Hay uma máxima pastoral que qualquer um que tenha frequentado paróquias com um mínimo de regularidade pode constatar sem necessidade de estudos sociológicos: ali onde o sacramento da confissão é oferecido de verdade, as pessoas acorrem. Onde há confessionários abertos, luz acesa, horários claros e disponibilidade real, formam-se filas. Onde não, a confissão desaparece da vida ordinária do fiel. Não por rejeição explícita, mas por simples evaporação pastoral.
Esta constatação conduz inevitavelmente a uma questão de fundo que raramente é formulada com clareza: se a Igreja não existe para a salvação das almas, para que existe então? Pode-se separar a adoração a Deus da redenção do homem? Cristo se faz presente nos sacramentos por uma razão distinta da de perdoar, curar e salvar? A perda da consciência do pecado e da graça não é um problema colateral nem cultural, mas uma crise teológica central. Ali onde o pecado deixa de ser nomeado, a graça se torna irrelevante; e ali onde a graça deixa de ser necessária, a Igreja corre o risco de se converter em uma instituição autorreferencial.
Encurralar o sacramento da penitência não é uma decisão neutra. É, de fato, amputar a Igreja de um dos meios ordinários que Cristo instituiu para reconciliar o homem com Deus. E no entanto, basta percorrer paróquias para comprovar até que ponto a confissão passou, na prática, a uma situação marginal, quando não diretamente residual.
Quatro modelos paroquiais (muito reconhecíveis)
- A paróquia onde nada é oferecido. Não há horários, não há confessionário operacional, não há anúncio algum. O fiel que deseja se confessar deve “caçar” o sacerdote na sacristia, interromper uma conversa, gerar uma situação incômoda. Enquanto isso, as senhoras do coro observam a cena com uma mistura de surpresa e curiosidade, como se se tratasse de um costume de outro tempo. Se o sacerdote tem um tempo livre, confessa; se não, adia-se. E se há confissão, não é infrequente que o penitente saia com a sensação de que seus pecados foram relativizados ou diretamente dissolvidos em uma exortação genérica.
- A paróquia “reativa”: WhatsApp no quadro e pouco mais. Aparece um número de WhatsApp “para confissões”, às vezes acompanhado de horários testemunhais nos quais, curiosamente, quase nunca há ninguém no confessionário, o que obriga novamente a recorrer à sacristia. É melhor que nada, sem dúvida, mas transmite uma mensagem implícita clara: a confissão não faz parte da vida ordinária do templo, mas requer gestão prévia, iniciativa individual e certa insistência. Em um contexto cultural pouco propício ao exame de consciência, esta abordagem resulta pastoralmente fraca.
- A paróquia que confessa antes da Missa… até que a Missa comece. Oferecem-se confissões antes da celebração e o resultado costuma ser imediato: formam-se filas. O problema é que, em muitos casos, por óbvia falta de disponibilidade de sacerdotes, as confissões são interrompidas quando começa a celebração ou, quando há um segundo sacerdote, em algum momento da mesma, porque o segundo sacerdote é requerido para subir ao altar ou distribuir a comunhão. Não é raro ver como o confessionário se fecha durante o Evangelho, deixando dezenas de fiéis sem acesso ao sacramento. Paradoxalmente, o sucesso pastoral da confissão se converte em seu limite prático. Vi em paróquias dezenas de pessoas na fila que não podem se confessar. Em muitos casos, o sacerdote não dá nenhuma indicação nem aviso para o final da Missa. Há uns horários como na guiche do Fisco. Volte amanhã, senhor.
- A paróquia que coloca a confissão no centro. Nas Missas concorridas, há confessionários abertos antes, durante e depois da celebração. Se o sacerdote está sozinho, anuncia explicitamente que ficará após a Missa o tempo que for necessário para confessar a todos. Ninguém vai para casa sem ter recebido o perdão de Deus. A prioridade pastoral é inequívoca: que os fiéis estejam em graça. Não como um ideal abstrato, mas como o centro real da vida paroquial.
A pergunta incômoda: por que não convertê-lo em norma?
Diante deste panorama, a pergunta resulta incômoda, mas inevitável: por que não converter esta prática em norma? Por que não estabelecer como critério ordinário que em todas as paróquias se ofereça a confissão antes da Missa, que se confesse durante a Missa se houver outro sacerdote disponível e que, em todo caso, se anuncie claramente que após a celebração se atenderão todas as confissões necessárias? Existe algum impedimento teológico, canônico ou pastoral sério para que um bispo normativize algo tão simples como que em todas as homilias se recorde explicitamente esta disponibilidade?
As situações excepcionais existem e devem ser tratadas como tais. O pároco rural que atende várias comunidades com tempos muito apertados não pode se converter na desculpa geral para uma práxis empobrecida. Não se pode fazer da exceção a regra, nem da dificuldade uma álibi permanente. A norma deve ser formulada a partir da centralidade do sacramento, não da sua marginalidade.
A Igreja dedica hoje enormes esforços a múltiplos âmbitos de ação pastoral, muitos deles legítimos. Criam-se delegações, planos e estruturas para quase tudo: comunicação, clima, sinodalidade, participação, meios. Tudo isso pode ter seu lugar, mas resulta profundamente desproporcional se, ao mesmo tempo, se descuida o acesso efetivo ao sacramento que reconcilia o homem com Deus e garante sua salvação. Se as almas vão para o inferno… a pastoral climática é secundária. E se a Igreja deixa de colocar no centro aquilo para o que existe, corre o risco de jogar, mesmo sem pretender, para o inimigo.