Leão XIV ofereceu nesta terça-feira algumas declarações aos jornalistas à saída de sua residência em Castel Gandolfo, nas quais abordou diversos temas de atualidade internacional e social. Entre eles, mencionou a tensão entre Estados Unidos e Venezuela, a situação no Oriente Médio, os direitos espirituais dos migrantes detidos nos Estados Unidos e o processo canônico contra o exjesuíta Marko Ivan Rupnik.
Chamado ao diálogo no conflito entre Estados Unidos e Venezuela
Segundo recolheu Vatican News, o Pontífice expressou sua preocupação pelo aumento de tensões no Caribe devido ao desdobramento de forças norte-americanas frente às costas da Venezuela, relacionado com operações contra o narcotráfico. «Eu li que navios de guerra se aproximam da costa da Venezuela —disse o Papa—. Mas com a violência não ganhamos. O que há que fazer é buscar o diálogo e encontrar soluções justas aos problemas que possam existir em cada país».
Situação no Oriente Médio
Com relação ao Oriente Médio, o Papa assinalou que a trégua alcançada no passado outubro entre Israel e Palestina é «muito frágil», após os recentes ataques em Gaza e os incidentes na Cisjordânia. «Pelo menos a primeira fase do acordo de paz segue em pé —indicou—. Agora há que buscar a maneira de avançar, de garantir os direitos de todos os povos».
O Papa destacou a necessidade de manter os esforços para lograr a estabilidade e a justiça na região, sublinhando a importância da cooperação entre as partes implicadas.
Os direitos espirituais dos migrantes detidos
Durante seu diálogo com os jornalistas, Leão XIV respondeu a uma pergunta sobre as restrições impostas em Chicago a sacerdotes católicos que tentavam administrar a comunhão a migrantes detidos. «Jesus nos adverte no Evangelho de Mateus: ser-nos-á perguntado como acolhemos o estrangeiro», recordou o Pontífice. «As necessidades espirituais dessas pessoas devem ser respeitadas».
O Papa instou as autoridades a permitir que os agentes pastorais prestem assistência religiosa aos migrantes e recordou que muitas dessas pessoas levam anos separadas de suas famílias.
O caso Rupnik
Em relação ao processo canônico contra o exjesuíta Marko Ivan Rupnik, acusado de abusos por várias religiosas, Leão XIV indicou que recentemente se nomearam novos juízes para o caso. «Sabemos que é difícil pedir paciência às vítimas —disse—, mas a Igreja deve respeitar os direitos de todos. O princípio de presunção de inocência também vale aqui».
O Papa explicou que a sensibilidade para com as vítimas levou a que algumas obras do artista tenham sido cobertas ou retiradas de templos e sites web, enquanto se desenvolve o processo judicial eclesiástico.
