Os Estados Unidos contemplam a imposição de sanções seletivas e outras medidas contra a Nigéria a partir de 2026, diante da persistente perseguição de comunidades cristãs no país africano. Assim o indicaram membros do Congresso dos Estados Unidos e defensores da liberdade religiosa, após recentes ações militares e diplomáticas empreendidas pela Administração dos Estados Unidos.
De acordo com ACI Prensa, o representante Riley Moore, republicano por Virgínia Ocidental, anunciou que apresentará ao presidente Donald Trump um relatório com propostas concretas para frear a violência contra os cristãos e proteger as comunidades afetadas. O documento incluirá cerca de 30 possíveis medidas que os Estados Unidos poderiam adotar em cooperação com a Nigéria, no âmbito da designação do país como “país de particular preocupação” (CPC) por violações graves da liberdade religiosa.
O escritório de Moore informou que o congressista se reunirá com Trump durante janeiro para entregar o relatório, elaborado após uma viagem à Nigéria, especialmente à região do Middle Belt, onde se reuniu com cristãos de A Nigéria poderia enfrentar sanções dos EUA pela violência contra cristãos deslocados pela violência e residentes em campos de refugiados internos.
Ameaças de sanções e pressão internacional
O presidente Trump já havia advertido publicamente de possíveis ações contra a Nigéria após anunciar sua designação como CPC. Em uma mensagem publicada em 1º de novembro, afirmou que, se o Governo nigeriano não conseguisse deter o assassinato de cristãos, os Estados Unidos suspenderiam toda a ajuda e não descartariam uma intervenção militar. Após os ataques do dia de Natal, Trump reiterou suas advertências, garantindo que haveria “consequências” para os responsáveis pela violência.
A Lei de Liberdade Religiosa Internacional (IRFA) de 1998 obriga o presidente dos Estados Unidos a designar como CPC os países que cometem ou toleram violações particularmente graves da liberdade religiosa, incluindo tortura, detenção arbitrária prolongada e desaparecimentos forçados. Essa designação permite a adoção de medidas que vão desde pressões diplomáticas até sanções econômicas e restrições de visto.
Expectativas de uma mudança real
Nina Shea, pesquisadora principal do Hudson Institute, expressou sua esperança de que as recentes ações dos Estados Unidos impulsionem o Governo nigeriano a agir com maior firmeza contra os militantes islamistas, incluindo a confiscação de armas e o controle efetivo dos grupos fulani envolvidos em ataques contra cristãos.
Shea confia em que a designação como CPC em 2026 permita o retorno dos cristãos deslocados às suas terras com proteção adequada, assim como uma maior cooperação em segurança fronteiriça para frear a entrada de terroristas e armas da região do Sahel. Ela também mencionou a possível imposição de sanções de visto a funcionários nigerianos cúmplices de violações da liberdade religiosa.
Por sua parte, Sean Nelson, assessor principal para a liberdade religiosa global da Alliance Defending Freedom International, mostrou-se “cautelosamente otimista” em relação às medidas previstas para 2026, sublinhando que se trata do maior esforço visto em Washington para abordar uma das situações de perseguição mais graves do mundo. Nelson acrescentou que a ADF concentrará parte de seu trabalho em contestar perante a Suprema Corte da Nigéria as leis de blasfêmia que contemplam até a pena de morte.