Preceitos eternos para se orientar perante as coisas novedosas

Preceitos eternos para se orientar perante as coisas novedosas

Por David G. Bonagura, Jr.

¿Qué nova coisa, capaz de criar histeria, agitar Wall Street e obcecar os meios de comunicação, nos espera em 2026? Foi a COVID em 2020, ChatGPT em 2022, a IA generativa em 2023, DOGE em 2025. A próxima Coisa Nova é uma incógnita, mas se se parecer com suas predecessoras, acaparará nossa atenção e gerará novas ansiedades sobre como trastornará nossas vidas.

Hoje raramente percebemos essas Coisas Novas como provações enviadas por Deus para testar nossa fidelidade, e menos ainda como castigos pelo pecado. O Deus do Novo Testamento, nos dizem, é amoroso demais para isso.

Tais teorias “ilustradas” estão em desacordo com Santo Agostinho, que defendeu veementemente em A Cidade de Deus que Deus envia provações tanto aos bons quanto aos maus, não porque seja vingativo, mas porque dispôs o sofrimento como meio de crescimento espiritual. Durante a “catástrofe universal” que foi a queda do Império Romano, Agostinho afirmou que “os sofrimentos dos cristãos tenderam à sua melhoria moral, porque os contemplavam com os olhos da fé” (I,9).

Quando as Coisas Novas passam a fazer parte da vida ordinária, aprendemos que não são diferentes de qualquer outra coisa. O que fazem por nós, e a nós, depende de nossas atitudes em relação a elas e de como as usarmos. Bem podem ser provações ou castigos —se não para nossa cultura, sim para alguns de nós como indivíduos—. Os resultados negativos, infelizmente, são prováveis: as coisas novas nascem em um mundo debilitado pelo pecado e estão destinadas a seres humanos inclinados ao egoísmo. Uma Coisa Nova prometida para melhorar nossas vidas pode, paradoxalmente e simultaneamente, miná-las.

Agostinho, ao aconselhar os cidadãos da Cidade Celestial que ainda peregrinam na terra sobre como enfrentar os problemas mais recentes do mundo, não apelou à tecnologia nem aos influencers. Antes ofereceu um conselho eterno tomado da Bíblia, que contém as ferramentas que seus contemporâneos mais necessitavam. Enumerou-as no livro XV,6:

  1. «Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo» (Gálatas 6,2).
  2. «Exortai os ociosos, animai os pusilânimes, socorrei os fracos, sede pacientes para com todos. Vede que ninguém retribua a outro mal por mal» (1 Tessalonicenses 5,14-15).
  3. «Se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, os espirituais, restabelecê-lo-eis com espírito de mansidão; considerando-te a ti mesmo, para que não sejas também tentado» (Gálatas 6,1).
  4. «Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento» (Efésios 4,26).
  5. «Se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o a sós» (Mateus 18,15).
  6. «Aos que persistem em pecar, repreende-os na presença de todos, para que os demais temam» (1 Timóteo 5,20).

Esses passagens da Escritura ordenam três tipos de ação: autorregulação, correção moral do próximo e perdão. Apenas a primeira, na forma de dieta ou exercício, tem alguma esperança de entrar na lista de propósitos de Ano Novo do século XXI. Mas o grande bispo de Hipona viu o que nós, consumidos pelo mundo, não podemos: “Dão-se tantos preceitos sobre o perdão mútuo e o grande cuidado necessário para manter a paz” porque sem eles “ninguém poderá ver a Deus”.

Ver a Deus é o fim de nossa existência. Todas as outras coisas, incluindo os grandes bens da família, da vida religiosa e da caridade, estão ordenadas a esse fim. A autorregulação, a correção moral e o perdão, escreve Agostinho, são “o modo pelo qual os cidadãos da Cidade de Deus são restaurados à saúde enquanto peregrinam nesta terra, suspirando pela sua Pátria celestial”.

As Coisas Novas tendem a atuar na direção contrária e, portanto, podem ser perigosas: seu brilho nos atrai para elas. Em nosso desejo de possuí-las, afastamos o olhar de Deus e de seus Mandamentos. Assim foi com Adão e Eva diante da Árvore do Éden; assim somos nós diante da última Coisa Nova. Ao nos afastarmos de Deus, as Coisas Novas não geram paz, fruto do Espírito que nos permite ver a Deus. Criam angústia na alma. Quando reina a angústia, Deus parece ausente, pois o ansioso, embora sem saber, se colocou a si mesmo no lugar de Deus.

Como podemos acolher a Coisa Nova de 2026 como um meio para crescer na fé? Podemos colocar em prática o conselho bíblico de Agostinho.

Primeiro, regulamos estritamente nossa exposição às Coisas Novas. Nisto, São João Evangelista é mais incisivo que Agostinho: “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo —a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida— não provém do Pai, mas do mundo” (1 João 2,15-16).

Segundo, buscamos uma abordagem prudente para corrigir pacientemente aqueles que estão a nosso cargo e sucumbiram ao pecado. Os pais cuidam dos filhos, os familiares uns dos outros e os amigos dos amigos. Como se observou acima, São Mateus e São Paulo oferecem abordagens distintas sobre como deve ser feita a correção —em privado ou em público, para que outros aprendam—. Hoje, salvo que tenhamos um papel público como mestres ou pastores, o privado é a opção judiciosa.

Terceiro, praticamos o perdão: perdoamos aqueles que nos ofendem e pedimos perdão àqueles que ferimos. Não devemos nos preocupar com o mundo e com quem fez mal a quem: aí não temos controle. O lar e a família são o que verdadeiramente importa. Para que nossas famílias sejam centros de amor, temos que perdoar a nossos cônjuges, filhos, pais e irmãos —e pedir perdão quando necessário—.

Com o perdão vem a paz, e com a paz vemos a Deus. E quando o vemos com um coração cheio de fé e de amor, nenhuma Coisa Nova poderá nos arrancar Dele.

Sobre o autor

David G. Bonagura, Jr. é autor, mais recentemente, de 100 Tough Questions for Catholics: Common Obstacles to Faith Today, e tradutor de Jerome’s Tears: Letters to Friends in Mourning. Professor adjunto no Seminário São José e na Catholic International University, atua como editor de religião de The University Bookman, revista de resenhas de livros fundada em 1960 por Russell Kirk. Seu site pessoal está aqui.

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