Na audiência do último sábado, Leão XIV recebeu o bispo de Ratisbona (Regensburg), Rudolf Voderholzer, e o incentivou explicitamente a “apoiar especialmente os fiéis que permanecem em fidelidade à doutrina recebida e sustentam a vida eclesial com a oração e as obras de caridade”. Assim o comunicou a diocese alemã após o encontro.
O Pontífice pediu também ao prelado que continue “avançando em seus esforços pastorais de evangelização”, em um contexto em que a Igreja na Alemanha continua marcada por fortes tensões internas, especialmente a propósito do “Caminho Sinodal”.
Contexto: divisão em torno ao Caminho Sinodal
Nos últimos anos, a Igreja na Alemanha se polarizou em torno a propostas de reforma que afetam pontos nucleares da doutrina e da disciplina eclesial, como a ordenação de mulheres ou a moral sexual. Nesse clima, Voderholzer se posicionou entre os bispos críticos com as abordagens mais rupturistas.
De fato, junto a Voderholzer, outros três bispos diocesanos acabaram por abandonar o processo após reiteradas admoestações vaticanas: o bispo Stefan Oster (Passau), o cardeal Rainer Maria Woelki (Colonia) e Gregor Maria Hanke OSB (Eichstätt), hoje bispo emérito.
Ratzinger, teologia e a “questão antropológica”
A diocese de Ratisbona explicou ainda que Voderholzer transmitiu ao Papa as saudações da Igreja local, apresentou o trabalho do Instituto Papa Bento XVI e lhe entregou suas publicações recentes. O bispo agradeceu ao Santo Padre a alta valorização que demonstra pela obra teológica de Joseph Ratzinger / Bento XVI.
Na conversa, ambos abordaram também desafios atuais da teologia, especialmente a questão da antropologia cristã. Segundo o comunicado diocesano, destacou-se que, da mesma forma que no século IV a cristologia foi o campo decisivo, hoje “a antropologia é o lugar onde se decide o destino da fé e da Igreja”.