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San Pío X: Parece escrito para hoy

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Lamento que esté en brasileño.

Bem sabeis sem dúvida, ve­neráveis irmãos, como a Igreja, apesar de continuamente atribulada, nunca é deixada por Deus sem alguma con­solação. Pois Cristo a ama e a ela Se dá para santificá-la e apresentá-la a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga ou qualquer outro defeito, mas santa e irrepreensível (cf. Ef5,25-27).

 

Deus faz o erro concorrer para o triunfo da verdade

 

Assim, a Igreja sente melhor a pro­teção divina quando é mais desenfreada a licenciosidade dos costumes, mais feroz o ímpeto da perseguição, mais ardilosas as ciladas do erro que parecem ameaçá-la de extrema ruína, a ponto de arrancar de seu seio bom número de seus filhos para engolfá-los no turbilhão da impiedade e dos vícios. Isto porque, queiram ou não queiram os maus, Deus faz com que o próprio erro concorra para o triunfo da verdade, da qual a Igreja é a guar­diã vigilante; a corrupção sirva de in­cremento à santidade, da qual ela é promotora e mestra; a perseguição re­sulte numa admirável libertação de nossos inimigos.

 

São Pio X

 

Acontece assim que, quando a Igreja aparece aos olhos profanos sa­cudida e quase submersa pela mais feroz tempestade, ela sai mais bela, mais vigorosa e mais pura, refulgindo no esplendor das maiores virtudes.

A suma benignidade de Deus confirma deste modo com novos argumentos que a Igreja é uma obra divina; seja porque na prova mais dolorosa – a dos erros e dos pecados que se infiltram em seus próprios membros – Ele a faz superar o perigo; seja por­que lhe mostra realiza-da a palavra de Cristo: “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18);  seja porque comprova de fato a promessa: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt28,20); seja enfim porque dá testemunho daquela misteriosa virtude pela qual “outro Paráclito” (Jo 14,16), prometido por Cristo no momento de sua Ascensão, nela infunde continuamente seus dons, a defende e consola em todas as tribulações. É o “Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas vós o conhecereis, porque habitará entre vós e estará convosco” (cf. Jo 14,17).

 

Desta fonte jorram a vida e o vigor da Igreja; dela jorra também o espírito que a distingue de qualquer outra sociedade, como ensina o Concílio Ecumênico Vaticano, pelos sinais manifestos que a destacam e caracterizam “como um estandarte levantado entre as nações’’.1

 

Indefectível na santidade da doutrina e das leis

 

Realmente, é só por um milagre do poder divino que, tomada entre a inundação da corrupção e a fre­quente deficiência de seus membros, a Igreja, enquanto Corpo Místico de Cristo, pode se manter indefectível na santidade da doutrina, das leis e de sua finalidade, bem como tirar de suas próprias provações resultados frutuosos e, graças à fé e à justiça de seus filhos, colher copiosíssimos fru­tos de salvação.

 

E não é por um sinal menos cla­ro de sua vida divina que – em meio a tantas e tão vergonhosas corrupções de opiniões perversas, entre tão nu­merosos rebeldes, tantas variedades de erros – ela persevera imutá-vel e constante como coluna e sustentáculo da verdade, na profissão da mesma doutrina, na comunhão dos mesmos Sacramentos, em sua constituição di­vina, no governo, na moral. […]

 

 

 

 

Denominaram-se reformadores, mas eram corruptores

 

Essa admirável influência da Di­vina Providência na obra restauradora promovida pela Igreja se manifes­ta esplendidamente no século que viu surgir, para revigoramento dos bons, São Carlos Borromeu. Nessa época, sob o jugo das paixões, o conhecimento da verdade estava quase de todo adulterado e obscurecido; a luta contra os erros era contínua; e a sociedade humana, indo de mal a pior, parecia correr para o abismo. Em meio a tais flagelos, surgiam homens orgulhosos e rebeldes, ini­migos da Cruz de Cristo, homens de sentimentos terrenos, cujo deus é o ventre (cf. Fl 3, 19).

 

Tais homens, aplicando-se, não a corrigir os costumes, mas a negar os dogmas, multiplicavam as de­sordens, relaxavam para si e para os outros o freio da devassidão; ou então, desprezando a direção autorizada da Igreja e lisonjeando as paixões dos príncipes e das gen-tes mais corrompidas, subvertiam de modo quase tirânico sua doutri­na, sua constituição, sua discipli­na. Em seguida – imitando aqueles ímpios aos quais se dirige a ameaça: “Ai de vós, que chamais mal o bem, e bem o mal” (ls 5,20) – eles chama­ram de reforma aquele tu-multo de re­belião e aquela perversão da Fé e dos costumes, e se deno-minaram refor­madores. Na realidade, porém, eram corruptores. […]

 

Renovar-se para discernir a vontade de Deus

 

De fato, a Igreja, sabendo bem quanto os sentimentos e os pensamentos do homem são tendentes ao mal (cí. Gn 8, 21), nunca cessa de combater os vícios e os erros, para que seja destruído o corpo do peca­do e deixemos de ser escravos do pe­cado (cf. Rra 6, 6).

 

Nessa luta, como a Igreja é mestra de si mesma, guiada pela graça infun­dida em nossos corações pelo Espíri­to Santo, ela adota a regra de pensar e de agir do Doutor dos Gentios, que recomenda: “Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma” (Ef 4,23); e “não vos conformeis com este mun­do, mas transformai-vos pela renova­ção do vosso espírito, para que pos­sais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito” (Rm 12,2).

 

O filho da Igreja e reformador sincero nunca se persuade de haver atin­gido a meta, mas apenas protesta que tende para ela, junto com o Apósto­lo: “Esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente. Lanço-me em direção à meta, para conquistar o prêmio que, do alto, Deus me chama a receber, no Cristo Jesus” (Fl 3,13-14).

 

Daí resulta que nós, unidos com Cristo na Igreja, “cresceremos em todos os sentidos, nAquele que é a Cabeça, Cristo, do qual todo corpo efetua esse crescimento para a perfeição de si mesmo na caridade” (cf. Ef 4,15-16). A Igre­ja, nossa mãe, não cessa de confir­mar esse mistério da vontade divi­na, de restaurar todas as coisas em Cristo, na ordenada plenitude dos tempos (cf. Ef 1. 10).

 

A origem das apostasias é a mesma: o inimigo do homem

 

Nestas coisas não pensavam os reformadores aos quais se opôs Carlos Borromeu; pretendiam eles reformar segundo seus ca­prichos a Fé e a disciplina. E não são melhores as pretensões dos re­formadores modernos contra os quais temos de combater, venerá­veis irmãos. Também esses sub­vertem a doutrina, as leis, as instituições da Igreja, tendo sempre nos lá­bios o brado de cultura e de civiliza­ção, não porque tomem isto a peito, mas porque com tais imponentes vocábu-los podem mais facilmente ocul­tar suas más intenções.

 

Quais são, de fato, seus objetivos, seus complôs, e quais as vias que pre­tendem trilhar? Nenhum de vós os ignora, e seus desígnios foram já por nós denunciados e condenados. Pro­põem eles uma após-tasia universal da Fé e da disciplina da Igreja; apos­tasia pior do que a antiga, a qual pôs em perigo o século de Carlos Borromeu, na medida em que ela serpenteia mais astuciosamente nas pró­prias veias da Igreja, e tira mais sutilmente consequências extremas de seus princípios errôneos.

 

Excertos de: SÃO PIO X. Editae Saepe, 26/5/1910.

Tradução: Arautos do Evangelho

 

(Nota 1) CONCÍLIO VATICANO I. Dei Filius, e III.

 

Comentarios
12 comentarios en “San Pío X: Parece escrito para hoy
      1. Disculpa, ahí no viene la encíclica en español. Es una entrada de Wikipedia sobre la encíclica, pero no viene el texto en si en español. Te agradeceríamos que nos dijeras en que apartado viene para poder leerla.

        De todos modos, ahí deje el enlace al extracto en español que el autor ha publicado en esta entrada.

  1. EL sitio web de Pio X en la web del vaticano es un verdadero tesoro:
    http://www.vatican.va/content/pius-x/es/encyclicals.index.html
    Este texto que nos pone hoy el blogger, de la enciclica Editae Saepe, es genial, y junto con la enciclica Pascendi Dominici Gregis, son unos textos de un brillantez y una lucidez para mi desconocida. Hace poco los descubrí y no dejo de recrearme en ellos, tienen mas de 100 años y conservan una vigencia total. Son un auténtico fogonazo de luz iluminadora para nuestros días de tantas sombras, cuando no oscuridades. En mi opinión, si la iglesia quiere tener un mañana como iglesia de Dios, y no convertida en una iglesia del mundo, debería de tener la humildad de reconocer errores de este ultimo siglo (muchos de ellos cometidos por personas de buena voluntad) pero de nefastos resultados (el infierno esta lleno de buenas intenciones…), y volver a descubrir a San Pio X como punto de partida.

  2. Magnífico. Por la sideral diferencia, nos podemos bien imaginar todo lo que este pontificado cayó. La dimensión de la traición es sencillamente apocalítica. Gracias Don Paco

  3. Aire puro, palabras de un pontifice «comme il faut» . Con una luz así da para calibrar la oscuridad que esparce Francisco. Gracias don Paco Pepe.

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