejam felizes e aprendam a dirigir seus desejos para o céu.
A inteligência refere-se à capacidade de compreender. A inteligência artificial é a simulação computacional da inteligência humana. Na realidade, a AI não compreende; calcula e prediz com base nos dados que contém em seu sistema. Certamente, seu alcance, velocidade e potência são notáveis. Mas a AI é, em sua raiz, precisamente isso: artificial, ou seja, feita pelo homem e, portanto, uma ferramenta de seus criadores.
A inteligência santa compreende as coisas à luz de Deus. Os católicos vemos todas as realidades —naturais, matemáticas, históricas, científicas— como tendo um lugar na ordem aparentemente ilimitada que Deus criou e dispôs «com medida, número e peso» (Sabedoria 11,20).
As escolas católicas certamente ensinam aos alunos a adquirir habilidades que o mundo exige: aritmética, escrita, leitura, datilografia. Também ensinam conhecimentos essenciais: geografia, história, ciência, religião. Mas as escolas católicas fazem mais que isso. Orientam todas essas realidades dentro do plano salvífico de Deus. Algumas se encaixam com maior facilidade que outras —o mal e o sofrimento são os proverbiais pregos quadrados—, mas todas têm um lugar, mesmo quando o «por quê» fica além de nossa plena compreensão.
A inteligência santa não é inata. Deus a concede mediante o Batismo; é um dos sete dons do Espírito Santo. Mas a inteligência santa não pode funcionar adequadamente sem cultivo, tarefa, como se disse, das escolas católicas. Ao ensinar a seus alunos a fé, as verdades do mundo à luz da fé e, acima de tudo, a orar, as escolas católicas formam a mente e o coração das crianças para conhecer a Verdade que os torna livres.
A liberdade frente à desorientação gerada por um mundo tecnológico que proíbe as noções de Deus e de verdade objetiva é um dos maiores frutos da educação católica. A inteligência santa discerne a verdade do erro, assim como o modo de usar as novas tecnologias para fins bons. O poder aditivo da tecnologia e o acesso instantâneo ao mal têm escravizado a tantos, jovens e idosos. A inteligência santa permanece livre, em parte, porque sabe evitar essas tentações.
Hoje a inteligência santa não é apenas algo que deva ser desenvolvido nos alunos. É uma virtude requerida dos líderes das escolas católicas, que devem resistir aos cantos de sereia do «progresso» e do «atualizar-se» que exigem reformar os programas em torno da AI. Os líderes devem manter uma confiança firme na visão católica da educação, que presume de 2.000 anos de sucesso. A educação católica existe para formar discípulos de Jesus Cristo mediante a formação da mente e da alma dos alunos. As matérias acadêmicas tradicionais e a religião católica, não as ferramentas tecnológicas, são os meios para alcançar este objetivo.
Ao apresentar as escolas católicas aos pais de hoje, que quase todos se sentem desorientados sem saber como responder, os pastores e educadores podem oferecer esta política tecnológica (porque todas as escolas têm uma hoje em dia): «Não permitimos AI; nossos alunos usam HI —holy intelligence. Mediante este dom divino os alunos aprendem a verdade que é Deus, pois só Nele se encontra a felicidade».
À medida que mais pais e crianças se queimam por uma vida artificial, a inteligência santa se torna mais atraente. Se as escolas católicas puderem demonstrar sucesso em cultivar a HI enquanto rejeitam a AI, talvez também encontrem uma solução para essa outra ameaça: a baixa matrícula.
Sobre o autor
David G. Bonagura, Jr. é autor, mais recentemente, de 100 Tough Questions for Catholics: Common Obstacles to Faith Today, e tradutor de Jerome’s Tears: Letters to Friends in Mourning. Professor adjunto no Seminário São José e na Catholic International University, é editor de religião de The University Bookman, uma revista de resenhas de livros fundada em 1960 por Russell Kirk. Seu site pessoal está aqui.