Nigéria sofre um dos piores sequestros em massa: 315 crianças e professores raptados em uma escola católica

Nigéria sofre um dos piores sequestros em massa: 315 crianças e professores raptados em uma escola católica

Mais de 300 crianças e professores foram sequestrados em um dos ataques mais graves registrados na Nigéria nos últimos anos. Homens armados invadiram na madrugada de sexta-feira na St. Mary’s School, uma escola católica situada em Papiri, no estado de Níger, e levaram 303 alunos e 12 professores, segundo a Christian Association of Nigeria.

O número supera até o das meninas sequestradas em Chibok pelo Boko Haram em 2014, o que torna esta tragédia um dos sequestros em massa mais impactantes que o país já sofreu.

O ataque ocorreu por volta das 02:00 da madrugada, quando os assaltantes entraram nos dormitórios do centro. A polícia informou que as forças de segurança estão “revistando as florestas” da área para tentar localizar os menores.

Familiares dos alunos descrevem um cenário de angústia absoluta. Uma mulher disse entre soluços que suas sobrinhas, de seis e treze anos, estão entre as sequestradas: “Só quero que elas voltem para casa”.

As autoridades da região de Níger ordenaram fechar todas as escolas do estado após o ataque e acusam a St. Mary’s School de não ter cumprido uma instrução anterior que exigia o fechamento dos internatos diante do elevado risco de atentados.

Uma semana de extrema violência

Este sequestro em massa é o terceiro ataque grave que a Nigéria sofre em apenas uma semana. Na segunda-feira, mais de vinte alunas —muçulmanas— foram sequestradas em um internato do estado de Kebbi. E no estado de Kwara, um ataque contra uma igreja deixou dois mortos e 38 pessoas raptadas.

A crescente insegurança levou o presidente Bola Tinubu a cancelar todas as suas viagens internacionais, incluindo a prevista para a cúpula do G20 na África do Sul.

Nos Estados Unidos, alguns líderes políticos —entre eles o ex-presidente Donald Trump— voltaram a denunciar que os cristãos estão sendo perseguidos na Nigéria. O Governo nigeriano rejeita essas acusações e assegura que se trata de violência criminal indiscriminada, mas dos Estados Unidos anunciam ações diante da passividade da comunidade internacional e da lamentável resposta tibia do Vaticano.

O Papa Leão XIV expressa sua “profunda preocupação”

O Papa Leão XIV manifestou na Missa do domingo sua profunda preocupação e sua proximidade com as famílias afetadas. O Pontífice segue de perto a evolução do sequestro e pediu que se realizem “todos os esforços necessários” para lograr a libertação das crianças e professores.

Da mesma forma, o Papa recordou o dever de proteger os menores e de salvaguardar a liberdade religiosa em regiões onde as comunidades cristãs sofrem ataques reiterados.

Uma violência com múltiplas dimensões

Embora o Governo nigeriano sustente que esses ataques não têm motivação religiosa, organizações que monitoram a violência na região sublinham que os grupos jihadistas —ativos há mais de uma década— selecionam alvos cristãos, como igrejas e escolas confessionais.

No centro do país também persiste o conflito entre pastores, majoritariamente muçulmanos, e agricultores, em sua maioria cristãos, onde a disputa por terras e recursos costuma se entrelaçar com identidades religiosas. Não obstante, o pano de fundo social não minimiza o componente religioso da perseguição. Todas as perseguições religiosas da história onde se derramou sangue martirial se baseavam em desculpas socio-políticas.

Onze anos depois do sequestro de Chibok, mais de cem meninas continuam desaparecidas. O país revive agora o mesmo pesadelo enquanto centenas de famílias esperam notícias da St. Mary’s School.

O Eco das palavras de Parolin

Há algumas semanas, em um evento organizado pela Ayuda a la Iglesia Necesitada, o cardeal Pietro Parolin minimizou a situação dizendo que muitos episódios de violência na África são “temas tribais, não religiosos”. Suas declarações —anteriores a este sequestro, mas que agora ressoam com um eco que envergonha— foram recebidas com mal-estar nas comunidades cristãs do continente.

Para numerosos católicos nigerianos, a experiência cotidiana desmente essa leitura: os ataques contra escolas, paróquias e aldeias cristãs são, para eles, uma realidade evidente. Daí que as palavras do Papa Leão XIV sejam acolhidas com especial alívio, por sua proximidade e por seu reconhecimento do sofrimento vivido no terreno.

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