Dublin celebrou esta terça-feira um acontecimento histórico: A Pro-Catedral de Santa Maria, durante dois séculos considerada a sede “temporária” do arcebispado, foi oficialmente elevada a catedral plena por decreto do Papa Leão XIV. A decisão foi anunciada durante a Missa presidida pelo arcebispo Dermot Farrell, coincidindo com o bicentenário da dedicação do templo em honra de São Lourenço O’Toole.
Desde a Reforma, Dublin não contava com uma catedral católica, e a Pro-Catedral havia exercido esse papel de facto sem reconhecimento formal. Com o decreto pontifício, a cidade recupera finalmente sua catedral.
Uma resposta à história e ao coração pastoral da cidade
“O Santo Padre aprovou por decreto que Santa Maria seja designada como a Catedral de nossa arquidiocese”, anunciou com evidente emoção o arcebispo Farrell perante a assembleia. Subrayou que a elevação do templo reconhece não só sua história, mas também sua missão no centro de uma comunidade marcada pela pobreza, a solidão e a falta de recursos básicos.
O prelado recordou que a catedral deve ser “um lugar para o povo, um espaço de encontro com Cristo que dá forma à nossa vida e à nossa missão”. Diante dos desafios atuais —a perda de vitalidade na vivência da fé, a secularização e a marginalidade crescente no coração urbano—, o arcebispo assinalou que a nova catedral está chamada a ser “um refúgio, um santuário, um lar aberto para todos”.
Uma decisão celebrada pela comunidade local
Segundo informaram os meios locais como o Irish Independent, o gesto papal foi acolhido com entusiasmo na zona norte do centro de Dublin, onde se situa a catedral. O concejal Nial Ring qualificou o dia como “verdadeiramente histórico” para a cidade e, em especial, para sua comunidade local. Recordou que, sob sua designação “Pro Tempore”, o templo havia sido símbolo de fé e resistência durante dois séculos.
Ring destacou ainda que a decisão corrige o rumo perante as propostas de há dois anos que buscavam designar como catedral a igreja de São André, o que teria significado —disse— “uma degradação injusta” da Pro-Catedral. “A nova designação é um reconhecimento de que o centro norte da cidade é o verdadeiro coração espiritual de Dublin”, afirmou.
Um marco para a Igreja irlandesa
A elevação de Santa Maria supõe também um gesto significativo para a comunidade católica da Irlanda, que atravessa momentos difíceis. Celebrada exatamente 200 anos após sua inauguração, a decisão do Papa Leão XIV sublinha a continuidade de uma tradição viva e o agradecimento a gerações de fiéis que sustentaram sua igreja mesmo antes da emancipação católica.
“Hoje damos graças com alegria”, concluiu o arcebispo Farrell, recordando que o projeto original nasceu em tempos de restrições e valentia, e que sua culminação chega agora como um sinal de esperança renovada para a Igreja na Irlanda.
