A Santa Sé anunciará nas próximas semanas a data da beatificação do arcebispo Fulton J. Sheen, o conhecido prelado norte-americano e pioneiro da evangelização através dos meios de comunicação, cuja causa ficou paralisada em 2019 a poucos dias de sua celebração.
De acordo com The Pillar, a beatificação de Sheen está prevista para setembro de 2026, uma vez superados os últimos obstáculos que haviam freado o processo, entre eles a complexa falência da diocese de Rochester e as investigações civis relacionadas a abusos sexuais no estado de Nova York.
Um processo marcado pela suspensão de 2019
A beatificação de Fulton Sheen estava programada inicialmente para 21 de dezembro de 2019, depois de que o Papa Francisco aprovasse em julho daquele mesmo ano um milagre atribuído à sua intercessão. No entanto, o então bispo de Rochester, monsenhor Salvatore Matano, solicitou ao Vaticano o adiamento da cerimônia ante o temor de que surgissem acusações relacionadas à gestão de abusos durante o breve episcopado de Sheen nessa diocese entre 1966 e 1969.
O caso que gerou maior controvérsia foi o do sacerdote Gerard Guli, acusado de abusar de adultos na década de 1960. Não obstante, segundo explicou em 2019 monsenhor James Kruse, então responsável por assuntos canônicos na diocese de Peoria, Sheen nunca designou Guli para nenhum ministério, e foi seu sucessor quem o destinou posteriormente a paróquias onde voltou a delinquir.
Além disso, The Pillar confirmou que não foram apresentadas denúncias contra Fulton Sheen durante a vigência da Child Victims Act em Nova York, nem existem acusações pendentes no âmbito da investigação do procurador-geral do estado, iniciada em 2018 e atualmente inativa.
A falência de Rochester, último obstáculo
Fontes próximas ao processo indicam que a resolução do processo de falência da diocese de Rochester, que se prolongou por seis anos, foi o último fator determinante para reativar a causa. Em setembro de 2025, foi aprovado um acordo de compensação às vítimas no valor aproximado de 250 milhões de dólares, abrindo assim o caminho para que Roma retomasse o processo de beatificação.
O bispo de Peoria, monsenhor Louis Tylka — diocese onde Sheen foi ordenado sacerdote em 1919 e que abriu sua causa de canonização em 2002 — expressou no ano passado sua esperança de que o recém-eleito Papa Leão XIV “avançasse e deixasse para trás a pausa” no processo.
O legado de Fulton Sheen
Fulton J. Sheen foi um dos grandes comunicadores católicos do século XX. Ordenado sacerdote em 1919, foi professor na Universidade Católica da América e alcançou grande notoriedade como locutor de rádio com The Catholic Hour e, posteriormente, como apresentador de televisão com programas como Life is Worth Living e The Fulton Sheen Program, com os quais ganhou dois prêmios Emmy.
Nomeado bispo auxiliar de Nova York em 1951 e bispo de Rochester em 1966, foi elevado posteriormente a arcebispo titular pelo Papa Paulo VI. Faleceu em 1979 e, após um prolongado litígio legal, seus restos foram transferidos da catedral de São Patrício de Nova York para Peoria.
O milagre aprovado para sua beatificação foi a recuperação inexplicável de uma criança nascida sem vida em 2010, depois de que seus pais invocassem a intercessão de Sheen.
De acordo com The Pillar, o anúncio oficial da data da beatificação poderia ocorrer antes da aposentadoria do núncio apostólico nos Estados Unidos, o cardeal Christophe Pierre, prevista para o final de janeiro ao completar 80 anos.
