O Papa Leão assinou esta manhã de sábado, festa de São Francisco de Assis, sua primeira exortação apostólica que leva o título Dilexit te em latim, que significa ele se refere a Deus, ele te amou. Ele te ama. Foi praticamente escrita em sua totalidade por seu predecessor, o Papa Francisco. E no entanto, o Papa Leão, como fez por sua vez o Papa Francisco com a encíclica que havia terminado já o Papa Bento, o Papa Leão decidiu lê-la, eh, mandá-la para revisão e e agora a publica e ao publicá-la a faz sua. É continuação da quarta encíclica do Papa Francisco que se intitula Dilexit nos, isto é, ele nos amou, sempre referido a Deus, embora tenha assinado hoje o Vaticano anunciou que seu conteúdo não será conhecido até a próxima quinta-feira, o dia 9. Bem, pois teremos que esperar a a até quinta-feira para para saber o que diz, embora pelo que se filtrou, parece que se refere ao amor de Deus para com todos os que sofrem, os pobres, os doentes, os idosos, as vítimas da guerra ou da violência de qualquer tipo. Repito, teremos que esperar até a próxima quinta-feira para conhecer o conteúdo desta primeira exortação apostólica, isto é, deste primeiro documento oficial, formal importante do Papa Leão XIV.
Mas ao longo da semana também ocorreram outras coisas. Eh, antes de falar delas acho que é preciso fazer uma premissa que é válida pelo menos no que me diz respeito. Não tenho nenhuma intenção de criticar o Papa. Não sou quem para isso. Para mim o Papa Leão XIV é o Papa e merece minha obediência e meu respeito. Mas para ajudá-lo a cumprir o ministério petrino que inclui o objetivo que marcou como norte de seu pontificado, o de unir a igreja, talvez possa colaborar humildemente em conseguir esse objetivo, assinalando algumas coisas que podem prejudicá-lo e inclusive que podem danificar a própria imagem do pontífice. Meu único desejo é ajudar e servir à Igreja. e ajudar e servir ao Papa que é o Papa, repito, ao qual quero e ao qual quero obedecer e ao qual não somente quero e quero obedecer, mas que respeito também como ser humano.
Em torno de qualquer líder de qualquer tipo, uma empresa, líder político, líder religioso, surge imediatamente uma camarilha de aduladores que lhe vão dizer que tudo o que faz é maravilhoso e perfeito. É possível que agrade muito ao líder escutar permanentemente lisonjas e é possível que termine por acreditar que qualquer mínima objeção, embora seja feita com muito amor, qualquer mínima objeção que se lhe faça é uma falta de respeito e inclusive um ataque. Quando isso ocorre, repito, no caso de qualquer líder, seu governo está condenado ao fracasso. Um líder que somente se rodeia de aplaudidores e que considera inimigos mortais ao que faz a mais pequeníssima objeção. Insisto, de qualquer entidade esse líder está condenado ao fracasso.
Esta semana continuou causando alvoroço o do prêmio ao senador do Partido Democrata norte-americano Dick Darwin, que a arquidiocese de Chicago, perseguida pelo cardeal Kupik, queria outorgar-lhe. Ante o escândalo produzido tem sido o próprio senador o que decidiu rejeitar o prêmio. Na realidade, o que parece que ocorreu é que não somente os 10 bispos que publicamente protestaram, mas muitos mais escreveram em privado ao presidente do episcopado norte-americano reclamando um pronunciamento público que é possível, inclusive, segundo dizem os rumores, que já se estaria elaborando. Chegando esta notícia ao núncio, quem interveio não se sabe, mas alguém possivelmente deve ter aconselhado ou a bem ao cardeal Cupic ou bem ao futuro premiado que retirasse, não digo sua candidatura, mas que que se negasse a aceitar o prêmio, que dissesse que não o quer aceitar. Esta demissão, este rejeição por parte de Durvin tem sido elogiada por todos. Inclusive, por exemplo, um dos mais críticos, o arcebispo de São Francisco, monsenhor Cordi Leone, destacou o bom fazer ao rejeitar o prêmio e o favor que fez à causa da unidade na Igreja. A coisa poderia ter ficado assim. Sem mais, o arcebispo de Chicago decide dar um prêmio a um senador do partido democrata que esteve toda sua vida a favor do aborto, inclusive do aborto mais radical. Um grupo de bispos protesta, uns abertamente, e outros eh com escritos privados e o interessado diz que não o aceita. Podia ter ficado assim, a não ser porque houve umas declarações do Papa em uma fugaz roda de imprensa concedida à saída de Castel Gandolfo, em que de alguma maneira se alinhava com a tese de que havia que valorar os 40 anos de serviço do senador e em particular o que havia feito a favor dos emigrantes à hora de conceder-lhe esse prêmio. Comparava o aborto com a pena de morte, não os equiparando, mas sim perguntando-se se eram provida os que estavam a favor desta de a pena de morte.
Estas palavras do Papa causaram surpresa e dor a muitos católicos e prejudicaram, naturalmente, é minha opinião, o objetivo do Papa de unir à Igreja. Um destacado escritor católico italiano, Stefano Fontana, chegou a afirmar que com este tipo de entrevistas feitas à leve, o papado se degrada ao bazar das opiniões. E assegurava eh o senhor Fontana que com gestos assim o que ocorria e o que se fazia era alimentar a confusão. Foi Bento X o que rejeitou equiparar aborto com pena de morte, começando pelo fato de que em um caso a vítima é totalmente inocente e no outro é culpado, salvo erro judicial. A este ponto quero deixar claro que estou totalmente contra a pena de morte, mas dito isso, me parece um erro equiparar aborto com pena de morte, entre outras coisas, porque o aborto é a primeira causa no mundo de mortalidade dos seres humanos. Eh, creio com o Papa Bento que ambas as coisas não podem ser equiparadas. E se descendermos ao tema da emigração, que não implica o assassinato dos emigrantes ilegais, a equiparação é ainda mais injusta. Considerar que matar a um inocente é igual que deportar a um emigrante ilegal me parece um abuso que inclusive desde o ponto de vista racional não se pode aceitar. Repito, estou contra a pena de morte e agora também digo que estou contra como está atuando o presidente Trump com a deportação ou mandar a seus países dos emigrantes ilegais. Creio que há formas e formas de fazer as coisas e estou seguro de que a imensa maioria, por não dizer todos, dos bispos norte-americanos pensam o que eu. Daí a dizer que é o mesmo matar a uma criança que deportar a um ilegal. Me parece que há um grande passo.
Dito isso, voltando ao caso do prêmio Aurbin, creio que há que acrescentar que enquanto esteja em vigor a proibição de comungar aos políticos que apoiaram leis abortistas, parece uma incongruência que se lhes deem prêmios católicos. Não podes comungar, mas te vamos dar um prêmio.
E agora chego ao que mais me preocupa, discernir quem é o separador e quem é o separatista, quem polariza, quem divide. O bispo que decide dar um galardão público a um político que está excomungado em sua diocese de origem sem nem sequer consultar ou informar a esse bispo ou o bispo que se entera pela imprensa e protesta. É que a esse ponto chegamos. O bispo que protesta porque a uma pessoa que ele excomungou cumprindo a lei canônica e que se entera pela imprensa de que o bispo vizinho lhe vai dar um prêmio, o bispo que protesta agora resulta que é o culpado. Quem cria a divisão? O que vai contra a lei ou o que a defende? Eu faço o que quero e se protestas, o culpado és tu. A esquerda se apossou do que na Espanha chamamos o relato, a narração do que sucede com uma capacidade de manipulação assombrosa. Desse modo podemos chegar a concluir que o assassino ou o violador é a vítima e que o que foi assassinado ou violado ou o polícia que captura o criminoso e o põe em mãos da justiça são os culpados.
O ocorrido neste desditoso assunto vai mais além da entrega de um prêmio que não tem maior importância. O que se debate no fundo é se os que defendem a doutrina católica são os culpados de que haja divisão e polarização, ou se são os que infringem e ensinam a infringir essa doutrina tanto no dogmático como no litúrgico ou no moral, são eles os culpados. Quem é o que divide? Quem é o que polariza? Porque esta é a questão de fundo. Quem é o que divide? O que ensina que as leis da igreja tem que se mudar e inclusive ensina a não respeitá-las, a violar a lei da igreja ou o que as defende, porque se chegamos ao ponto de que o que diz que a lei da igreja no litúrgico, no dogmático ou no moral é aplaudido e é o que une. E em troca, o que diz, «Não podemos conseguir a unidade se não for sendo fiéis à verdade, esse é o que divide.» Chegamos a este ponto terrível na situação em que estamos.
E assim chegamos ao segundo assunto da semana. Quatro bispos decidiram levar a cabo um ato de reparação pela admissão oficial a várias organizações LGBTQ como peregrinos que cruzaram a porta santa de São Pedro para ganhar a indulgência plenária. Pelo menos alguns deles, as fotos eh saíram imediatamente porque eles mesmos as publicaram. Fizeram-no com mostras públicas de reivindicação de sua exigência de que os atos homossexuais sejam aceitos como moralmente lícitos pela Igreja. Não se podia ter evitado essa peregrinação que esses bispos consideram uma profanação do templo onde estão os restos do chefe dos apóstolos. Era necessária a entrevista com sorridente foto incluída do Papa com um dos promotores de dito ato. Beneficiaram ambas as coisas, a peregrinação e a entrevista com foto, à causa da unidade da Igreja que o Papa quer conseguir e à própria imagem do Papa ou a prejudicaram.
Alguns, assim o manifestaram, estão felizes com tudo o ocorrido, mas outros estão muito molestos. Quem são uns e quem são os outros? Quem são os que estão contentes e quem são os que estão sofrendo? Os que rejeitam a doutrina da Igreja estão felizes. Os que a defendem estão decepcionados. É este o caminho da unidade? É possível uma unidade que não se baseie na verdade? As coisas que ouço e leio contra o Papa Leão são terríveis e me nego a secundá-las, mas se me nego a secundá-las é porque o quero e porque quero a unidade da Igreja. No entanto, creio sinceramente que há coisas que se deveriam evitar pelo bem de todos. pelo bem da igreja, inclusive pelo bem dele, porque ninguém está por cima do bem e do mal.
Outro assunto, os anglicanos nomearam pela primeira vez em sua história a uma mulher como arcebispa de Canterbury e primaz da comunhão anglicana. A reação da associação que engloba ao 85% dos anglicanos do mundo foi imediata e também muito dura. Rejeição total e ruptura da comunhão. Em troca, a reação católica foi foi um pontinho mais além da cortesia e da boa educação e acolheu a esta, entre aspas, arcebispa, a acolheu de uma maneira calorosa. Pode restar alguma dúvida a alguém ao qual ainda lhe funcionem pelo menos um par de neurônios? que isso é o que nos vai passar aos católicos se se aprovar o diaconato feminino, porque isso foi exatamente o que ocorreu com os anglicanos, que terminaram por ter sua própria papisa, não de nome Joana eh como a da lenda, mas de nome Sara.
É a técnica do resquício aberto na porta que se empregou com o aborto. O importante é abri-la. embora seja um pouco. E depois se irá ampliando a abertura e assim do aborto. No caso de risco de vida da mãe se passou ao aborto por decapitação, cortando-lhe, matando a criança com um punção quando assoma a cabeça desde o ventre materno para depois, isso assim, troceá-lo e vender suas partes, seus órgãos para fazer negócio. Como o tempo é superior ao espaço, esta é uma frase do Papa Francisco, agora o que parece que há que fazer é consolidar as aberturas para ir pouco a pouco ensanchando a brecha. Agora não vamos aumentar as coisas de momento. Depois já veremos. Não significa que o vamos aumentar. Depois o deixamos no ar. De momento não. De momento não, porque estão muito enfadados agora. De momento não. Consolidemos o que fizemos e depois já veremos. Já abrimos um poquito a porta. Vamos ver o que passa depois. E se protestas, protestas por eh o dos LGBT, se protestas pelo prêmio a um abortista declarado, se protestas te convertes em uma pessoa que divide e polariza. Porque para não sê-lo tens que te limitar a aceitar o que eles dizem e inclusive, como dizemos na Espanha, tens que aplaudi-lo até com as orelhas. Ou és um adulador ou te convertes em um separatista polarizador e inimigo.
Se defendes a doutrina da igreja, és uma pessoa que divide. Em troca, se queres que esse mudança inclusive a vulneras, és uma pessoa estupenda a qual se concedem todo tipo de honras. A esta situação terrível chegamos. Quem é o separador e quem é o separatista? Quem é o que polariza e o que divide? Volto a repetir, quero ao Papa, o respeito, o obedeço, quero estar ao seu lado e por isso peço a todos que rezem por ele. Até a semana que vem, se Deus quiser.
