Após uma investigação com áudios filtrados, o Lepanto Institute pede o corte de todos os vínculos dos bispos com a AUSCP

Após uma investigação com áudios filtrados, o Lepanto Institute pede o corte de todos os vínculos dos bispos com a AUSCP

Desde 2017, o Lepanto Institute monitora a Associação de Sacerdotes Católicos dos Estados Unidos (AUSCP) por promover teses contrárias ao magistério em moral sexual, sacramentos e ordem sagrada. Em 2022 documentou a vinculação de um diretor da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB por suas siglas em inglês) com atividades da AUSCP durante sua assembleia anual e, em 2025, publicou áudios filtrados da assembleia de San Antonio (23–26 de junho). Em 15 de setembro de 2025 divulgou um relatório que denuncia uma consulta virtual sobre o documento de Leigos da USCCB hospedada pela AUSCP, que o Instituto apresenta como colaboração formal.

Esta terça-feira publicaram um novo relatório com áudios e material de vídeo que, segundo a organização, evidenciam como a AUSCP e alguns bispos e sacerdotes teriam promovido ideologias LGBT e práticas contrárias à doutrina moral católica. De acordo com o Lepanto Institute, o caso merece que os bispos condenem formalmente a AUSCP e proíbam a seus sacerdotes qualquer contato com o grupo, além de solicitar aos fiéis que peçam ao presidente da USCCB, mons. Timothy Broglio, romper todo vínculo institucional.

Áudios filtrados da AUSCP e denúncias sobre moral sexual

O instituto afirma que em sessões da Assembleia 2025 da AUSCP, celebrada em San Antonio (Texas) de 23 a 26 de junho, se escutam testemunhos e exposições que normalizam ideologias de gênero e plantejamientos contrários à antropologia cristã. Segundo a organização, os participantes —sacerdotes e palestrantes— teriam expressado aplausos e aprovação a relatos e teses incompatíveis com o magistério.

Também sustentam que o relatório identifica “vias” pelas quais bispos e organizações católicas teriam financiado ou promovido procedimentos de “mudança de sexo” e agendas afins. Da mesma forma, a publicação assegura que existem áudios adicionais da assembleia com discussões sobre moral sexual que a organização qualifica de gravemente impróprias para clérigos.

Todd Salzman e a nota doutrinal da USCCB

Entre os trechos destacados pelo Lepanto figura uma palestra do teólogo Todd Salzman, cuja obra The Sexual Person foi objeto de crítica formal por parte do Comitê de Doutrina da USCCB em 2010 por conclusões “em contradição” com o ensino da Igreja. Mesmo com esse antecedente, o relatório assegura que na assembleia se propôs estender seu enfoque a sacerdotes ordenados nas últimas décadas.

Segundo o Lepanto Institute, Salzman teria questionado documentos recentes da Santa Sé —como “Varón y mujer los creó”— e defendido a possibilidade de equiparar a criação de casais do mesmo sexo à de matrimônios segundo a ordem natural, tese que a organização considera contrária ao magistério constante sobre complementaridade sexual, matrimônio e castidade.

Acusações de colaboração entre a USCCB e a AUSCP

No plano institucional, referem-se a publicações prévias nas quais documentam vínculos entre instâncias da USCCB e a AUSCP. Entre eles, menciona uma consulta virtual sobre um documento de leigos que teria sido hospedada pela AUSCP, assim como a presença de pessoal de escritórios da conferência episcopal em assembleias do grupo. Com base nisso, o Instituto pede cortar qualquer cooperação por razões de prudência pastoral e fidelidade doutrinal.

Solicitações do Lepanto aos bispos e aos fiéis

À luz dos áudios e dos antecedentes doutrinais, o Lepanto Institute exorta os bispos dos Estados Unidos a condenar publicamente a AUSCP e a proibir toda participação de seus sacerdotes em suas atividades. Em paralelo, chama os católicos a escrever e ligar para mons. Timothy Broglio para pedir que a USCCB rompa qualquer relação com a AUSCP. A organização sublinha que os ensinamentos da Igreja em matéria de moral sexual são vinculantes e não “evoluem” por pressão cultural.

Ajude a Infovaticana a continuar informando